PARA QUE AINDA SERVEM OS GRANDES JORNAIS?

Rômulo Rodrigues

 

* Rômulo Rodrigues
É visível que com a descoberta de novos materiais e os consequentes avanços nos desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente a da informação, e o domínio dos algoritmos, aquilo que sempre foi endeusado como imprensa escrita, vive a triste realidade de ver sumirem seus leitores, de uma forma muito constrangedora.
Tentando explicar: No auge da ditadura militar, quando os jornais, cumprindo suas missões de organizadores coletivos do patronato e porta-vozes do supremo autoritarismo, principalmente O Globo do Rio de Janeiro, que logo farejou na bajulação a grande chance de se expandir e construir seu império; o jornal O estado de São Paulo, o Estadão da Família Mesquita, porta-voz de todos os seguimentos das burguesias agrária, comercial, industrial e financeira quatrocentonas da Avenida paulista; a Folha de S. Paulo, que assim como O Globo, também um jornal de 2ª classe e que serviu fielmente à ditadura, tendo se destacado por ceder seus carros de reportagens e distribuição de jornais como meios de transportes para agentes da repressão e torturadores do DOI-CODI.
Durante a segunda metade da década de 1970, a família frias começou a sentir o peso de apoiar incondicionalmente uma ditadura sangrenta e sua tortura desenfreada e deu uma guinada na composição do seu quadro de jornalistas contratando a nata do semanário "O Pasquim" e revigorou o jornalismo com seu atrativo e vibrante caderno "Folha Ilustrada".
A guinada deu resultado e se refletiu em um feito inédito de atingir em um domingo o recorde absoluto de 500 mil exemplares em um único dia, num País cuja população acabara de atingir 100 milhões de habitantes.
Uma época em que dava um certo Status dizer que era leitor da Folha e mais ainda se fosse assinante.
Nas edições dominicais o deleite era ler a coluna de Flávio Rangel; artigo de Albert Dines; um conto inédito de Plinio Marcos; a coluna de Lourenço Diaféria celebrizada em "Bilhete para um Operário"; além do brilhantismo azedo de Tarso de Castro, as tirinhas do Henfil, do Ziraldo e do Jaguar e tudo que poderia ser uma respirada de Oxigênio no marasmo da falta de informação da realidade, e muita criatividade.
Durante um bom tempo foi possível aos operários e estudantes terem o que debater às segundas feiras, quando sempre havia um grande reencontro.
Fiel ao seu compromisso, O Estadão continuou na defesa intransigente do conservadorismo noticiando sempre o que era do interesse dos barões da Avenida paulista.
Mesmo assim, tentava mostrar que tinha algum compromisso com a liberdade de imprensa publicando receitas de bolos nos espaços onde seriam publicadas matérias jornalistas que eram censuradas, como forma de denunciar a censura.
Foi talvez, um dos primeiros a identificar o nascente perigo para o patronato vindo lá do ABCD paulista e iniciar, lentamente, uma campanha depreciativa e difamatória contra o emergente líder operário Luiz Inácio da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.
Como operário na vizinha cidade de Suzano era, como todo o operariado, contaminado por tudo que acontecia no ABCD e acompanhar O Estadão na sua primeira ofensiva mentirosa em afirmar em reportagem que Lula era dono e morava numa mansão no Morumbi, em São Paulo.
Por sua vez, a Folha de S. Paulo publicou uma extensa matéria ridicularizando Lula e família por terem ido almoçar num restaurante de São Bernardo e depois de comerem frango com "pulenta" levar a sobra num marmitex para ser o jantar.
Foi nessa onda que a revista Veja também se empoderou e fez de sua estratégia jornalística destruí Lula e todo o movimento operário que emergiu das lutas sindicais daquela década. Com seu jornalismo marrom publicou 892 capas da revista destilando seu ódio de classe.
A derrocada dessa linha jornalística bandida é visível nos dias atuais e se reflete na decida assustadora do jornal Folha de S. Paulo que atingiu o ápice na segunda metade da década de 1970, quando chegou a atingira uma tiragem de 500 mil exemplares em um único dia, num domingo, quando o País tinha acabado de ultrapassar os 100 milhões de habitantes e hoje, com o dobro da população, constata que o jornal atinge uma tiragem de pouco mais da metade do que atingiu.
O jornal O Estado de São Paulo já saiu das mãos da família Mesquita e hoje pertence a um grupo de financistas do mercado; a revista veja já não tem quase assinantes reais e ainda circula pela distribuição gratuita em gabinetes e salas de espera por onde circula muita gente.
Mesmo assim, os jornais mantêm suas serventias em publicar reportagens sem compromisso com a apuração da verdade, com fonte para alimentar e manter narrativas de interesses de uma restrita minoria que terá sobrevivência mantendo o povo alienado. Um exemplo como prova substancial é uma final de BBB que conseguiu suplantar em interesse de público com o depoimento de Mandetta e competir com o impacto da morte de Paulo Gustavo.
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

