BIU VICENTE, UMA AMIZADE SEVERINA

Opinião

 

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos
Quando ingressei no quadro de professores do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe, em março de 2009, um dos meus grandes desafios foi cursar o doutorado. Era mestre em Educação e fui um dos últimos a enfrentar um concurso público federal com essa graduação. Nada me imperava ou me obrigava.
Logo, a exigência e vontade eram minhas, pois não precisava, àquela altura de minha vida e carreira, ter que provar mais nada para ninguém. O doutorado não era uma questão de luxo, de orgulho e muito menos de vaidade, era uma realização pessoal, um preito de gratidão a todos que um dia apostaram e acreditaram em mim. 
Em Recife, fui acolhido por minha amiga, a professora Maria dos Prazeres Domingos, e por seu esposo, Francisco. Fiz a seleção no final de 2010, me hospedando em vosso apartamento na praia de Boa Viagem. A cidade, como já disse em outra crônica, me acolheu como mãe e amiga. Inusitadamente, a seleção não estava em meus planos e me ocorreu por indicação do professor doutor Dilton Cândido Maynard, e, por tabela, a recomendação de meu futuro orientador, o professor doutor Severino Vicente da Silva.
A presteza em responder a meu e-mail revelava o seu caráter e a sua boa índole. Não tardou para que nos conhecêssemos em Sergipe, inicialmente, e dali nascer uma grande empatia, ainda que aquele sujeito, à primeira vista, me parecesse irônico, sarcástico e de personalidade severina. Condinominado de Biu, o professor passou a me apontar os melhores caminhos para a minha pesquisa em torno dos embates entre a romanização e o catolicismo popular.
Tendo logrado êxito, lá se fui eu para Recife e por quase quatro anos viver, indo semanalmente para cumprir minha obrigações curriculares e privar da companhia do professor Severino Vicente, de quem, sem muito esforço e naturalmente, tornei-me amigo, daqueles que a vida nos presenteia como irmão, e, no seu caso, uma figura paterna, um mestre, guia e guru. Nossas tertúlias acadêmicas, para além das obrigações do ofício de historiador, eram regadas com boas doses de whisky e de cerveja, eventualmente em ambientes os mais simples e populares da capital sergipana.
E assim, meu amigo Severino fez morada em meu coração. Confiando-me a sua atenção e inteligência fez-me doutor. Doutor em História e doutor da vida! De uma vida severina, que como a sua, foi e tem sido de lutas e de superações. Mais do que mais um diploma na parede ou na gaveta de um arquivo morto, uma viva e profunda experiência que calejou a minha alma e expandiu as portas de minha percepção.
Natural da cidade de Carpina, Zona da Mata, aos 17 de abril de 1950, Severino Vicente da Silva iniciou sua carreira docente aos 19 anos. Teólogo e historiador de formação, atuou em diversas escolas da rede pública e particular de ensino de Pernambuco. Membro da Comissão de Estudos de História da Igreja da América Latina - CEHILA, exerceu importantes funções no clero católico, inclusive junto a Dom Helder Câmara. 
É autor de inúmeros trabalhos, incluindo os livros: Zumbi dos Palmares (1988); A Igreja e a Questão Agrária no Nordeste (1986); A Igreja e o Controle Social nos Sertões Nordestinos (1988); Festa de Caboclo (2005/2012), cuja segunda edição tive a honra de prefaciar; Entre o Tibre e o Capibaribe: os limites da igreja progressista na arquidiocese de Olinda e recife (2006/2016); Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, a saga de uma tradição (2008); Uma Nação Africana na Jurema da Mata Norte: Pretinhas do Congo de Goiana (2011); Anotações para uma visão de Pernambuco no Início do século XX (2014); Da Guerra à Neocristandade. A Tribuna Religiosa (2015); Anotações para uma visão de Pernambuco no início do século XX (2018); 
Segue atuando no Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco e por algum tempo, também esteve no programa de pós-graduação daquela instituição. Foi casado com Tereza Noronha, com quem teve os filhos: Ângelo, Valéria e Tâmisa. Viúvo, casou-se com a fonoaudióloga Manuela Guedes, com quem teve Isaac.
Para além de uma gratidão pessoal, a Universidade Federal de Sergipe reconhece seu legado e a sua contribuição para a instalação do programa de Pós-graduação em História pelos idos de 2012, tendo sido um importante interlocutor, parceiro e colaborador. Vida longa para meu amigo, Biu Vicente!

