Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Jamson Madureira é vivo, os amigos garantem. Relatos colhidos pelas bandas do conjunto Marcos Freire, em Socorro, dão conta dos murros em ponta de faca. Um documentário rrcdnte, dando sopa no YouTube, também.
O homem certo, no lugar e na hora errada. O grafismo hardcore do Automazo, HQ criada e distribuída pelo próprio artista, em carne e osso, é um corpo estranho no panorama das artes visuais em Sergipe. Reverbera aqui e ali, como nos esforços de discípulos assumidos. Os desígnios declarados em proposta tão radical, entretanto, impedem qualquer possibilidade de contemporização.
Violência, caos e devaneio imantados em pinceladas selvagens e traços irregulares – a caligrafia inconfundível de uma criatura alforriada. Tamanha liberdade obrigou Madureira a uma espécie de exílio não declarado. O choque provocado nas raras oportunidades de exposição no interior do cubo branco, um espaço de seleção por excelência, foi sucedido por silêncio constrangido. Ninguém articulou reação ao estupor. Um desconforto flagrante.
Os dados lançados lá atrás, meados dos anos 90, ainda não pagaram a aposta. Sob o brilho de outras estrelas, Madureira estaria vivendo hoje às custas dos primeiros arroubos criativos. Jamais na capital Serigy. Sem a bênção de uma autoridade com culhões de separar o joio do trigo, dispêndio figurativo e poética visual, Madureira é uma espécie de Basquiat sem a mão amiga e interesseira de Andy Warhol. Uma questão de (má) sorte.
É sabido que santo de casa não faz milagre. Ano passado, entretanto, no embalo da Lei Aldir Blanc, posts com a HQ de Madureira emoldurada pela marca da Funcap alimentaram as redes sociais. Agora, o breve documentário já mencionado está a disposição dos curiosos no canal do artista, à guisa de lembrete: Madureira e vivo. E ainda tem as manhas. Firme e forte e chutando.


