Olivia Wilde está em cartaz nos cinemas brasileiros desde quinta-feira (22). Ela interpreta Erika Tracy, uma artista performática que inicia uma relação de dominação e submissão com o assistente bem mais jovem, Elliot (Cooper Hoffman). “I Want Your Sex” é dirigido por Gregg Araki e distribuído pela O2 Play. O filme parte de uma provocação: a geração Z estaria travada pelas próprias ansiedades e precisaria transar mais e melhor.
Fora da ficção, o desejo de estar no comando é comum. Uma enquete do Sexlog, maior rede social adulta da América Latina, ouviu 5,5 mil pessoas. Delas, 43,9% afirmam adorar dominar durante o sexo e 14,9% têm vontade de experimentar esse papel.
O que é a dominação – A dominação é uma das seis práticas reunidas na sigla BDSM: Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo. É um jogo de poder em que uma pessoa conduz e a outra se entrega. Pode envolver ordens, regras, rituais ou acessórios, sempre com consentimento explícito e combinados prévios.
“A grande diferença está no consentimento. Dentro do sexo, o controle é um jogo combinado, em que as partes confiam uma na outra. Fora dali, o controle real é desequilíbrio. No sexo, a dominação é desejo, não posse”, explica a sexóloga Bárbara Bastos.
Os números confirmam que conversa é regra. Em outra pesquisa do Sexlog, com mais de 7 mil pessoas, 83,2% dos interessados em BDSM dizem que a prática exige mais diálogo do que o sexo convencional. Outros 60,4% afirmam sempre falar sobre limites antes de qualquer experiência íntima.
O tema também ganhou espaço nas mininovelas, histórias curtas em capítulos feitas para assistir no celular. “A Fã número 1” está disponível no HotShort, plataforma de ficção erótica e é a primeira produção da plataforma dedicada ao BDSM e também a primeira estrangeira, gravada e produzida em Barcelona. Na trama, Blue seduz um músico durante um show de rock e consegue um encontro na casa do ídolo. Por trás da timidez, porém, existe uma personalidade movida por dominação e desejo.
O roteiro nasceu da vivência do produtor Nicola Visonà, que frequenta a cena BDSM local há mais de cinco anos. “Escrevo a partir da experiência. Quis representar a realidade da maioria das sessões, que é uma vivência positiva e consensual entre adultos que consentem com entusiasmo”, conta. Os dois protagonistas vêm da mesma comunidade e foram escolhidos justamente por terem experiência e se sentirem à vontade com as práticas encenadas. A locação seguiu a mesma lógica: a casa pertence a um casal de amigos praticantes, e equipamentos como a cruz em X, conhecida como cruz de Santo André, entram em cena. “Quis que o público visse que o kink e o BDSM podem ser uma experiência positiva, e que o consentimento contínuo é sexy”, diz Nicola.
Para o ator Max, que participa da cena kink de Barcelona há quase dois anos, partir da própria realidade fez diferença em frente à câmera. “Quando você parte da sua própria realidade, seja na atuação ou na música, consegue transmitir melhor as sensações e os sentimentos. Para mim, é como unir arte e sexualidade.” Segundo ele, os bastidores foram leves: “Estávamos entre amigos e me senti completamente à vontade. Nossos principais cuidados foram com os ângulos de câmera e com a forma de mostrar as ações com mais clareza.”

