Investimento Estrangeiro Direto

Saumínio Nascimento

 

Abordarei neste breve ensaio, infor-
mações recentes da Conferência das 
Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) referente ao Investimento Estrangeiro Direto ao redor do mundo.
Do ponto de vista conceitual, utilizarei a definição econômica apresentada pela APEX Brasil, agência de promoção das exportações do nosso país que apresenta o Investimento Estrangeiro Direto (IED), num sentido mais amplo, como a movimentação de capitais internacionais para propósitos específicos de investimento, quando empresas ou indivíduos no exterior criam ou adquirem operações em outro país. O IED engloba fusões e aquisições, construção de novas instalações, reinvestimento de lucros auferidos em operações no exterior e empréstimos intercompany (entre empresas do mesmo grupo econômico).
De acordo com a APEX Brasil, o investimento estrangeiro faz com que as empresas cresçam, nivela as economias de escala em mercados domésticos e promove resultados tais como: maior produtividade, rentabilidade, geração de riquezas e empregos. O IED também expõe as empresas nacionais a novas ideias e práticas, e pode ainda significar um aumento do fluxo de saída de exportações.
De acordo com a entidade internacional (UNCTAD), os fluxos globais de investimento direto estrangeiro (IDE) deverão atingir o seu nível mínimo em 2021 e recuperar algum terreno perdido com um aumento de 10% a 15%, de acordo com um relatório denominado de " World Investment Report 2021, publicado pela UNCTAD em 21 de junho.
A UNCTAD aponta que os fluxos de IED despencaram globalmente em 35% em 2020, de US$1,5 trilhão no ano anterior para US$ 1 trilhão, diz o relatório. Os bloqueios causados pela pandemia COVID-19 em todo o mundo atrasaram os projetos de investimento existentes e as perspectivas de uma recessão levaram as empresas multinacionais a reavaliar novos projetos.
A instituição revela que a queda foi fortemente direcionada para as economias desenvolvidas, onde o IDE caiu 58%, em parte devido à reestruturação corporativa e aos fluxos financeiros intrafirmas.
No estudo é possível verificar que o IED nas economias em desenvolvimento foi relativamente resiliente, diminuindo 8%, principalmente devido aos fluxos robustos na Ásia. Como resultado, as economias em desenvolvimento responderam por dois terços do IED global, ante pouco menos da metade em 2019.
Os padrões de IED contrastaram fortemente com os da nova atividade de projeto, onde os países em desenvolvimento estão arcando com o impacto da retração do investimento. Nos países em desenvolvimento, o número de projetos greenfield recém-anunciados caiu 42% e os negócios internacionais de financiamento de projetos - importantes para infraestrutura - 14%.
De acordo com o relatório, a COVID-19 também causou um colapso nos fluxos de investimento para setores relevantes para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos países em desenvolvimento.
