Roger, o inútil!

Rian Santos


  • Sessentão, Roger é ainda um rebelde sem causa

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Roger Moreira, da ban
da Ultraje a Rigor, fa
ria um bem enorme à própria biografia se aprendesse a ficar de bico fechado. Menino, meados de 1980, disparou palavrões em forma de canções bobas, a fim de experimentar a liberdade possível nos anos de abertura democrática. Chegou a ponto de entoar um monossílabo átono no pudico Show da Xuxa - um feito pelo qual sempre serei grato. Inofensivo, o comportamento do moleque desbocado, no entanto, não cai bem em um sexagenário. 
Segundo Machado de Assis, o menino é pai do homem. O axioma talvez explique a insistência do cantor, ainda disposto a esticar a corda, até o limite da irresponsabilidade. Na flor da idade, Roger arreganhava a boca torta com o mesmo propósito de uma criança mimada. Queria chocar. Tamanha ingenuidade tinha lá a sua graça. Depois de velho, contudo, deu para tratar de assuntos muito sérios. Mas é ainda um rebelde sem causa.
Vira e mexe, o cantor apronta das suas. No episódio mais recente, tuitou a respeito dos 375 mil mortos pela pandemia em Terra Brasílis. E o fez com a ligeireza incontornável de 140 caracteres. Segundo Roger, não há nada de extraordinário no número de vítimas empurradas até a cova pelo vírus. Em anos anteriores, ele argumenta, amparado por uma convicção feroz, sem qualquer fundamento, também morreu um bocado de gente.
Infelizmente, o artista não admite o feitio anedótico, apesar de mórbido, de provocação tão barata. Atribui, ao contrário, uma importância extraordinária ao próprio "pensamento". Em guerra contra tudo, contra todos, ataca a imprensa e a divulgação diária do número de mortos pelo Covid-19. Abduzido pelo universo paralelo das teorias da conspiração, Roger não vê proveito na divulgação dos dados concretos da realidade.
Há precedentes, uma infinidade de casos similares. Aqui mesmo, no coração da aldeia Serigy, a postura do cantor e compositor Paulo Lobo desafia o entendimento. É triste. Mas alguns artistas envelhecem mal e, rancorosos, se voltam com todas as armas contra a memória feliz da própria obra.

Rian Santos

Roger Moreira, da ban da Ultraje a Rigor, fa ria um bem enorme à própria biografia se aprendesse a ficar de bico fechado. Menino, meados de 1980, disparou palavrões em forma de canções bobas, a fim de experimentar a liberdade possível nos anos de abertura democrática. Chegou a ponto de entoar um monossílabo átono no pudico Show da Xuxa - um feito pelo qual sempre serei grato. Inofensivo, o comportamento do moleque desbocado, no entanto, não cai bem em um sexagenário. 
Segundo Machado de Assis, o menino é pai do homem. O axioma talvez explique a insistência do cantor, ainda disposto a esticar a corda, até o limite da irresponsabilidade. Na flor da idade, Roger arreganhava a boca torta com o mesmo propósito de uma criança mimada. Queria chocar. Tamanha ingenuidade tinha lá a sua graça. Depois de velho, contudo, deu para tratar de assuntos muito sérios. Mas é ainda um rebelde sem causa.
Vira e mexe, o cantor apronta das suas. No episódio mais recente, tuitou a respeito dos 375 mil mortos pela pandemia em Terra Brasílis. E o fez com a ligeireza incontornável de 140 caracteres. Segundo Roger, não há nada de extraordinário no número de vítimas empurradas até a cova pelo vírus. Em anos anteriores, ele argumenta, amparado por uma convicção feroz, sem qualquer fundamento, também morreu um bocado de gente.
Infelizmente, o artista não admite o feitio anedótico, apesar de mórbido, de provocação tão barata. Atribui, ao contrário, uma importância extraordinária ao próprio "pensamento". Em guerra contra tudo, contra todos, ataca a imprensa e a divulgação diária do número de mortos pelo Covid-19. Abduzido pelo universo paralelo das teorias da conspiração, Roger não vê proveito na divulgação dos dados concretos da realidade.
Há precedentes, uma infinidade de casos similares. Aqui mesmo, no coração da aldeia Serigy, a postura do cantor e compositor Paulo Lobo desafia o entendimento. É triste. Mas alguns artistas envelhecem mal e, rancorosos, se voltam com todas as armas contra a memória feliz da própria obra.

 


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