O dono da razão

Com quatro pedras nas mãos (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Ateu sem muita convicção, rezo todos os dias pela saúde dos jornalistas Gilvan Manoel e Elenilton Pereira. Rezo pelo meu emprego, em primeiro lugar. Mas também pelas páginas ralas, cada vez mais magras, da imprensa escrita em Sergipe.
Apesar de tudo, o Jornalismo resiste. Outro dia, um presidente da República com cela reservada no Presídio da Papuda convidou um humorista sem graça para jogar bananas a jornalistas. Desde então, os ataques à imprensa se repetem, de norte a sul, em variadas frentes.
Infelizmente, a brisa boa de nossas praias não nos torna imunes à coqueluche autoritária inoculada no sangue azul dos poderosos. O próprio governador Fabio Mitidieri toma qualquer espécie de questionamento por ofensa. Assim, os episódios de grosseria se repetem.
Quem não lembra do confronto entre o governador e os professores representados pelo Sintese? Cobrado pelos servidores estaduais, Mitidieri partiu para o ataque e alegou que nunca os viu trabalhar, insinuou que o corpo docente da rede estadual de ensino é composto por vagabundos.
Depois, flagrado em um estádio de futebol no exterior, justamente enquanto gozava licença médica, Mitidieri fez pouco caso do ruidoso desconforto vocalizado pela opinião pública e respondeu que tinha viajado às próprias custas, como se não devesse satisfação a ninguém.
Mais recentemente, questionado a respeito da falta de água em diversos municípios sergipanos após a cessão da Deso, o governador destratou um repórter, mero porta voz das torneiras sem serventia.
Em sua última investida como dono da razão, Mitidieri foi pra cima da revista Carta Capital, publicação na qual o repórter Wendal Carmo elenca indícios de irregularidade na captação da água de um riacho explorado por uma propriedade da sua família. Ao invés de se defender, como seria legítimo, o governador mais uma vez se armou com quatro pedras nas mãos.
O governador acusa o jornalista de deslealdade e perseguição. Mas isso não esclarece as suspeitas levantadas. Melhor seria calçar as sandálias de humilde servidor público e responder às questões postas com a maior transparência. Mas não.
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