É visível que com a descoberta de novos materiais e os consequentes avanços nos desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente a da informação, e o domínio dos algoritmos, aquilo que sempre foi endeusado como imprensa escrita, vive a triste realidade de ver sumirem seus leitores, de uma forma muito constrangedora.
Tentando explicar: No auge da ditadura militar, quando os jornais, cumprindo suas missões de organizadores coletivos do patronato e porta-vozes do supremo autoritarismo, principalmente O Globo do Rio de Janeiro, que logo farejou na bajulação a grande chance de se expandir e construir seu império; o jornal O estado de São Paulo, o Estadão da Família Mesquita, porta-voz de todos os seguimentos das burguesias agrária, comercial, industrial e financeira quatrocentonas da Avenida paulista; a Folha de S. Paulo, que assim como O Globo, também um jornal de 2ª classe e que serviu fielmente à ditadura, tendo se destacado por ceder seus carros de reportagens e distribuição de jornais como meios de transportes para agentes da repressão e torturadores do DOI-CODI.
Durante a segunda metade da década de 1970, a família frias começou a sentir o peso de apoiar incondicionalmente uma ditadura sangrenta e sua tortura desenfreada e deu uma guinada na composição do seu quadro de jornalistas contratando a nata do semanário "O Pasquim" e revigorou o jornalismo com seu atrativo e vibrante caderno "Folha Ilustrada".
A guinada deu resultado e se refletiu em um feito inédito de atingir em um domingo o recorde absoluto de 500 mil exemplares em um único dia, num País cuja população acabara de atingir 100 milhões de habitantes.
Uma época em que dava um certo Status dizer que era leitor da Folha e mais ainda se fosse assinante.
Nas edições dominicais o deleite era ler a coluna de Flávio Rangel; artigo de Albert Dines; um conto inédito de Plinio Marcos; a coluna de Lourenço Diaféria celebrizada em "Bilhete para um Operário"; além do brilhantismo azedo de Tarso de Castro, as tirinhas do Henfil, do Ziraldo e do Jaguar e tudo que poderia ser uma respirada de Oxigênio no marasmo da falta de informação da realidade, e muita criatividade.
Durante um bom tempo foi possível aos operários e estudantes terem o que debater às segundas feiras, quando sempre havia um grande reencontro.
Fiel ao seu compromisso, O Estadão continuou na defesa intransigente do conservadorismo noticiando sempre o que era do interesse dos barões da Avenida paulista.
Mesmo assim, tentava mostrar que tinha algum compromisso com a liberdade de imprensa publicando receitas de bolos nos espaços onde seriam publicadas matérias jornalistas que eram censuradas, como forma de denunciar a censura.
Foi talvez, um dos primeiros a identificar o nascente perigo para o patronato vindo lá do ABCD paulista e iniciar, lentamente, uma campanha depreciativa e difamatória contra o emergente líder operário Luiz Inácio da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.
Como operário na vizinha cidade de Suzano era, como todo o operariado, contaminado por tudo que acontecia no ABCD e acompanhar O Estadão na sua primeira ofensiva mentirosa em afirmar em reportagem que Lula era dono e morava numa mansão no Morumbi, em São Paulo.
Por sua vez, a Folha de S. Paulo publicou uma extensa matéria ridicularizando Lula e família por terem ido almoçar num restaurante de São Bernardo e depois de comerem frango com "pulenta" levar a sobra num marmitex para ser o jantar.
Foi nessa onda que a revista Veja também se empoderou e fez de sua estratégia jornalística destruí Lula e todo o movimento operário que emergiu das lutas sindicais daquela década. Com seu jornalismo marrom publicou 892 capas da revista destilando seu ódio de classe.
A derrocada dessa linha jornalística bandida é visível nos dias atuais e se reflete na decida assustadora do jornal Folha de S. Paulo que atingiu o ápice na segunda metade da década de 1970, quando chegou a atingira uma tiragem de 500 mil exemplares em um único dia, num domingo, quando o País tinha acabado de ultrapassar os 100 milhões de habitantes e hoje, com o dobro da população, constata que o jornal atinge uma tiragem de pouco mais da metade do que atingiu.
O jornal O Estado de São Paulo já saiu das mãos da família Mesquita e hoje pertence a um grupo de financistas do mercado; a revista veja já não tem quase assinantes reais e ainda circula pela distribuição gratuita em gabinetes e salas de espera por onde circula muita gente.
Mesmo assim, os jornais mantêm suas serventias em publicar reportagens sem compromisso com a apuração da verdade, com fonte para alimentar e manter narrativas de interesses de uma restrita minoria que terá sobrevivência mantendo o povo alienado. Um exemplo como prova substancial é uma final de BBB que conseguiu suplantar em interesse de público com o depoimento de Mandetta e competir com o impacto da morte de Paulo Gustavo.

* Rômulo Rodrigues é militante político

 


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