Kátia Azevedo
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O clima de insegurança continua entre profissionais que operam o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Sergipe. No último final de semana, duas bases foram depredadas por populares.
O primeiro caso foi registrado no município de Nossa Senhora do Socorro, e o segundo em Lagarto. A primeira ação aconteceu durante a madrugada de domingo, 13, quando um grupo de pessoas tentou invadir a sede da central de ambulâncias, querendo obrigar as equipes médicas a atender um homem que havia sido baleado em um baile funk durante uma confusão entre várias pessoas, tendo, inclusive, vários tiros disparados.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulâncias de Saúde (Sindconam), Adilson Ferreira Melo, um grupo formado por mais de cinco homens invadiu a base e queria forçar os funcionários a atender a ocorrência. A equipe já estava pronta para se deslocar ao local, mas os invasores saíram quebrando os equipamentos e as viaturas. Policiais do 5º Batalhão (BPM) foram acionados para conter a multidão. Duas pessoas foram detidas pela polícia. Os socorristas foram orientados a sair da base e seguir para Aracaju com as viaturas e se dirigiram até a central, que fica localizada na capital sergipana. Uma ambulância foi atingida e teve o para-brisa quebrado.
Assalto – Em Lagarto, a 75 km de Aracaju, outra base do Samu foi alvo de ataque. Dessa vez, em uma ação similar à acontecida na cidade de Riachuelo no último dia 04, quando um grupo de indivíduos invadiu a base de ambulâncias para assaltar os funcionários. Os populares invadiram a base, roubaram diversos pertences e fugiram do local. Foi informado ainda que foram levados diversos objetos dos servidores, como documentos, lençol, tênis, chinelo, óculos e até um notebook.
"A situação nas bases do Samu refletem a falta de segurança. As depredações ocorreram quando foi preciso sair para fazer atendimento. Não temos ninguém que possa fazer a segurança nas bases e nós precisamos disso. É necessário que a Fundação Hospitalar tome suas providências", reivindica Adilson.
Segundo ele, houve invasão na base de São Cristóvão por duas vezes, a de Socorro foi roubada por seis vezes, em Lagarto também houve duas invasões, em Propriá foram quatro invasões. Além de outras bases do estado que foram invadidas e não aconteceu divulgação.
Segundo Adílson, os dois elementos que foram detidos pela polícia voltaram para a base invadida por volta das 6 horas do domingo, com a intenção de agredir os trabalhadores. Os homens foram impedidos novamente pela polícia.
A falta de segurança já causou fechamento de três bases do Samu que funcionam no interior. Estão desativadas as bases de Laranjeiras, Itabaianinha e Riachuelo. De acordo com o sindicato, cerca de 50 bases estão espalhadas pelo estado, mas a maioria não tem segurança. Além de assaltos, as bases são constantes alvos da população. A base de Laranjeiras, por exemplo, foi fechada por conta de uma invasão por parte da população, para agredir um servidor.
Outro problema levantado pelo sindicato é a demora em atender ocorrências em outra cidade. Em caso de haver a necessidade de atender uma vítima na cidade que não tem base do Samu, a demora em chegar pode levar a pessoa à morte, pois a ambulância tem que sair de uma cidade para outra para fazer o atendimento. O sindicato alerta que a depender da situação e do local, o tempo da chegada da ambulância pode levar de 30 minutos a uma hora.
FHS – A administradora do serviço, a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), através do diretor operacional, Clovis França, explicou que o projeto de reestruturação do Samu está sendo elaborado. A previsão para entrega do documento foi até ontem, 14.
Ele comentou sobre o ocorrido no último final de semana. "Em Socorro, havia vigilante, no entanto, era um grande número de pessoas e não se pode fazer muita coisa. Em Lagarto foi um furto. Nós estamos focando na reestruturação, entre outros pontos, a questão da segurança, mas podemos dizer que as bases não estão totalmente desassistidas", esclareceu Clovis França.
Uma reunião entre o Sindconam e a Secretaria Estadual da Saúde (SES) está marcada para ocorrer amanhã, 16. O objetivo da reunião é tratar das questões do fechamento das bases e das condições de trabalho da categoria.


