Alta de preços dificulta a vida de mais de 1 milhão de sergipanos, diz Dieese

Geral


  • O economista Luiz Moura, coordenador estadual do Dieese

 

Milton Alves Júnior
Com mais de um mi
lhão de sergipanos 
enfrentando cenário de pobreza, economistas acreditam que a situação deve permanecer afetando milhares de famílias em decorrência de um conjunto de fatores os quais envolvem desde a falta de intervenção administrativa governamental - em especial na esfera Federal -, até a alta fase de seca que segue atingindo milhões de lavouras pelo Brasil. Em conversa com o JORNAL DO DIA, o economista Luiz Moura, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), chamou a atenção para os sucessivos reajustes inflacionários sofridos por proteínas, feijão, arroz e óleo de soja ao longo dos últimos dez meses, bem como disse acreditar na manutenção dos valores elevados por tempo indeterminado.
Na tentativa de fugir dos altos preços, a recomendação apresentada por Luiz Moura é que todos os consumidores realizem pesquisas semanais, em especial, nas feiras livres e mercados públicos municipais. De acordo com o especialista, apenas agindo desta maneira será possível minimizar os gastos com alimentação. Questionado sobre a crise enfrentada por milhões de brasileiros, Moura referiu-se ao contexto local, mas destacou que o enfrentamento contra a fome, protagonizado no estado de Sergipe, se confunde com a realidade nas demais 26 unidades federativas. De forma inesperada, o Dieese reconhece que o povo brasileiro, em sua imensa maioria, precisou se moldar à realidade atual.
"Com a inflação, o que assistimos hoje são milhões de pessoas que deixam de comer carne de primeira, e partiram para a compra da carne de segunda qualidade. O agravamento seguiu e vimos pessoas trocando a carne de segunda por frango; depois passaram do frango para a compra de ovo. Hoje, uma pessoa que recebe um salário mínimo por mês estão com uma alimentação bem restrita, muitas delas até sem ter acesso a proteína. O preocupante é que estudos mostram, com dados bem detalhados, que as pessoas precisam de pelo menos R$ 400 para investir na alimentação por mês; uma família que possui apenas um salário, a escassez do prato de comida é ainda mais assustador", disse.
"Ao contrário de outras crises que enfrentamos ao longo da história em nosso país, as pessoas não estão sendo obrigadas a diminuir as respectivas refeições e, ou, deixá-las em qualidade inferior devido a escassez de alimentos. Hoje nós temos oferta de produtos e pessoas querendo comprar, o problema é a falta ou limitação de renda. Como tudo está mais caro, e isso a gente deve incluir o valor cobrado pelo gás de cozinha, as pessoas precisaram reduzir o consumo. Não há perspectiva nenhuma de redução dos preços e mudança de cenário", destacou. Ao JORNAL DO DIA, Luiz Moura concluiu chamando a atenção para promessas não cumpridas pelo Governo Federal, e possível solução para o problema.
"Há alguns meses o governo [Federal] chegou a anunciar um pacote de medidas econômicas que poderiam se não resolver essa questão, ao menos diminuir o impacto negativo na vida das pessoas. Acontece que as promessas não se concretizaram e isso contribuiu para o agravamento da questão. Para evitar que os preços permaneçam altos, é preciso aumentar os investimentos na produção dos alimentos, aplicar recursos em lavouras em todas as regiões do país. Sem isso, será difícil combater a falta de comida nos lares".

Milton Alves Júnior

Com mais de um mi lhão de sergipanos  enfrentando cenário de pobreza, economistas acreditam que a situação deve permanecer afetando milhares de famílias em decorrência de um conjunto de fatores os quais envolvem desde a falta de intervenção administrativa governamental - em especial na esfera Federal -, até a alta fase de seca que segue atingindo milhões de lavouras pelo Brasil. Em conversa com o JORNAL DO DIA, o economista Luiz Moura, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), chamou a atenção para os sucessivos reajustes inflacionários sofridos por proteínas, feijão, arroz e óleo de soja ao longo dos últimos dez meses, bem como disse acreditar na manutenção dos valores elevados por tempo indeterminado.
Na tentativa de fugir dos altos preços, a recomendação apresentada por Luiz Moura é que todos os consumidores realizem pesquisas semanais, em especial, nas feiras livres e mercados públicos municipais. De acordo com o especialista, apenas agindo desta maneira será possível minimizar os gastos com alimentação. Questionado sobre a crise enfrentada por milhões de brasileiros, Moura referiu-se ao contexto local, mas destacou que o enfrentamento contra a fome, protagonizado no estado de Sergipe, se confunde com a realidade nas demais 26 unidades federativas. De forma inesperada, o Dieese reconhece que o povo brasileiro, em sua imensa maioria, precisou se moldar à realidade atual.
"Com a inflação, o que assistimos hoje são milhões de pessoas que deixam de comer carne de primeira, e partiram para a compra da carne de segunda qualidade. O agravamento seguiu e vimos pessoas trocando a carne de segunda por frango; depois passaram do frango para a compra de ovo. Hoje, uma pessoa que recebe um salário mínimo por mês estão com uma alimentação bem restrita, muitas delas até sem ter acesso a proteína. O preocupante é que estudos mostram, com dados bem detalhados, que as pessoas precisam de pelo menos R$ 400 para investir na alimentação por mês; uma família que possui apenas um salário, a escassez do prato de comida é ainda mais assustador", disse.
"Ao contrário de outras crises que enfrentamos ao longo da história em nosso país, as pessoas não estão sendo obrigadas a diminuir as respectivas refeições e, ou, deixá-las em qualidade inferior devido a escassez de alimentos. Hoje nós temos oferta de produtos e pessoas querendo comprar, o problema é a falta ou limitação de renda. Como tudo está mais caro, e isso a gente deve incluir o valor cobrado pelo gás de cozinha, as pessoas precisaram reduzir o consumo. Não há perspectiva nenhuma de redução dos preços e mudança de cenário", destacou. Ao JORNAL DO DIA, Luiz Moura concluiu chamando a atenção para promessas não cumpridas pelo Governo Federal, e possível solução para o problema.
"Há alguns meses o governo [Federal] chegou a anunciar um pacote de medidas econômicas que poderiam se não resolver essa questão, ao menos diminuir o impacto negativo na vida das pessoas. Acontece que as promessas não se concretizaram e isso contribuiu para o agravamento da questão. Para evitar que os preços permaneçam altos, é preciso aumentar os investimentos na produção dos alimentos, aplicar recursos em lavouras em todas as regiões do país. Sem isso, será difícil combater a falta de comida nos lares".

 


COMPARTILHAR NAS REDES SOCIAIS