Todos os setores de investimento de ODS, exceto um, registraram um declínio de dois dígitos em relação aos níveis pré-COVID-19. O choque exacerbou o declínio em setores que já eram fracos antes da pandemia - como energia, alimentos e agricultura e saúde.
Relevante destacar que as tendências de IED em 2020 variaram significativamente por região. Nas regiões em desenvolvimento e nas economias em transição, eles foram relativamente mais afetados pelo impacto da pandemia sobre o investimento em atividades baseadas em recursos e intensivas na cadeia de valor global. As assimetrias no espaço fiscal para a implementação de medidas de apoio econômico também geraram diferenças regionais.
Os fluxos de IED para a Europa diminuíram 80%, enquanto os para a América do Norte caíram menos acentuadamente (-40%). A queda nos fluxos de IED nas regiões em desenvolvimento foi desigual, com 45% na América Latina e no Caribe e 16% na África.
Em contraste, os fluxos para a Ásia aumentaram 4%, sendo o Leste Asiático a maior região anfitriã, respondendo por metade do IED global em 2020. O IED para economias em transição diminuiu 58%.
A pandemia deteriorou ainda mais o IDE em economias estruturalmente fracas e vulneráveis. Embora as entradas nos países menos desenvolvidos (LDCs) tenham permanecido estáveis, os anúncios de novos campos caíram pela metade e os negócios de financiamento de projetos internacionais em um terço. Os fluxos de IED para pequenos estados insulares em desenvolvimento (SIDS) caíram 40%, e os para países em desenvolvimento sem litoral (PMA), em 31%.
Do ponto de vista do futuro, os fluxos globais de IED devem chegar ao fundo do poço em 2021 e recuperar algum terreno perdido com um aumento de 10% a 15%.
As perspectivas são altamente incertas e dependerão, entre outros fatores, do ritmo da recuperação econômica e da possibilidade de recaídas pandêmicas, do impacto potencial dos pacotes de gastos de recuperação sobre o IED e das pressões políticas.
A recuperação relativamente modesta do IED global projetada para 2021 reflete a incerteza persistente sobre o acesso às vacinas, o surgimento de mutações de vírus e a reabertura de setores econômicos.
Os fluxos de IED para a Ásia permanecerão resilientes, visto que a região se destacou como um destino atraente para investimentos internacionais durante a pandemia. Uma recuperação substancial do IED para a África e para a América Latina e o Caribe é improvável no curto prazo.
Dessa forma, conforme apresentado no estudo da UNCTAD, os fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) para a América Latina despencaram 45% em 2020, para US $ 88 bilhões. O IED para a América do Sul caiu mais da metade, para US$ 52 bilhões, com os fluxos para o Brasil e o Peru atingindo o nível mais baixo em duas décadas. No Brasil, os influxos ficaram em US$ 25 bilhões, drenados pelo desaparecimento de investimentos em extração de petróleo e gás, fornecimento de energia e serviços financeiros.
Mas acreditamos que as ações em desenvolvimento pelo Governo brasileiro sejam capazes de reverter a tendência atual e, possamos retornar a uma vigorosa entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil.

