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É SEMPRE QUITO


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Publicado em 11 de junho de 2022
Por Jornal Do Dia Se


Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

Bons tempos em que podia se recolher à zona rural, acender uma fogueira, soltar fogos sem incomodar doentes, animais e pessoas especiais. Bons tempos em que, depois de feita a brasa, assava-se milho e arrumava-se um compadre ou comadre de época junina. Bons tempos em que dançávamos com graça e alegria, sem as artificialidades de nossos dias. Bons tempos em que até mesmo o duplo sentido era arte, até porque os vigilantes do “politicamente correto” daquela época eram a moral cristã e os “bons costumes”.
E assim vivi parte de minha infância no sítio de tia Teca, no povoado Telha, interior do município de Lagarto-SE, hoje parte de sua zona urbana, mais de perto do bairro Cidade Nova, local onde se concentram os investimentos comerciais, industriais e educacionais do Grupo Maratá. Foi ali, que além de me divertir bastante com minha família ao som de Luiz Gonzaga, ríamos, sem maldade alguma, de Zenilton.
José Nilton Veras é de Afogados de Ingazeira-PE, hoje com 83 anos, nasceu no dia 14 de fevereiro de 1939, tendo feito sucesso como cantor e sanfoneiro, em especial nos anos 70 e 80. Com mais de 20 LPs e CDs publicados e hits do forró que até hoje são sucesso, até mesmo entre os mais jovens e de minha geração. Contrariando seu pai, que era dentista do Exército Brasileiro, ele escolheu mesmo é ser artista e viver de sua arte, lançando seu primeiro trabalho em 1967. Ao lado de Genival Lacerda e da sergipana Clemilda, fez escola com a chamada “canção de duplo sentido”, que até Luiz Gonzaga se valeu, recheadas de muita malícia, é bem verdade, mas de uma criatividade sem igual e típica da gente nordestina.
A primeira canção de Zenilton que eu tenho lembrança de ter ouvido, na vitrola de meu saudoso irmão José Cláudio Monteiro Santos, foi “Rio das Pedras” (1981), do álbum “O cachimbo da mulher”, cujo refrão dizia: “Abre as pedras, meu amor / É aí que o peixe esconde quando vê o pescador”; um trocadilho com “abre as pernas”. Eu tinha sete anos. Lembro até hoje da capa. A estas se seguiram inúmeras outras, tais como: “Comilho cru”; “Bicho de pé”; “Picada de muriçoca”; “O gato da Rosinha”; “Piqui”; “O pão da minha prima”; “Todo mundo lá tem culpa”; “O danado dela” e “Namoro no escuro”; só para citar algumas das mais conhecidas.
No último final de semana, alimentando uma playlist de forró, me deparei com a canção “Mudança das capitais”, de 1980, do álbum “Meu casamento”. Por incrível que pareça é uma letra inteligente e apesar do trocadilho mais ousado é uma aula de geografia e de história, apresentando algumas cidades brasileiras e internacionais que tiveram suas capitais mudadas, a exemplo de Outro Preto, que mudou para Belo Horizonte; Rio de Janeiro, para Brasília; Teresina que mudou para João Pessoa; Coimbra para Lisboa; ao contrário de Quito, capital do Equador, que nunca mudou: “(..) é sempre Quito”. Além de Sergipe, que era São Cristóvão e mudou para Aracaju, em 1855.
E por falar na capital de Sergipe, em 1986, Zenilton fez uma bela homenagem à Aracaju. Uma canção cujo refrão é “a capital do amor é Aracaju”, do álbum “Comilho cru”. Em 2008, em entrevista para o portal da Prefeitura Municipal da cidade, por ocasião do Forró Caju, lhe fizeram a seguinte pergunta: “Qual é a sua relação com a nossa capital?” No que ele respondeu, prontamente: “Essa foi uma homenagem à cidade e ao povo de Aracaju e de Sergipe, que foi o lugar onde mais divulguei meus trabalhos. Foi aqui onde tive minha maior área de atuação. Sou o artista que mais cantou aqui (risos)”.
Sem mais delongas, vou-me já, viu? Vou dar lá para as bandas de minhas memórias, fuçar os fundos das lembranças e me meter num mundo de palavras, que se bem ou mal ajustadas/usadas, criam sentidos vários que somente a arte é capa de nos proporcionar, sem necessariamente sermos ofensivos, maldosos, depravados ou desrespeitosos, como queiram.

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