Obra na 13

Os movimentos sociais decidiram se assenhorear da cidade. Próxima terça-feira, representantes da sociedade civil organizada promovem uma grande mobilização para fazer frente ao absurdo pretendido pela Prefeitura Municipal de Aracaju. No que depender do clamor popular, o prefeito João Alves Filho vai ter de tirar o cavalinho da chuva e o trator do leito do Rio Sergipe.

As obras de contenção na balaustrada da 13 de julho estão sendo realizados à revelia dos estudos de impacto ambiental necessários para evitar o pior. O pior, no caso, seria o que a prefeitura chama de "reflexos eventuais". Um eufemismo, na opinião da Adema – órgão estadual segundo o qual seria necessário considerar, através de um estudo detalhado, as conseqüências provocadas naquele ecossistema antes de passar as máquinas em cima de tudo.

A teimosia do prefeito João Alves Filho, que quer porque quer aterrar 40 metros do rio, e o despeito manifestado pela competência alheia não estão a serviço da população. Executadas sem o já mencionado estudo, as obras podem evocar crimes ambientais do passado, quando um molhe de pedras foi jogado na água, edificando o quebra-mar da Atalaia Nova e da Coroa do Meio.

Aterrar o leito do Rio Sergipe custará quase seis milhões aos cofres públicos. Uma alternativa consequente seria a recuperação da mureta da 13 de julho (segundo a Prefeitura, a estrutura apresenta risco de desabamento), pura e simples, sem a necessidade de interroper o tráfego no trecho interditado da Avenida Beira Mar por tanto tempo e de se opor ao curso de água.

É preciso aprender com os erros. A preocupação constante motivada pelas obras de contenção no bairro Coroa do Meio, produto do alheamento ao impacto provocado pelo aterramento que permitiu o povoamento da região, constitui uma advertência das mais contundentes. A vulnerabilidade do mangue, demonstrada pelas feições da paisagem na 13 de julho, também.

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