Em detalhes

Rian Santos


  • Que rei sou eu?

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Opiniões educadas não 
têm graça. Por isso, o tra
balho do biógrafo Paulo Cezar de Araújo e, sobretudo, o imbróglio relacionado a sua publicação diz tanto da brava gente. Roberto é Rei. Mas, há muito, não faz por merecer a coroa de cartolina equilibrada sobre a própria cabeça.
Em novembro de 2006, Paulo Cesar de Araújo lançou Roberto Carlos em detalhes, primeira biografia digna do ídolo. Em poucos dias, a obra ganhou resenhas entusiasmadas e ingressou na lista de best-sellers. Não era pra menos: o trabalho consumiu dezesseis anos de pesquisa, nos quais o jornalista realizou centenas de entrevistas e colheu o depoimento das maiores personalidades da MPB, figuras chave na vida do cantor. A biografia condensa, numa narrativa ágil e equilibrada, todo o percurso percorrido por Roberto Carlos, desde os tempos da Jovem Guarda até a sua coroação, quando passou a ser chamado de Rei.
A curiosidade foi proporcional ao esforço empreendido para concluir a empreitada. Mas a boa onda duraria pouco. Na coletiva de Natal daquele ano, ao ser indagado sobre o livro, Roberto Carlos reagiu com uma virulência sem tamanho. Acusou o autor de invadir a sua privacidade, disse que o caso já estava nas mãos de seus advogados e que entraria na Justiça para impedir a circulação da biografia. Em 10 de janeiro de 2007, o rei de fato bateu às portas dos tribunais. Foi o início de uma rumorosa batalha judicial, dolorosíssima para todas as partes. Foi também um dos mais graves episódios de agressão à liberdade de expressão na história de tantos arbítrios de Terra Brasílis.
Robertão que me perdoe, do alto de seus 80 anos, celebrados ontem. Mas eu jamais admiti a imposição de qualquer limite ao exercício do jornalismo, à publicidade dos fatos e a reflexão, bem como à criação artística. Nem o do bom gosto. Muito menos o do bom tom. 
O rei dobrou a espinha para o déspota encastelado numa montanha de vaidades. Não dá mais para relevar os erros de seu português ruim.

Rian Santos

Opiniões educadas não  têm graça. Por isso, o tra balho do biógrafo Paulo Cezar de Araújo e, sobretudo, o imbróglio relacionado a sua publicação diz tanto da brava gente. Roberto é Rei. Mas, há muito, não faz por merecer a coroa de cartolina equilibrada sobre a própria cabeça.
Em novembro de 2006, Paulo Cesar de Araújo lançou Roberto Carlos em detalhes, primeira biografia digna do ídolo. Em poucos dias, a obra ganhou resenhas entusiasmadas e ingressou na lista de best-sellers. Não era pra menos: o trabalho consumiu dezesseis anos de pesquisa, nos quais o jornalista realizou centenas de entrevistas e colheu o depoimento das maiores personalidades da MPB, figuras chave na vida do cantor. A biografia condensa, numa narrativa ágil e equilibrada, todo o percurso percorrido por Roberto Carlos, desde os tempos da Jovem Guarda até a sua coroação, quando passou a ser chamado de Rei.
A curiosidade foi proporcional ao esforço empreendido para concluir a empreitada. Mas a boa onda duraria pouco. Na coletiva de Natal daquele ano, ao ser indagado sobre o livro, Roberto Carlos reagiu com uma virulência sem tamanho. Acusou o autor de invadir a sua privacidade, disse que o caso já estava nas mãos de seus advogados e que entraria na Justiça para impedir a circulação da biografia. Em 10 de janeiro de 2007, o rei de fato bateu às portas dos tribunais. Foi o início de uma rumorosa batalha judicial, dolorosíssima para todas as partes. Foi também um dos mais graves episódios de agressão à liberdade de expressão na história de tantos arbítrios de Terra Brasílis.
Robertão que me perdoe, do alto de seus 80 anos, celebrados ontem. Mas eu jamais admiti a imposição de qualquer limite ao exercício do jornalismo, à publicidade dos fatos e a reflexão, bem como à criação artística. Nem o do bom gosto. Muito menos o do bom tom. 
O rei dobrou a espinha para o déspota encastelado numa montanha de vaidades. Não dá mais para relevar os erros de seu português ruim.

 


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