Jairo Alves: sintonia fina!

Opinião

 

* Antonio Passos
Existem muitas frases célebres afirmando que momentos difíceis acabam por destacar pessoas com a capacidade para enfrentá-los. Esses dias, folheando a Parte I de Ser e Tempo, de Martin Heidegger, assim publicada no Brasil pela editora Vozes, encontrei como epígrafe, na apresentação assinada por Emmanuel Carneiro Leão, um desses axiomas, atribuído a Nietzsche: "São os tempos de grande perigo em que aparecem os filósofos. - Então, quando a roda rola com sempre mais rapidez, eles e a arte tomam o lugar dos mitos em extinção. Mas projetam-se muito à frente, pois só muito devagar a atenção dos contemporâneos para eles se volta. Um povo consciente de seus perigos gera um gênio".
Neste estarrecedor começo de século XXI, no qual estamos agora convivendo com uma funesta pandemia, tumultos ameaçadores já haviam se anunciado antes. Penso que uma das áreas mais afetadas por violenta desconstrução e ataques nestes tempos foi e continua sendo a comunicação social - mais estritamente o jornalismo. De uma hora para outra, todo o zelo laborativo ensinado e a ética discutida nos cursos de comunicação social foram jogados na lata do lixo. Bravateiros agressivos e até mentirosos contumazes saltaram das redes sociais para assaltar e reduzir a pó tudo o que antes se fazia em termos de bom jornalismo. Pior, grande parte dos profissionais estabelecidos nos tradicionais meios de comunicação de massa aderiram ao frisson. Hoje, no lugar da mediação equilibrada prevalece uma guerra cínica.
Pois bem, minha meia dúzia de leitores, neste longínquo e pequeno pedaço de mundo chamado Sergipe, eis que permanece firme um raro exemplo de bom jornalismo: trata-se do programa radiofônico Linha Direta, transmitido todas as manhãs pela Rádio Cultura e conduzido pelo apresentador Jairo Alves. Ali, a cada começo de manhã, das segundas às sextas, no lugar do xingamento ou da mentira maliciosa, permanece a opinião. Os entrevistados são diversificados e nem sempre convergentes à doutrina da emissora católica. Da atitude equilibrada e serena do apresentador ecoa, como pano de fundo, uma intenção sempre voltada para o uso do jornalismo como instrumento de promoção do bem-estar social. 
Jairo Alves não é nenhuma novidade. Aliás, ouço a voz dele no rádio há muito tempo, certamente décadas, embora nunca tenha lhe dispensado tanta atenção como o faço hoje. Seria um exagero qualificá-lo como filósofo ou gênio - termos esses constantes na frase de Nietzsche. Não se trata disso. Porém, não tenho dúvida de que nestes nossos tempos raivosos o experimentado jornalista Jairo Alves é um oásis de bom senso. Oxalá o calejado comunicador venha a ser ouvido e enxergado cá entre nós como um possível farol para nos tirar da tempestade que ameaça a ética na comunicação!
* Antonio Passos, jornalista

* Antonio Passos

Existem muitas frases célebres afirmando que momentos difíceis acabam por destacar pessoas com a capacidade para enfrentá-los. Esses dias, folheando a Parte I de Ser e Tempo, de Martin Heidegger, assim publicada no Brasil pela editora Vozes, encontrei como epígrafe, na apresentação assinada por Emmanuel Carneiro Leão, um desses axiomas, atribuído a Nietzsche: "São os tempos de grande perigo em que aparecem os filósofos. - Então, quando a roda rola com sempre mais rapidez, eles e a arte tomam o lugar dos mitos em extinção. Mas projetam-se muito à frente, pois só muito devagar a atenção dos contemporâneos para eles se volta. Um povo consciente de seus perigos gera um gênio".
Neste estarrecedor começo de século XXI, no qual estamos agora convivendo com uma funesta pandemia, tumultos ameaçadores já haviam se anunciado antes. Penso que uma das áreas mais afetadas por violenta desconstrução e ataques nestes tempos foi e continua sendo a comunicação social - mais estritamente o jornalismo. De uma hora para outra, todo o zelo laborativo ensinado e a ética discutida nos cursos de comunicação social foram jogados na lata do lixo. Bravateiros agressivos e até mentirosos contumazes saltaram das redes sociais para assaltar e reduzir a pó tudo o que antes se fazia em termos de bom jornalismo. Pior, grande parte dos profissionais estabelecidos nos tradicionais meios de comunicação de massa aderiram ao frisson. Hoje, no lugar da mediação equilibrada prevalece uma guerra cínica.
Pois bem, minha meia dúzia de leitores, neste longínquo e pequeno pedaço de mundo chamado Sergipe, eis que permanece firme um raro exemplo de bom jornalismo: trata-se do programa radiofônico Linha Direta, transmitido todas as manhãs pela Rádio Cultura e conduzido pelo apresentador Jairo Alves. Ali, a cada começo de manhã, das segundas às sextas, no lugar do xingamento ou da mentira maliciosa, permanece a opinião. Os entrevistados são diversificados e nem sempre convergentes à doutrina da emissora católica. Da atitude equilibrada e serena do apresentador ecoa, como pano de fundo, uma intenção sempre voltada para o uso do jornalismo como instrumento de promoção do bem-estar social. 
Jairo Alves não é nenhuma novidade. Aliás, ouço a voz dele no rádio há muito tempo, certamente décadas, embora nunca tenha lhe dispensado tanta atenção como o faço hoje. Seria um exagero qualificá-lo como filósofo ou gênio - termos esses constantes na frase de Nietzsche. Não se trata disso. Porém, não tenho dúvida de que nestes nossos tempos raivosos o experimentado jornalista Jairo Alves é um oásis de bom senso. Oxalá o calejado comunicador venha a ser ouvido e enxergado cá entre nós como um possível farol para nos tirar da tempestade que ameaça a ética na comunicação!

* Antonio Passos, jornalista

 


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