Professora, matriarca da família Barreto e militante política. Essas eram as diversas facetas de Neuzice Barreto Lima, mãe do governador Jackson Barreto, que se estivesse viva teria completado 100 anos no último dia 4 de abril. Apesar de plural, ela se fez singular através de uma trajetória de 73 anos, na qual colocava a família sempre em primeiro lugar.
Em comemoração ao centenário de Neuzice, Jackson Barreto voltou a sua terra natal, Santa Rosa de Lima, nesta sexta-feira, 10, e prestou homenagens através da inauguração da urbanização de praça que recebeu o busto da professora. A noite de celebração continuou com a visita ao túmulo da matriarca, com elevação de coroa de flores, e seguiu com uma missa na igreja em que Neuzice frequentou e se casou com Etelvino Alves de Lima.
Emocionado em voltar à cidade em que nasceu, Jackson destacou as melhores lembranças que guarda da mãe. “Ela foi a estrela guia de toda a família. Não posso esquecer nunca a mãe que tive e é por isso que estou aqui. É um momento de alegria e ao mesmo tempo de emoção. Eu volto a Santa Rosa para comemorar aniversário dela com meus queridos familiares, e para dizer muito obrigado, minha mãe. Não estou aqui por vaidade de ser governador, e sim para te dizer que foi graças a sua luz, orientação, força, experiência, luta e iniciativa, que a gente pode ocupar esse espaço. Quero dizer a ela em seu centenário: ‘você nunca morreu. Você está e continuará viva no coração, pensamento, na cabeça, consciência, fé e esperança de todos’”, ressaltou.
Para homenagear o centenário de Neuzice, os Correios lançou um selo comemorativo. De acordo com o representante da direção regional da empresa, Geraldo Feitosa, o tributo a mãe do governador também está relacionado à história de Jackson, que não só trabalhou como carteiro, como defendeu os interesses da Instituição e dos servidores. A respeito do selo, o representante destacou que ele terá circulação nacional.
O governador agradeceu a homenagem dos Correios e destacou que sua mãe agora vai ser conhecida por todo o país. “Neuzice vai circular pelo Brasil. Minha mãe, além de ser de Santa Rosa de Lima e de Sergipe, agora é do Brasil”, evidenciou.
A educadora – Uma mulher presente e que se preocupava com a educação não só dos filhos, como dos sobrinhos e netos. Essa é uma das maiores lembranças da família de Dona Neuzice. De acordo com Eliene Barreto, irmã de Jackson, apesar de sua mãe não ter tido uma formação elevada, pois estudou apenas até o primário, ela era muito inteligente. “Minha mãe tinha uma visão de mundo muito grande. Ela lia bastante e sabia debater sobre tudo com Jackson”, relatou.
Outra pessoa que também virou educador e fez parte da história de Neuzice foi Francisco Andrade, ou como é conhecido por todos, o professor de química Chico. Apesar de ter, na época, cerca de 7 anos, o docente lembra de características marcantes da ex-professora do primário.
"Dona Neuzice era muito querida por todo mundo. Tive aula com ela no grupo José Augusto Ferraz, situado no bairro Industrial. Ela tinha o costume de passar a mão na cabeça da gente e tratava como filhos os alunos que estudavam bem. Lembro que dona Neuzice era extremamente doce e o que impressiona era a paciência que possuía. Ela sempre tinha um sorriso e uma palavra amável. Guardo uma grande recordação dela", rememorou.
Dos momentos que passou com a professora de primário, Chico ainda destaca a última vez em que a viu. “Quando Dona Neuzice estava doente, fui visitá-la no hospital. Tive essa oportunidade depois de muito tempo e ela me reconheceu. Falou meu nome e ficou com os olhos brilhando", recordou.
Durante a missa, celebrada pelo arcebispo Dom Palmeira Lessa, a professora Marilene Oliveira contou que conheceu Neuzice em Aracaju, em uma das escolas onde trabalhou. Com a memória afiada, ela lembra não só de histórias vividas com a amiga, como do primeiro dia que a conheceu. “Foi em 1º de agosto de 1957, quando fui transferida do município de Capela. Ao chegar, fui recebida por ela. A partir daí passei a conhecê-la mais e começamos uma grande amizade. Ela falava da família e das dificuldades que enfrentava para criar os filhos. Voltávamos do trabalho juntas todos os dias”, comentou, acrescentando que Neuzice era muito dedicada, presente e que sempre se esforçava para atender as necessidades dos filhos.


