O segredo da Globo

* Antonio Passos

As grandes redes de TV parecem desesperadas com a perda do monopólio da comunicação. A guerra pela audiência agora não é apenas entre elas. É, sobretudo, uma luta para manter a credibilidade em meio à livre circulação da informação pela internet. Para qualquer edição que as redes comerciais tentem emplacar, interpretações alternativas, à mancheia, são postadas de imediato nas redes sociais.
A Rede Globo, que continua liderando a regata das balsas, estremece e lança mão, na borda mais popular que é a TV aberta (o nosso outrora "grande irmão" canal 4, aqui em Sergipe), de uma estratégia temerária. Pisca para o "jornalismo" bruto, praticado por redes menores que entulham a degradação como espetáculo, criando a falsa impressão de que aquele lixo é toda a realidade.
Outra aposta da "Vênus platinada" – como a chamava o saudoso Leonel Brizola – tem sido correr atrás da interatividade, tentar ser um pouco rede social. Chegue, opine, mande uma foto, você pode estar aqui ao nosso lado… "A gente se vê por aqui". Qual o alcance da credibilidade desses convites, vindos de uma empresa viciada em editorias escandalosamente parciais? Será que o suporte suporta?
Contudo, juntas todas as demais redes de TV comerciais e abertas do país não dão meia Globo em qualidade. Em audiência apenas beliscam a líder de vez em quando. De onde vem então a persistente superioridade? Alguém responderá que é herança das benesses historicamente abocanhadas, derivadas da relação promíscua com o poder público. A resposta está certa, mas é pouca. Não diz tudo.
Na minha avaliação o segredo televisivo da Rede Globo, também no jornalismo, o molho óbvio e ululante, porém não copiado pelas concorrentes, é a diversidade. A amplitude do arco qualitativo ofertado pela emissora a diferencia para melhor e mantém em alta um solitário charme. Enquanto o jornalismo da TV aberta capenga, o praticado no Globo News (o canal fechado de notícias da mesma rede) é bem melhor.
Mesmo olhando apenas o jornalismo praticado no Globo News, a diversidade é grande. Entre os âncoras constam figuras com atitudes e posições extremadas. Se em uma ponta está Alexandre Garcia, que abusa do uso da violência verbal para atacar projetos aos quais se opõe, na outra brinda-nos com bom jornalismo o melhor profissional da área em exercício na TV brasileira: Fernando Gabeira.
Por falar em Gabeira, esta semana ele colocou no ar mais um excelente programa, uma edição inteiramente dedicada ao início do governo de Flávio Dino (PCdoB) no Maranhão – após meio século de coronelismo praticado pela casta Sarney. Em um Brasil com escassez de novas e promissoras lideranças políticas, Gabeira mostrou que Dino é um nome a ser acompanhado. Mas esse é um tema para outra conversa.
* Antonio Passos é jornalista

Compartilhe esta notícia