Operação em casa de jornalista provoca polêmica

Milton Alves Júnior, presidente do Sindicato dos Jornalistas, diz que sindicato acompanha o caso

Agentes da Polícia Civil apreenderam por volta das 6h20 de ontem, no bairro Jabotiana, zona Leste de Aracaju, três aparelhos eletrônicos no apartamento de uma jornalista, ex-assessora de imprensa da Secretaria de Estado da Educação e Cultura (Seduc). Expedida pela 4ª Vara Criminal, a ação de busca e apreensão protagonizada pelo Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), teve como objetivo confiscar um aparelho telefônico – modelo iPhone modelo 13 Pro Max -, um notebook e um fone de ouvido, que pertenciam ao patrimônio do estado, os quais estavam oficialmente desaparecidos desde a primeira semana de janeiro do ano passado. Este processo foi instaurado no primeiro trimestre de 2023, sob a coordenação da delegada Thereza Simony.
Em diálogo com o JORNAL DO DIA, a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), informou que, ao bater na porta da suspeita, a mesma teria atendido os agentes de forma cordial e sem apresentar nenhuma resistência para entregar os equipamentos. Este trabalho foi conduzido também pela Delegacia de Roubos e Furtos (Derof). A jornalista não foi conduzida para prestar depoimento. Após a saída dos agentes, a própria SSP emitiu nota pública relatando – sem amplos detalhes -, a operação deflagrada naquele instante. Já no final da manhã, diante de mobilizações nas redes sociais, a Pasta emitiu novo comunicado contendo mais detalhes sobre o caso que segue em sigilo e por tempo indeterminado. Destacou a nota:
“A decisão judicial nada tem a ver com a função da jornalista, mas sim está relacionada à investigação sobre o desaparecimento de equipamentos na sede da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (Seduc) entre o fim de 2022 e início de 2023. Com base em investigação técnica, profissional e com trabalho de inteligência, a Polícia Civil identificou que alguns equipamentos poderiam estar na residência da jornalista. Diante dessa informação, o Depatri solicitou mandado de busca e apreensão. A Polícia Civil reforça que a decisão judicial solicitada pelo Depatri nada tem a ver com a atuação no campo do jornalismo. A instituição reforça o comprometimento com a liberdade de imprensa, que é direito constitucional e defendida pela Polícia Civil.”
Já no final da tarde de ontem o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Sergipe (Sindijor/SE), afirmou que: “Desde o início da manhã desta quinta-feira, 25 de janeiro de 2024, está acompanhando todos os desdobramentos em torno da operação que resultou na abordagem de uma profissional do jornalismo. No decorrer das últimas horas a nossa entidade sindical buscou dialogar com a colega de profissão, mas sem sucesso até a produção desta nota. Por iniciativa da Assessoria de Comunicação da SSP, o Sindijor foi comunicado que: a) a pasta administrativa respeita a classe jornalística; b) todo o trâmite de investigação é sigiloso e respeita os Direitos Humanos; c) apresentará detalhes gerais da operação ao final das investigações; e, d) convida representantes do sindicato para conversar sobre o assunto caso seja do nosso interesse.” (Milton Alves Júnior)

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