Sexta, 19 De Abril De 2024
       
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O tamanho do Pré-Caju


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Publicado em 23 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Superlativo(André Moreira/PMA)

Rian Santos
 
Crítico ferrenho do Pré-Caju, admito o meu espanto com a expectativa de público declarada por seus organizadores: em três dias de festa, o empresário Fabiano Oliveira espera recepcionar 400 mil foliões extemporâneos -nos camarotes, atrás do trio elétrico, de um lado e outro da corda, com abadá, sem abadá.
Superlativo, o número impressiona. A micareta promovida pela Associação Sergipana de Blocos e Trios realmente ganhou a dimensão de um grande evento, como sempre alardeou Fabiano. Nem assim, contudo, os pracatuns de carnaval baiano apaziguam o meu coração cansado.
Tudo bem, o Pré-Caju é imenso. Mas o Festival de Artes de São Cristóvão, por exemplo, uma festa verdadeiramente pública, não tem potencial para atrair o mesmo volume de visitantes? O Lambe Sujo, em Laranjeiras, não merece as declarações de amor do governador de Sergipe? A programação classuda do Cine Vitória, a viola surrada dos compositores da Atalaia, os embates travados entre Sergipe e Confiança, nada disso anima a sergipanidade adormecida nos corredores imensos da administração estadual?
Sim, conservo uma diferença inconciliável com a festa de Fabiano. A solicitude do prefeito de Aracaju, o empenho pessoal do governador de Sergipe, os rios de dinheiro desviados para irrigar a alegria coreografada na avenida, tudo isso contrasta com o abandono flagrante da sensibilidade nativa. Cultura, para o governo de Sergipe, é ‘business’. E só ‘business’, mesmo.
Tudo bem, o Pré-Caju movimenta a economia local – Edvaldo Nogueira, Fabio Mitidieri e Fabiano Oliveira garantem. Ainda assim, Sergipe é o pior estado do nordeste em geração de empregos, a despeito de um enorme potencial para a exploração do turismo, a tal indústria sem chaminés, movida a inteligência, experiências realmente gratificantes e paisagens de encher os olhos, como as nossas.
A festa de Fabiano só cresce, enquanto o emprego míngua e o destino Sergipe permanece fora do mapa. A conta do governador Fabio Mitidieri, o homem abadá, não fecha.
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