'Errare humanum est'

Rian Santos


  • Afrontoso todo!

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Artistas são homens 
de carne e osso. Há 
quem os julgue, ao contrário, sabedores de verdades estranhas ao comum das gentes, o populacho. A visão romântica do poeta coroado por um círculo de luz, feito um iluminado, talvez fizesse algum sentido quando a palavra escrita era privilégio de poucos. Hoje, em plena era do streaming, não passa de desatino, idolatria, produto da cabeça fraca dos desmiolados. Vira e mexe, algum artista cai em desgraça, em função de declarações francamente infelizes, carregadas de pré conceitos lamentáveis - a banda podre da cultura eurocêntrica, perpetuada mundo afora, desde sempre. Sinal dos tempos. 'Errare humanum est'. Mas os justiceiros sociais de plantão não o reconhece, implacáveis.
O clima é de inquisição, de caça às bruxas. O fio da guilhotina ameaça até os queridinhos de causas simpáticas. Justamente o caso de Morrissey, a personalidade mais influente da música pop no século XX. Crítico da monarquia britânica e feroz defensor dos direitos animais,o eterno frontman da banda The Smiths teve a cabeça colocada a prêmio depois de resvalar em um corporativismo completamente dissociado do curso dos acontecimentos. Já saiu em defesa de colegas acusados de assédio sexual e também ostentou o broche de um partido conservador, afrontoso todo. Caiu do cavalo.
Caiu, mas não aprende. Há poucos dias, Morrissey criticou duramente os produtores da série Os Simpsons, em função da caricatura pós-punk encarnada em um personagem. Lisa Simpson rouba dinheiro dos pais para ver um show de Quilloughby, da banda The Snuffs, apenas para descobrir que ele se tornou um velho cínico. O cantor deu xilique.
Quem come prego conhece a costura das próprias calças. Convém mencionar, no entanto, que Morrissey vem lançando discos fantásticos, um depois do outro, discos que passam batido por conta da polêmica mais rasa, numa inversão escandalosa do valor notícia nas sociedades hiper conetadas. Nem o conjunto da obra, muito acima da média, poupou o seu trabalho de um adoecido relativismo de base moral, como se o exercício artístico fosse ofício de homens santos.

Rian Santos

Artistas são homens  de carne e osso. Há  quem os julgue, ao contrário, sabedores de verdades estranhas ao comum das gentes, o populacho. A visão romântica do poeta coroado por um círculo de luz, feito um iluminado, talvez fizesse algum sentido quando a palavra escrita era privilégio de poucos. Hoje, em plena era do streaming, não passa de desatino, idolatria, produto da cabeça fraca dos desmiolados. Vira e mexe, algum artista cai em desgraça, em função de declarações francamente infelizes, carregadas de pré conceitos lamentáveis - a banda podre da cultura eurocêntrica, perpetuada mundo afora, desde sempre. Sinal dos tempos. 'Errare humanum est'. Mas os justiceiros sociais de plantão não o reconhece, implacáveis.
O clima é de inquisição, de caça às bruxas. O fio da guilhotina ameaça até os queridinhos de causas simpáticas. Justamente o caso de Morrissey, a personalidade mais influente da música pop no século XX. Crítico da monarquia britânica e feroz defensor dos direitos animais,o eterno frontman da banda The Smiths teve a cabeça colocada a prêmio depois de resvalar em um corporativismo completamente dissociado do curso dos acontecimentos. Já saiu em defesa de colegas acusados de assédio sexual e também ostentou o broche de um partido conservador, afrontoso todo. Caiu do cavalo.
Caiu, mas não aprende. Há poucos dias, Morrissey criticou duramente os produtores da série Os Simpsons, em função da caricatura pós-punk encarnada em um personagem. Lisa Simpson rouba dinheiro dos pais para ver um show de Quilloughby, da banda The Snuffs, apenas para descobrir que ele se tornou um velho cínico. O cantor deu xilique.Quem come prego conhece a costura das próprias calças. Convém mencionar, no entanto, que Morrissey vem lançando discos fantásticos, um depois do outro, discos que passam batido por conta da polêmica mais rasa, numa inversão escandalosa do valor notícia nas sociedades hiper conetadas. Nem o conjunto da obra, muito acima da média, poupou o seu trabalho de um adoecido relativismo de base moral, como se o exercício artístico fosse ofício de homens santos.

 


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