Sem improviso.
O tal do feelling
Publicado em 04 de julho de 2023
Por Jornal Do Dia Se
Rian Santos – riansantos@jornaldodiase.com.br
O governador Fabio Mitidieri abre a boca, a maior parte da imprensa serigy ouve um sofisticado solo de jazz.
A capacidade de improviso, marca maior de um bom músico do gênero, não passa de cálculo, matemática aplicada. Há sentimento, sensibilidade, o tal do feelling, claro. Mas alturas e intervalos entre duas notas obedecem a fórmulas rigorosas. Estas jamais prescindem da técnica, a experiência acumulada por um gênio do sax nas madrugadas de neon e fumaça. O tema escandido numa enxurrada de ligaduras só é posto à prova após a exaustão de todas as possibilidades, os testes realizados no recato do estúdio fechado, onde a música não passa de miragem, entre quatro paredes. No palco, entretanto, o esforço ganha ares de arrebatamento.
Os 30 dias de forró prometidos pelo governo de Sergipe foram multiplicado por dois, num passe de mágica. O governador achou um mês inteiro pouco, resolveu esticar junho por mais 30 dias, a fim de entreter a turistada até o limite das priquitinhas compradas no mercado.Quem o viu anunciado a novidade poderia jurar de pés juntos: Mitidieri foi tomado por um vislumbre.
Não é bem assim. A bem da verdade, para fazer juz aos versos de Rogério, seria preciso posicionar os trios pé de serra nas principais esquinas e cartões postais da aldeia durante os 365 dias do ano. O governador sentiu a vibe boa do São João repercutindo em forma de aplausos e lides positivas. E tratou de aproveitar o momento, como quem estica um tema, uma melodia.
Ponto para Mitidieri. Um gestor de ouvidos abertos, sensível às vibrações do populacho, pode até não saber de música, dar a falsa impressão de improvisar em matéria tão importante quanto a intersecção de Cultura e Turismo. Ledo engano. O anúncio realizado após 31 dias de forró prova por A mais B que o governador não é surdo aos apelos da alegria.