À flor da matéria

Rian Santos


  • A poesia de uma vida inteira

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Toda biblioteca pronun-
cia uma confissão mui-
to particular de ignorância. As lacunas entre as lombadas, abismais, falam mal do leitor, em particular. Mas também de todos os homens. Há algo de suspeito na seleção das palavras publicadas. Assim, poucos têm em mãos, para exercício do amor táctil, a poesia de Iara Vieira.
Apesar de tudo, Iara Vieira publicou muito. Mas de nada adianta garimpar os sebos, fiado no acaso, na esperança vã de encontrar uma obra prima soterrada sob a poeira. Também ali, entre escombros, projeta-se a feição, como um reflexo, de uma sociedade dominada por velhos gordos e mal amados. Para cada poeta de valor felizmente preservado em letra de tipografia há milhões de medíocres consagrados pelo prestígio político, pela vida em sociedade, pela força da grana.
Por sorte, o poeta Ronaldson esteve empenhado na reunião de cada verso concebido pela colega. Percorreu toda a sua bibliografia, a fim de trazer a poética dispersa em volumes esgotados, mais uma vez, à flor da matéria. Eis, portanto, uma oportunidade singular de preencher as lacunas mencionadas antes. Esta semana, chega ao balcão a Poesia Completa de Iara Vieira.
Poesia Completa - A poeta Iara Vieira, um dos nomes mais significativos da nossa literatura, tem sua obra celebrada em livro com lançamento confirmado para o dia 9 de abril, às 19 horas, pelo canal do Youtube da editora Mondrongo. Poesia Completa, título da obra, traz a produção de uma das maiores vozes das letras sergipanas. A seleção e revisão dos poemas foi feita pelo poeta Ronaldson.
Para o poeta, que há anos se debruça sobre os versos de Iara, a importância dessa obra não está somente no seu inegável valor literário, mas em fazer justiça a uma autora fundamental que extrapolou os limites da produção literária para imprimir uma ação cultural indelével. 
"Marcante em sua geração e além dela. Esta publicação mostra a inteireza de uma autora singular e essencial. Uma edição que agrega livros de muito valor, em edições  já esgotadas num tratamento contemporâneo que honra a poeta e seus leitores", ressalta Ronaldson.
A poeta - Natural de Aracaju, formada em Letras pela Universidade Federal de Sergipe, Iara foi professora da rede municipal de ensino, trabalhou na Secretaria de Estado da Cultura, além de ensinar redação em curso pré-vestibular. Desenvolveu importantes projetos na área cultural do Estado como O Fórum de Poesia, O Ciclo de Debates Literários, O Autor e o Leitor, O Livro vai à Escola, Oficina Literária e promoveu os concursos Prêmio Núbia Marques (Ficção) e Prêmio Santo Souza (Poesia), além do Aperitivo Poético (Poesia).
Como escritora, Iara Vieira destacou-se como um nome de peso, colocando a poesia sergipana aos olhos de grandes nomes da literatura brasileira, a exemplo de Carlos Drummond de Andrade que, ao receber os originais do livro "Esses tempos ad/versos" testemunhou, escrevendo à poeta:
"Se o Esses tempos ad/versos merece publicação? Você está brincando, amiga. Quem já editou livros, como você, como "Interiores", com prefácio consagrado de José J. Veiga não precisa consultar ninguém. Aliás, seu novo trabalho já está anunciado, o que comprova a sua decisão, muito justa, de publicá-lo".
Em vida, Iara publicou Ruínas (Poesia), 1977, Interiores (Contos), 1982, Esses Tempos Ad Versos (Poesia), 1994, A Fome do Paraíso (Poesia), 1994 e O Coro da Serpente (Poesia), 2001. Seu último livro, póstumo, foi A Íntima Humanidade (Poesia), 2003.

Rian Santos

Toda biblioteca pronun- cia uma confissão mui- to particular de ignorância. As lacunas entre as lombadas, abismais, falam mal do leitor, em particular. Mas também de todos os homens. Há algo de suspeito na seleção das palavras publicadas. Assim, poucos têm em mãos, para exercício do amor táctil, a poesia de Iara Vieira.
Apesar de tudo, Iara Vieira publicou muito. Mas de nada adianta garimpar os sebos, fiado no acaso, na esperança vã de encontrar uma obra prima soterrada sob a poeira. Também ali, entre escombros, projeta-se a feição, como um reflexo, de uma sociedade dominada por velhos gordos e mal amados. Para cada poeta de valor felizmente preservado em letra de tipografia há milhões de medíocres consagrados pelo prestígio político, pela vida em sociedade, pela força da grana.
Por sorte, o poeta Ronaldson esteve empenhado na reunião de cada verso concebido pela colega. Percorreu toda a sua bibliografia, a fim de trazer a poética dispersa em volumes esgotados, mais uma vez, à flor da matéria. Eis, portanto, uma oportunidade singular de preencher as lacunas mencionadas antes. Esta semana, chega ao balcão a Poesia Completa de Iara Vieira.

Poesia Completa - A poeta Iara Vieira, um dos nomes mais significativos da nossa literatura, tem sua obra celebrada em livro com lançamento confirmado para o dia 9 de abril, às 19 horas, pelo canal do Youtube da editora Mondrongo. Poesia Completa, título da obra, traz a produção de uma das maiores vozes das letras sergipanas. A seleção e revisão dos poemas foi feita pelo poeta Ronaldson.
Para o poeta, que há anos se debruça sobre os versos de Iara, a importância dessa obra não está somente no seu inegável valor literário, mas em fazer justiça a uma autora fundamental que extrapolou os limites da produção literária para imprimir uma ação cultural indelével. 
"Marcante em sua geração e além dela. Esta publicação mostra a inteireza de uma autora singular e essencial. Uma edição que agrega livros de muito valor, em edições  já esgotadas num tratamento contemporâneo que honra a poeta e seus leitores", ressalta Ronaldson.

A poeta -
Natural de Aracaju, formada em Letras pela Universidade Federal de Sergipe, Iara foi professora da rede municipal de ensino, trabalhou na Secretaria de Estado da Cultura, além de ensinar redação em curso pré-vestibular. Desenvolveu importantes projetos na área cultural do Estado como O Fórum de Poesia, O Ciclo de Debates Literários, O Autor e o Leitor, O Livro vai à Escola, Oficina Literária e promoveu os concursos Prêmio Núbia Marques (Ficção) e Prêmio Santo Souza (Poesia), além do Aperitivo Poético (Poesia).
Como escritora, Iara Vieira destacou-se como um nome de peso, colocando a poesia sergipana aos olhos de grandes nomes da literatura brasileira, a exemplo de Carlos Drummond de Andrade que, ao receber os originais do livro "Esses tempos ad/versos" testemunhou, escrevendo à poeta:
"Se o Esses tempos ad/versos merece publicação? Você está brincando, amiga. Quem já editou livros, como você, como "Interiores", com prefácio consagrado de José J. Veiga não precisa consultar ninguém. Aliás, seu novo trabalho já está anunciado, o que comprova a sua decisão, muito justa, de publicá-lo".
Em vida, Iara publicou Ruínas (Poesia), 1977, Interiores (Contos), 1982, Esses Tempos Ad Versos (Poesia), 1994, A Fome do Paraíso (Poesia), 1994 e O Coro da Serpente (Poesia), 2001. Seu último livro, póstumo, foi A Íntima Humanidade (Poesia), 2003.

 


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