Novos protestos em Aracaju

Milton Alves Júnior
miltonalvesjr@jornaldodiase.com.br

Dois grupos distintos de usuários do sistema coletivo de transporte em Aracaju invadiram as ruas do centro da capital na tarde de ontem para, em mais uma ocasião, protestar contra o reajuste de 14,81% na passagem de ônibus. Reunidos na Praça Fausto Cardoso, militantes e sindicalistas ligados à Central do Trabalhador e Trabalhadora do Brasil (CTB), colhiam assinaturas a fim de protocolar já no próximo mês de fevereiro o veto popular que permite a anulação da Lei 245/2015, aprovada por dez vereadores e sancionada pelo prefeito João Alves Filho. Até a tarde de ontem, cerca de dez mil pessoas já haviam assinado a favor do congelamento da passagem. A meta são 20 mil assinaturas.
Por volta das 16h30 o grupo formado por aproximadamente 60 pessoas deixou a praça e seguiu pelos calçadões das ruas João Pessoa, Laranjeiras e Itabaianinha com o propósito de ampliar o diálogo com os populares e contabilizar novos aracajuanos adeptos do veto popular. Apesar de o Brasil ser considerado um país democrático, livre para fazer valer o direito no que se refere à liberdade de expressão, o grupo de manifestantes tem denunciado perseguições por parte da administração pública, por meio da Guarda Municipal de Aracaju. Segundo relatos dos integrantes, agentes têm tentado evitar que os militantes tenham acesso aos populares que transitam nas intermediações do centro da cidade.
Conforme dito pelo estudante Elcio Guimarães, a forma de conduta dos agentes municipais tende a indicar que o prefeito estaria ciente da operação e de acordo com o desejo em suspender, ou ao menos, prejudicar a atuação de todos os usuários do sistema coletivo que se mostram contrários à lei que reajustou a passagem de R$ 2,75, para R$ 3,10. Simpatizante do Movimento Levante Popular, o jovem de 21 anos espera que até o início do carnaval mais de 15 mil pessoas já tenham assinado o documento que valerá como embasamento jurídico e constitucional para ‘derrubar’ o reajuste que vai de encontro aos interesses de mais de 300 mil sergipanos que usam o transporte coletivo como principal meio de locomoção.
"Eles (guardas) vivem pressionando a gente para que possamos deixar os nossos espaços e acabe ali o processo de assinaturas, mas parece que o prefeito não tem noção da força do povo. O mesmo povo que votou nele para prefeito, agora se une para barrar as leis que ele cria sem dialogar com a população. Somos contra esse reajuste e vamos continuar lutando para garantir, no mínimo, o congelamento da tarifa", afirmou. Durante a caminhada que durou em média uma hora e meia, estudantes da Universidade Federal de Sergipe e líderes sindicais também ajudaram a fortalecer o ato. Na próxima segunda-feira, 18, o grupo que coordena o projeto de veto popular volta a se reunir em Aracaju para definir a programação das novas mobilizações.
David de Souza, coordenador do manifesto de ontem à tarde, destacou que simultaneamente em outros pontos da cidade outros militantes também colhiam as assinaturas declarando apoio ao movimento. "A nossa atuação continua firme até domingo agora e já na segunda-feira voltamos a nos reunir para definir o futuro breve da coleta dessas assinaturas que ajudam a demonstrar o quanto o povo aracajuano está insatisfeito com esse reajuste. Não vamos sossegar enquanto não conseguirmos chegar ao nosso objetivo que são as 20 mil assinaturas exigidas para dar entrada no processo de veto", declarou.

Mais revolta – Aglomerados na Praça Camerino, membros do Movimento Não Pago também se reuniram e saíram em caminhada pela avenida Barão de Maruim para protestar contra o reajuste. Essa foi a terceira vez apenas neste ano de 2016 em que o grupo seguiu pelas ruas para pressionar o prefeito João Alves Filho para atender ao pleito dos usuários do transporte coletivo. Unido, o grupo seguiu até o cruzamento entre as avenidas Desembargador Maynard com Hermes Fontes, onde interromperam por mais de 40 minutos o fluxo de veículos. A coordenação do Não Pago também garante que a luta permanecerá até que os objetivos sejam alcançados.
Ciente do aumento no número de aracajuanos que apoiam o movimento, o jovem Flávio Marciel, um dos administradores do Não Pago, disse acreditar mais uma vez na força do povo contra os anseios da administração municipal e dos dez vereadores que seguiram o projeto de lei encaminhado por João Alves para a Câmara de Vereadores. "Vamos resistir até a tarifa cair e só vamos sair das ruas e cessar com os atos quando João Alves definitivamente começar a atender o que deseja o povo. Até agora foram três anos e quinze dias sem sequer olhar para o aracajuano como nós merecemos. Quero ver o dia em que João vai andar de ônibus para entender que essa tarifa é abusiva", declarou.
Os dois atos realizados no final da tarde de ontem foram acompanhados de perto por agentes da Guarda Municipal, Superintendente Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), além de profissionais da Polícia Militar.

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