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

Quando ingressei no quadro de professores do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe, em março de 2009, um dos meus grandes desafios foi cursar o doutorado. Era mestre em Educação e fui um dos últimos a enfrentar um concurso público federal com essa graduação. Nada me imperava ou me obrigava.
Logo, a exigência e vontade eram minhas, pois não precisava, àquela altura de minha vida e carreira, ter que provar mais nada para ninguém. O doutorado não era uma questão de luxo, de orgulho e muito menos de vaidade, era uma realização pessoal, um preito de gratidão a todos que um dia apostaram e acreditaram em mim. 
Em Recife, fui acolhido por minha amiga, a professora Maria dos Prazeres Domingos, e por seu esposo, Francisco. Fiz a seleção no final de 2010, me hospedando em vosso apartamento na praia de Boa Viagem. A cidade, como já disse em outra crônica, me acolheu como mãe e amiga. Inusitadamente, a seleção não estava em meus planos e me ocorreu por indicação do professor doutor Dilton Cândido Maynard, e, por tabela, a recomendação de meu futuro orientador, o professor doutor Severino Vicente da Silva.
A presteza em responder a meu e-mail revelava o seu caráter e a sua boa índole. Não tardou para que nos conhecêssemos em Sergipe, inicialmente, e dali nascer uma grande empatia, ainda que aquele sujeito, à primeira vista, me parecesse irônico, sarcástico e de personalidade severina. Condinominado de Biu, o professor passou a me apontar os melhores caminhos para a minha pesquisa em torno dos embates entre a romanização e o catolicismo popular.
Tendo logrado êxito, lá se fui eu para Recife e por quase quatro anos viver, indo semanalmente para cumprir minha obrigações curriculares e privar da companhia do professor Severino Vicente, de quem, sem muito esforço e naturalmente, tornei-me amigo, daqueles que a vida nos presenteia como irmão, e, no seu caso, uma figura paterna, um mestre, guia e guru. Nossas tertúlias acadêmicas, para além das obrigações do ofício de historiador, eram regadas com boas doses de whisky e de cerveja, eventualmente em ambientes os mais simples e populares da capital sergipana.
E assim, meu amigo Severino fez morada em meu coração. Confiando-me a sua atenção e inteligência fez-me doutor. Doutor em História e doutor da vida! De uma vida severina, que como a sua, foi e tem sido de lutas e de superações. Mais do que mais um diploma na parede ou na gaveta de um arquivo morto, uma viva e profunda experiência que calejou a minha alma e expandiu as portas de minha percepção.
Natural da cidade de Carpina, Zona da Mata, aos 17 de abril de 1950, Severino Vicente da Silva iniciou sua carreira docente aos 19 anos. Teólogo e historiador de formação, atuou em diversas escolas da rede pública e particular de ensino de Pernambuco. Membro da Comissão de Estudos de História da Igreja da América Latina - CEHILA, exerceu importantes funções no clero católico, inclusive junto a Dom Helder Câmara. 
É autor de inúmeros trabalhos, incluindo os livros: Zumbi dos Palmares (1988); A Igreja e a Questão Agrária no Nordeste (1986); A Igreja e o Controle Social nos Sertões Nordestinos (1988); Festa de Caboclo (2005/2012), cuja segunda edição tive a honra de prefaciar; Entre o Tibre e o Capibaribe: os limites da igreja progressista na arquidiocese de Olinda e recife (2006/2016); Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, a saga de uma tradição (2008); Uma Nação Africana na Jurema da Mata Norte: Pretinhas do Congo de Goiana (2011); Anotações para uma visão de Pernambuco no Início do século XX (2014); Da Guerra à Neocristandade. A Tribuna Religiosa (2015); Anotações para uma visão de Pernambuco no início do século XX (2018); 
Segue atuando no Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco e por algum tempo, também esteve no programa de pós-graduação daquela instituição. Foi casado com Tereza Noronha, com quem teve os filhos: Ângelo, Valéria e Tâmisa. Viúvo, casou-se com a fonoaudióloga Manuela Guedes, com quem teve Isaac.
Para além de uma gratidão pessoal, a Universidade Federal de Sergipe reconhece seu legado e a sua contribuição para a instalação do programa de Pós-graduação em História pelos idos de 2012, tendo sido um importante interlocutor, parceiro e colaborador. Vida longa para meu amigo, Biu Vicente!

 


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