NOVA INVASÃO NA BARRA

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sem casa popular e sem apoio da Prefeitura da Barra dos Coqueiros, cerca de 170 famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Urbanos (Motu) estão se concentrando nas proximidades da cabeceira da ponte construtor João Alves Filho que liga o município a Aracaju. Desde a manhã do último sábado, 23, dezenas de pessoas trabalham para erguer barracos e cercas que possam proteger as famílias da ocupação denominada Vitória da Ilha. Indignados com a demora no início da construção de mil casas populares, líderes comunitários garantem que o local, onde será construída uma praça, só será desocupado quando forem devidamente contemplados com os imóveis.

Para Valdir Batista, líder comunitário do Motu, o antigo local ocupado pelas famílias não fornecia segurança e o mínimo de conforto para as crianças e adolescentes. Com essa mudança, a esperança por parte das famílias é que o prefeito Airton Martins (PMDB), possa se sensibilizar com a situação e cobrar agilidade na construção das casas populares. "Lá no outro terreno, por diversas vezes nós fomos surpreendidos com a presença de cobras e ratos. Certa vez um piolho de cobra quase cai na cabeça do meu filho de apenas sete meses. Necessitamos de melhorias urgentemente", disse.

Apesar da alteração de local, outros problemas já começaram a surgir. Sem nenhuma estrutura de saneamento básico, os moradores estão se deslocando para o Rio Sergipe a fim de tomar banho e fazer as demais necessidades. "Essa é a nossa vida, infelizmente os administradores desse município só sabem nos procurar na época da campanha. Pra cozinhar minha mulher precisa caminhar muito pra pegar um balde com água. Agora pergunte se eles sabem quando essas casas serão entregues para nossas famílias? Eles não sabem", pontuou Batista.

Por telefone, o prefeito Airton Martins disse reprovar a atitude das famílias em ocupar um espaço onde a administração municipal já está trabalhando para a construção de uma Praça da Juventude. De acordo com o chefe do executivo municipal, por se tratar de um país democrático, todo e qualquer cidadão tem o pleno direito de reivindicar moradia, porém, que não prejudique direta ou indiretamente os demais moradores. Diante das informações repassadas pelo prefeito, alguns moradores da região já estão reclamando da presença do Motu na região.

"Para a nossa tristeza é isso que está ocorrendo. Já sentamos pra conversar com o Motu e informamos que o projeto das casas vai sair do papel, mas só temos um mês e meio que assumimos a prefeitura e não temos condições de resolver esse problema de uma hora pra outra", afirmou. Questionado quanto ao prazo para entrega dos imóveis, Airton informou que até o momento não existe perspectiva, e que até à conclusão da obra, todas as famílias devem retornar para a cidade de origem.

"Muitas delas são naturais do município de Nossa Senhora do Socorro e de Aracaju. Todas já foram registradas e garanto que assim que as mil casas forem devidamente construídas, iremos convocar família por família para finalmente ser presenteada com a casa própria", declarou.

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