Milton Alves Júnior
A queda significativa no índice de assaltos e arrastões provocados a ônibus, abrigos e terminais de integração situados na região da Grande Aracaju demonstram o avanço positivo nas operações deflagradas pela Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP) no combate à esta prática criminosa. Se comparado com o ano passado, somente no primeiro semestre houve uma redução de quase 42,1%, caindo da média de 6,04 assaltos por dia, para 3,5. Os números referentes aos últimos três meses também seguem na linha progressista; enquanto em 2016 os casos ultrapassavam a casa dos 500 assaltos, este ano não passam de 280. No acumulado do ano são cerca de 870 casos já contabilizados com o início de outubro, contra 1.520 do ano passado.
No quesito violência física, as estatísticas também são favoráveis. No ano passado oito profissionais foram agredidos por meliantes e um cobrador, David Jonathan Barbosa, de 26 anos, morreu após latrocínio registrado no dia 13 de julho. O caso mais grave registrado esse ano ocorreu no dia 02 de agosto quando um cobrador foi baleado no braço, durante um assalto. A tentativa de homicídio ocorreu quando o veículo transitava nas pelo Conjunto Parque dos Faróis, município de Nossa Senhora do Socorro. Apesar dos dados favorecerem aos discursos de avanços contínuos, difícil é se deparar com usuários do sistema que se sentem à vontade durante o respectivo trajeto.
Para a comerciária Vanessa dos Santos, apesar do declínio, os sucessivos assaltos ainda perturbam o dia a dia dos milhares de sergipanos dependentes deste serviço controlado pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setransp). O reajuste de 12,9% da tarifa – elevando o valor para R$ 3,50 no dia 19 de agosto, ainda assume o posto de ‘Calcanhar de Aquiles’ do transporte coletivo. Na avaliação da passageira, o valor cobrado só será satisfatório a partir do momento em que a qualidade de vida esteja atrelada ao índice zero de criminalidade.
"Mesmo com essa queda ninguém anda tranquilo. No final do mês passado estava voltando do trabalho quando dois rapazes armados com faca fizeram um arrastão e pegaram os objetos de valor da gente. Para a nossa sorte tinha um policial à paisana, armado, que mandou os dois deitarem no chão antes do ônibus parar e abrir a porta para eles fugirem. Agora imagine a aflição da gente; pagamos mais caro por um serviço que ainda nos proporciona esse tipo de situação", lamentou. Os dados apresentados pela SSP são confirmados pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Aracaju (Sinttra).
Esse tema também tem sido amplamente destacado pelo Movimento Social Não Pago, que pressiona o prefeito Edvaldo Nogueira e os 24 vereadores aracajuanos a buscar recursos para promover a ampliação da Guarda Municipal de Aracaju (GMA), e, consequentemente, proporcionar maior segurança aos usuários do transporte público. A perspectiva é que o assunto seja compartilhado com órgãos públicos de fiscalização – a exemplo do Ministério Público Estadual (MPE), bem como com a própria SSP, através da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEACRIM). De acordo com o estudante Wallace Fontes, outros poderes devem contribuir com o combate aos assaltos a ônibus.
"Tem se evoluído muito, principalmente depois da chegada do cartão que evitou o roubo de passes e vales, mas o foco agora é outro; celulares, relógio e dinheiro dos passageiros. Enquanto a polícia estiver prendendo e a justiça liberando o ladrão sem punir de forma firme, esses casos vão demorar a deixar de fazer parte da nossa realidade diária. Sou sortudo porque nunca fui assaltado, mas também não me sinto seguro enquanto estou em um terminal ou dentro do ônibus; às vezes passa a sensação que o meu dia de vítima chegou e não tem para onde correr", declarou. Até a próxima terça-feira o Sinttra apresentará o número de assaltos e arrastões registrados nos primeiros 15 dias deste mês.


