As dores do crescimento

Rian Santos


  • Um pé na paulicéia, outro na terrinha

 

* Rian Santos
Tudo é vago no primei-
ro romance de Luiz 
Eduardo Oliveira. Alguns rostos e paisagens têm nome próprio, mas jamais ganham contornos bem definidos. Entre bares, bodegas, fungadas no banheiro, trepadas ligeiras, um personagem deriva, sob o olhar indiferente do narrador. Não há ponto de partida, nenhuma expectativa razoável.
Um pé na paulicéia, outro na terrinha. Meados dos anos 80. 'Mergulho' evoca certo estado de espírito, próprio de jovens deslocados, capazes de cometer as maiores cabeçadas antes de encontrar um lugar no mundo. Desgarrado, avesso a qualquer espécie de tutela, às voltas com uma convivência familiar rarefeita, um moleque de presumíveis vinte e poucos anos faz de tudo para engrossar o pescoço, firmar os pés no asfalto quente da cidade, tomar um rumo.
O arco dramático do personagem que carrega o romance nas costas cumpre um conhecido ritual mundano de iniciação à vida adulta. E dos mais ordinários. Nada aqui é novo. Nem a história em si mesma, nem o tom curto e grosso adotado pelo narrador em terceira pessoa. A grande sacada do relato reside, talvez, na honestidade do escritor. Luiz Eduardo transforma um apanhado de episódios banais em um depoimento comovente sobre as dores do crescimento - uma coleção preciosa de alegrias breves reunidas num cortejo interminável de muitos tropeços.
O livro não tem final. Mas, de um jeito ou de outro, Luis Eduardo está aqui para contar essa história. Eu desconfio que ele fale de si mesmo, de amigos, do chefe de cozinha mais rock and roll da literatura gastronômica. Antes de tirar a própria vida, Anthony Bourdain resumiu todo o sentido apreensível neste 'Mergulho' numa confissão pungente:
"Eu deveria ter morrido aos 20 anos. O sucesso chegou aos 40. Virei pai aos 50. Sinto que roubei um carro, um carro lindo, e continuo olhando as luzes intermitentes pelo retrovisor".
* Rian Santos, jornalista

* Rian Santos

Tudo é vago no primei- ro romance de Luiz  Eduardo Oliveira. Alguns rostos e paisagens têm nome próprio, mas jamais ganham contornos bem definidos. Entre bares, bodegas, fungadas no banheiro, trepadas ligeiras, um personagem deriva, sob o olhar indiferente do narrador. Não há ponto de partida, nenhuma expectativa razoável.
Um pé na paulicéia, outro na terrinha. Meados dos anos 80. 'Mergulho' evoca certo estado de espírito, próprio de jovens deslocados, capazes de cometer as maiores cabeçadas antes de encontrar um lugar no mundo. Desgarrado, avesso a qualquer espécie de tutela, às voltas com uma convivência familiar rarefeita, um moleque de presumíveis vinte e poucos anos faz de tudo para engrossar o pescoço, firmar os pés no asfalto quente da cidade, tomar um rumo.
O arco dramático do personagem que carrega o romance nas costas cumpre um conhecido ritual mundano de iniciação à vida adulta. E dos mais ordinários. Nada aqui é novo. Nem a história em si mesma, nem o tom curto e grosso adotado pelo narrador em terceira pessoa. A grande sacada do relato reside, talvez, na honestidade do escritor. Luiz Eduardo transforma um apanhado de episódios banais em um depoimento comovente sobre as dores do crescimento - uma coleção preciosa de alegrias breves reunidas num cortejo interminável de muitos tropeços.
O livro não tem final. Mas, de um jeito ou de outro, Luis Eduardo está aqui para contar essa história. Eu desconfio que ele fale de si mesmo, de amigos, do chefe de cozinha mais rock and roll da literatura gastronômica. Antes de tirar a própria vida, Anthony Bourdain resumiu todo o sentido apreensível neste 'Mergulho' numa confissão pungente:
"Eu deveria ter morrido aos 20 anos. O sucesso chegou aos 40. Virei pai aos 50. Sinto que roubei um carro, um carro lindo, e continuo olhando as luzes intermitentes pelo retrovisor".

* Rian Santos, jornalista

 


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