Rian Santos
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Havia um tempo, quando nem toda forma de amor e de amar eram bem-vistas. Naqueles dias, falava-se de um amor que não ousava dizer o seu nome.
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Oscar Wilde abriu a boca e foi condenado a trabalhos forçados. Mais do que a condenação por “indecência grave”, contudo, pesou-lhe sobre as costas a desgraça. Após a prisão, sua esposa, Constance, fugiu com os dois filhos do casal e mudou o sobrenome da família para Holland.
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Hoje, o “crime” de Oscar Wilde já não deveria afrontar a moral de ninguém, tanto que a Biblioteca Britânica anunciou a reativação do seu passe, 130 anos após tê-lo cancelado, em 1895.
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Reacionários de bíblia em punho, no entanto, não hesitam ante a tentação de mandar os pederastas para o quinto dos infernos, fiados em dogmas ultrapassados, condenando-os à danação eterna.
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A reparação realizada pela instituição faz pensar no fluxo e refluxos da História. Em cerimônia marcada para 16 de outubro, a Biblioteca Britânica entregará um passe simbólico ao neto de Wilde, em presença do ator Rupert Everett, que interpretou o escritor no filme O Príncipe Feliz (2018).
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Era uma vez um homem em conflito com o seu tempo. Tanto a moral, quanto o orgulho e a vergonha, como se nota, dizem mais das disposições coletivas, menos das singularidades de cada um.


