Alessandro Vieira, ainda promessa

Opinião

 

* Antonio Passos
A eleição de Alessandro Vieira para o senado em 2018 foi surpreendente! Talvez 18 venha a ser rotulado como o ano da ascensão dos neófitos na política brasileira, 2020 já não foi tão assim e 22 ainda é uma incógnita. Em recente entrevista publicada pelo portal JL Política, o senador confessou sem rodeios ser ele mesmo "o nome mais forte" do grupo político no qual está engajado para disputar o governo do estado nas eleições do próximo ano. Em afirmações como essa, Alessandro Vieira explicita mudanças no modo de fazer política - dificilmente um político, digamos, mais tradicional, faria uma declaração dessas.
O senador também disse, na mesma entrevista, que dispõe do resultado de pesquisas que "apontam excelente receptividade" do seu atual mandato. Tudo parece muito sincero, mas, faz lembrar também a preleção otimista feita por um animado técnico de futebol no vestiário, para quem a vitória era apenas uma mera questão de 90 minutos. Contudo, um humilde jogador levantou o dedo lá no fundo e disse:
- Tá tudo certo, professor. Só falta combinar com o outro time.
Fato é que, após a surpreendente vitória eleitoral de 2018, Alessandro Vieira e o grupamento dele continuam apenas como uma promessa de alternativa política consistente para Sergipe. Para essa alternativa vir a ser realizada faltam amadurecimentos. Um deles, sem dúvida, ao menos para as figuras mais expostas entre os coligados, é a agregação de densidade histórica aos pronunciamentos. O momento é propício para a consolidação de novas lideranças que expressem mais compromisso com o diálogo do que com extremismos.
Na campanha eleitoral de 2020, a candidata do senador à prefeitura de Aracaju referia-se ao cenário municipal como se fosse uma terra arrasada. Como se as ações políticas até então, sem exceção, tivessem sido todas desastrosas e diante do caos desenhado colocava-se a candidata como a salvadora. Em oito eleições diretas para presidente, desde a redemocratização, essa estratégia do super-herói contra todos deu certo apenas duas vezes - não sem pesado apoio nos bastidores.
Apesar das dificuldades e ameaças, o país vivencia um processo democrático há mais de 30 anos e houve alternância de poder em todas as esferas. Com isso, cria-se na mentalidade coletiva a percepção das diferenças e dos contrastes. Cada um a seu modo, os cidadãos sabem que todos os governos não foram iguais. Há também diversas informações que demonstram que Sergipe e Aracaju estão longe de ser os lugares mais mal governados do mundo, sequer do Brasil.
Quanto à "excelente receptividade" não há motivo para duvidar da informação vinda do senador. Porém, no rádio, onde o debate político é intenso, jornalistas antes entusiastas de Bolsonaro e Alessandro, agora já não têm boas palavras para o senador. A classe média, por sua vez, em largos traços, se divide entre uma parte bem engajada em questões políticas e outra bem volúvel. Na eleição de 2018 o seguimento volúvel deve ter sido um esteio importante para a eleição do senador. Bom, mas, os volúveis são volúveis.
* Antonio Passos é jornalista

* Antonio Passos

A eleição de Alessandro Vieira para o senado em 2018 foi surpreendente! Talvez 18 venha a ser rotulado como o ano da ascensão dos neófitos na política brasileira, 2020 já não foi tão assim e 22 ainda é uma incógnita. Em recente entrevista publicada pelo portal JL Política, o senador confessou sem rodeios ser ele mesmo "o nome mais forte" do grupo político no qual está engajado para disputar o governo do estado nas eleições do próximo ano. Em afirmações como essa, Alessandro Vieira explicita mudanças no modo de fazer política - dificilmente um político, digamos, mais tradicional, faria uma declaração dessas.
O senador também disse, na mesma entrevista, que dispõe do resultado de pesquisas que "apontam excelente receptividade" do seu atual mandato. Tudo parece muito sincero, mas, faz lembrar também a preleção otimista feita por um animado técnico de futebol no vestiário, para quem a vitória era apenas uma mera questão de 90 minutos. Contudo, um humilde jogador levantou o dedo lá no fundo e disse:
- Tá tudo certo, professor. Só falta combinar com o outro time.
Fato é que, após a surpreendente vitória eleitoral de 2018, Alessandro Vieira e o grupamento dele continuam apenas como uma promessa de alternativa política consistente para Sergipe. Para essa alternativa vir a ser realizada faltam amadurecimentos. Um deles, sem dúvida, ao menos para as figuras mais expostas entre os coligados, é a agregação de densidade histórica aos pronunciamentos. O momento é propício para a consolidação de novas lideranças que expressem mais compromisso com o diálogo do que com extremismos.
Na campanha eleitoral de 2020, a candidata do senador à prefeitura de Aracaju referia-se ao cenário municipal como se fosse uma terra arrasada. Como se as ações políticas até então, sem exceção, tivessem sido todas desastrosas e diante do caos desenhado colocava-se a candidata como a salvadora. Em oito eleições diretas para presidente, desde a redemocratização, essa estratégia do super-herói contra todos deu certo apenas duas vezes - não sem pesado apoio nos bastidores.
Apesar das dificuldades e ameaças, o país vivencia um processo democrático há mais de 30 anos e houve alternância de poder em todas as esferas. Com isso, cria-se na mentalidade coletiva a percepção das diferenças e dos contrastes. Cada um a seu modo, os cidadãos sabem que todos os governos não foram iguais. Há também diversas informações que demonstram que Sergipe e Aracaju estão longe de ser os lugares mais mal governados do mundo, sequer do Brasil.
Quanto à "excelente receptividade" não há motivo para duvidar da informação vinda do senador. Porém, no rádio, onde o debate político é intenso, jornalistas antes entusiastas de Bolsonaro e Alessandro, agora já não têm boas palavras para o senador. A classe média, por sua vez, em largos traços, se divide entre uma parte bem engajada em questões políticas e outra bem volúvel. Na eleição de 2018 o seguimento volúvel deve ter sido um esteio importante para a eleição do senador. Bom, mas, os volúveis são volúveis.

* Antonio Passos é jornalista

 


COMPARTILHAR NAS REDES SOCIAIS