Abordarei neste breve ensaio, infor- mações recentes da Conferência das  Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) referente ao Investimento Estrangeiro Direto ao redor do mundo.
Do ponto de vista conceitual, utilizarei a definição econômica apresentada pela APEX Brasil, agência de promoção das exportações do nosso país que apresenta o Investimento Estrangeiro Direto (IED), num sentido mais amplo, como a movimentação de capitais internacionais para propósitos específicos de investimento, quando empresas ou indivíduos no exterior criam ou adquirem operações em outro país. O IED engloba fusões e aquisições, construção de novas instalações, reinvestimento de lucros auferidos em operações no exterior e empréstimos intercompany (entre empresas do mesmo grupo econômico).
De acordo com a APEX Brasil, o investimento estrangeiro faz com que as empresas cresçam, nivela as economias de escala em mercados domésticos e promove resultados tais como: maior produtividade, rentabilidade, geração de riquezas e empregos. O IED também expõe as empresas nacionais a novas ideias e práticas, e pode ainda significar um aumento do fluxo de saída de exportações.
De acordo com a entidade internacional (UNCTAD), os fluxos globais de investimento direto estrangeiro (IDE) deverão atingir o seu nível mínimo em 2021 e recuperar algum terreno perdido com um aumento de 10% a 15%, de acordo com um relatório denominado de " World Investment Report 2021, publicado pela UNCTAD em 21 de junho.
A UNCTAD aponta que os fluxos de IED despencaram globalmente em 35% em 2020, de US$1,5 trilhão no ano anterior para US$ 1 trilhão, diz o relatório. Os bloqueios causados pela pandemia COVID-19 em todo o mundo atrasaram os projetos de investimento existentes e as perspectivas de uma recessão levaram as empresas multinacionais a reavaliar novos projetos.
A instituição revela que a queda foi fortemente direcionada para as economias desenvolvidas, onde o IDE caiu 58%, em parte devido à reestruturação corporativa e aos fluxos financeiros intrafirmas.
No estudo é possível verificar que o IED nas economias em desenvolvimento foi relativamente resiliente, diminuindo 8%, principalmente devido aos fluxos robustos na Ásia. Como resultado, as economias em desenvolvimento responderam por dois terços do IED global, ante pouco menos da metade em 2019.
Os padrões de IED contrastaram fortemente com os da nova atividade de projeto, onde os países em desenvolvimento estão arcando com o impacto da retração do investimento. Nos países em desenvolvimento, o número de projetos greenfield recém-anunciados caiu 42% e os negócios internacionais de financiamento de projetos - importantes para infraestrutura - 14%.
De acordo com o relatório, a COVID-19 também causou um colapso nos fluxos de investimento para setores relevantes para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos países em desenvolvimento.
Todos os setores de investimento de ODS, exceto um, registraram um declínio de dois dígitos em relação aos níveis pré-COVID-19. O choque exacerbou o declínio em setores que já eram fracos antes da pandemia - como energia, alimentos e agricultura e saúde.
Relevante destacar que as tendências de IED em 2020 variaram significativamente por região. Nas regiões em desenvolvimento e nas economias em transição, eles foram relativamente mais afetados pelo impacto da pandemia sobre o investimento em atividades baseadas em recursos e intensivas na cadeia de valor global. As assimetrias no espaço fiscal para a implementação de medidas de apoio econômico também geraram diferenças regionais.
Os fluxos de IED para a Europa diminuíram 80%, enquanto os para a América do Norte caíram menos acentuadamente (-40%). A queda nos fluxos de IED nas regiões em desenvolvimento foi desigual, com 45% na América Latina e no Caribe e 16% na África.
Em contraste, os fluxos para a Ásia aumentaram 4%, sendo o Leste Asiático a maior região anfitriã, respondendo por metade do IED global em 2020. O IED para economias em transição diminuiu 58%.
A pandemia deteriorou ainda mais o IDE em economias estruturalmente fracas e vulneráveis. Embora as entradas nos países menos desenvolvidos (LDCs) tenham permanecido estáveis, os anúncios de novos campos caíram pela metade e os negócios de financiamento de projetos internacionais em um terço. Os fluxos de IED para pequenos estados insulares em desenvolvimento (SIDS) caíram 40%, e os para países em desenvolvimento sem litoral (PMA), em 31%.
Do ponto de vista do futuro, os fluxos globais de IED devem chegar ao fundo do poço em 2021 e recuperar algum terreno perdido com um aumento de 10% a 15%.
As perspectivas são altamente incertas e dependerão, entre outros fatores, do ritmo da recuperação econômica e da possibilidade de recaídas pandêmicas, do impacto potencial dos pacotes de gastos de recuperação sobre o IED e das pressões políticas.
A recuperação relativamente modesta do IED global projetada para 2021 reflete a incerteza persistente sobre o acesso às vacinas, o surgimento de mutações de vírus e a reabertura de setores econômicos.
Os fluxos de IED para a Ásia permanecerão resilientes, visto que a região se destacou como um destino atraente para investimentos internacionais durante a pandemia. Uma recuperação substancial do IED para a África e para a América Latina e o Caribe é improvável no curto prazo.
Dessa forma, conforme apresentado no estudo da UNCTAD, os fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) para a América Latina despencaram 45% em 2020, para US $ 88 bilhões. O IED para a América do Sul caiu mais da metade, para US$ 52 bilhões, com os fluxos para o Brasil e o Peru atingindo o nível mais baixo em duas décadas. No Brasil, os influxos ficaram em US$ 25 bilhões, drenados pelo desaparecimento de investimentos em extração de petróleo e gás, fornecimento de energia e serviços financeiros.
Mas acreditamos que as ações em desenvolvimento pelo Governo brasileiro sejam capazes de reverter a tendência atual e, possamos retornar a uma vigorosa entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil.

 


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