Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O amigo Nino Kar-
van, merecedor de
cada adjetivo e elogio já pronunciado por esta página, cometeu um artigo lamentável, no qual abusa de ironia e malabarismo retórico para defender a presença de Devinho Novaes no palco do Forró Caju 2018. E, como não falou às paredes, não merece ficar sem resposta.
Em primeiro lugar, o próprio Nino deixa claro, ele é hoje um funcionário comissionado da Prefeitura de Aracaju – com excelentes serviços prestados em favor da sensibilidade nativa, diga-se de passagem. Portanto, não há como dissociar o seu empenho pessoal na polêmica e o papel realizado enquanto servidor público. A disposição contra os poucos colegas artistas capazes de levantar a voz contra a degeneração da festa em questão depõe contra um e outro: o músico Nino Karvan e o gestor da Funcaju.
Segundo Nino, o hiato sensível entre o nascimento de uma dada manifestação cultural e o seu progressivo esvaziamento, por força de interesses estritamente comerciais, não alteram a natureza popular do produto artístico. Assim se deu, ele mesmo descreve o processo, com o arrocha de Devinho Novaes. Para Nino, pouco importa se o boyzinho capaz de arrastar uma verdadeira multidão até a praça dos mercados municipais no último dia do Forró Caju é favorecido por jabaculê. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe, ele simplesmente ignora a promiscuidade das relações estabelecidas entre a indústria cultural, movimentada por cifras de muitos milhões, e as concessões públicas de rádio e TV, com as implicações conhecidas no exercício artístico independente. E dá a entender que o sucesso tem preço corrente.
Mas ao contrário do que Nino afirma, o fenômeno Devinho Novaes não nasceu de um dia para a noite. Todo sábado, por exemplo, o empresário Fabiano Oliveira se disfarça de apresentador de televisão para vender artistas e festas. Ninguém dá um pio. Todo ano, as prefeituras municipais nos quatro cantos de Sergipe torram milhões em verbas públicas com a promoção de grandes eventos de natureza comercial. O povo, carente de lazer, comparece e bate palmas. Agora, um gestor público comete um artigo no qual se nega a discutir se é correto haver arrocha nos palcos erguidos sob pretexto dos festejo juninos, em um parágrafo, para celebrar o "sucesso", em termos numéricos e de popularidade, logo à frente. É o fim da picada!
Ao fim de seu texto, Nino adverte que não é um ouvinte cativo do arrocha – uma observação desnecessária. Afinidades eletivas à parte, o cantor e compositor Chico César não precisou resvalar em preconceito de classe, nem adotou a pose afetada de um intelectual de província para negar os palcos de sua terra natal para o "forró de plástico". Secretário de Cultura, ele jamais deixou de ser cantor e compositor, e se mostrou o tempo inteiro ciente dos próprios calos.
O amigo Nino Kar- van, merecedor de cada adjetivo e elogio já pronunciado por esta página, cometeu um artigo lamentável, no qual abusa de ironia e malabarismo retórico para defender a presença de Devinho Novaes no palco do Forró Caju 2018. E, como não falou às paredes, não merece ficar sem resposta.
Em primeiro lugar, o próprio Nino deixa claro, ele é hoje um funcionário comissionado da Prefeitura de Aracaju – com excelentes serviços prestados em favor da sensibilidade nativa, diga-se de passagem. Portanto, não há como dissociar o seu empenho pessoal na polêmica e o papel realizado enquanto servidor público. A disposição contra os poucos colegas artistas capazes de levantar a voz contra a degeneração da festa em questão depõe contra um e outro: o músico Nino Karvan e o gestor da Funcaju.
Segundo Nino, o hiato sensível entre o nascimento de uma dada manifestação cultural e o seu progressivo esvaziamento, por força de interesses estritamente comerciais, não alteram a natureza popular do produto artístico. Assim se deu, ele mesmo descreve o processo, com o arrocha de Devinho Novaes. Para Nino, pouco importa se o boyzinho capaz de arrastar uma verdadeira multidão até a praça dos mercados municipais no último dia do Forró Caju é favorecido por jabaculê. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe, ele simplesmente ignora a promiscuidade das relações estabelecidas entre a indústria cultural, movimentada por cifras de muitos milhões, e as concessões públicas de rádio e TV, com as implicações conhecidas no exercício artístico independente. E dá a entender que o sucesso tem preço corrente.
Mas ao contrário do que Nino afirma, o fenômeno Devinho Novaes não nasceu de um dia para a noite. Todo sábado, por exemplo, o empresário Fabiano Oliveira se disfarça de apresentador de televisão para vender artistas e festas. Ninguém dá um pio. Todo ano, as prefeituras municipais nos quatro cantos de Sergipe torram milhões em verbas públicas com a promoção de grandes eventos de natureza comercial. O povo, carente de lazer, comparece e bate palmas. Agora, um gestor público comete um artigo no qual se nega a discutir se é correto haver arrocha nos palcos erguidos sob pretexto dos festejo juninos, em um parágrafo, para celebrar o "sucesso", em termos numéricos e de popularidade, logo à frente. É o fim da picada!
Ao fim de seu texto, Nino adverte que não é um ouvinte cativo do arrocha – uma observação desnecessária. Afinidades eletivas à parte, o cantor e compositor Chico César não precisou resvalar em preconceito de classe, nem adotou a pose afetada de um intelectual de província para negar os palcos de sua terra natal para o "forró de plástico". Secretário de Cultura, ele jamais deixou de ser cantor e compositor, e se mostrou o tempo inteiro ciente dos próprios calos.