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UMA LUZ NO FIM DA TELA – A MEMÓRIA DO CINEMA EM LAGARTO-SE


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Publicado em 23 de julho de 2022
Por Jornal Do Dia Se


Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

Na última quarta-feira (20), nas dependências da Secretaria de Cultura, da Juventude e Esporte, tive a grata satisfação de me reunir com o secretário da pasta, Adriano Fontes, o empresário Charles Brício e os jovens Francisco André (diretor do departamento de Esporte e Lazer), Ediclécia Santos (diretora de cultura) e Zaninho Urashima, a fim de tratarmos da memória do cinema em Lagarto-SE.
Entre os anos 60 e 80, Lagarto chegou a ter duas salas de cinema. Primeiramente, o Cine Teatro Pérola (localizado na praça da Piedade) e o Cine Glória, em dois logradouros diferente na Rua Laudelino Freire, sendo o primeiro onde hoje é uma agência do Bradesco, e o último nas proximidades do Cemitério Senhor do Bomfim. O Cine Glória também era conhecido como o cinema de Edinho, uma referência seu proprietário, o saudoso empresário e desportista Édson Dória.
Em tempo áureos e quando ainda gozava de saúde, Edinho possuía uma área que incluía o cinema e a sua residência, uma linda casa que tive a satisfação de frequentar algumas vezes na infância, em razão da amizade que nutria com seu filho, Édson Júnior. Lembro que tive o privilégio de entrar em várias sessões gratuitamente e ir à sala de projeção para admirar o maquinário.
Com seu falecimento, algum tempo depois, a propriedade foi vendida ao Grupo Brício. A casa foi demolida e no lugar funciona hoje um conglomerado comercial e entretenimento e gastronomia, com área para estacionamento. O cinema deixou de funcionar, até porque com o advento das locadoras de filmes VHS ficou muito difícil manter o negócio.
Durante a primeira gestão do prefeito Valmir Monteiro, o antigo Cine Glória se transformou no Espaço Brício, com a realização de multieventos. Embora fosse um bem particular, a prefeitura colaborava com a isenção de alguns impostos. Eu, particularmente, tive a felicidade de lançar um livro lá, em 2008: “Uma cidade em pé de guerra – Saramandaia x Bole-Bole”, por mim organizado. Além de prestigiar alguns shows, como um da dupla sergipana Chiko Queiroga e Antônio Rogério, além de participar de cerimônias de formatura.
Com a gestão de Lila Fraga, o Grupo Brício passou a ter dificuldades de manter o imóvel sem os subsídios públicos. Além disso, a família teve que dividir os bens e aquele, em particular, já não dependia mais somente da administração de Charles Brício, que, prudentemente, teve que fechar e isolar o lugar. Com o tempo, naturalmente, ele foi se deteriorando, sobretudo a parte de madeira e telhado.
Apesar disso, o Grupo Brício manteve alguns objetos do antigo cinema, como cerca de 40 cadeiras, dois projetores e um maquinário de som. Objetos esses que serão doados à Prefeitura Municipal, com seguintes contrapartidas: não vender, restaurar, proteger e expor para fins educativos e culturais. Iniciativa do empresário Charles Brício que foi comemorada não só pelos presentes, mas também pela sociedade. Entre os grandes entusiastas, o cineasta lagartense ZaninhoUrashima, que tem feito uma apurada e cuidadosa pesquisa sobre a memória do cinema em Lagarto, que em breve será contada em documentário por ele coordenado.
Quanto ao destino dos objetos citados, uma das ideias discutidas durante a visita da comissão ao antigo Cine Glória é a de que eles sejam colocados no primeiro andar da Biblioteca Municipal José Vicente de Carvalho, onde funcionaria uma sala de audiovisual, que provavelmente levará o nome de Édson Dória. Toda essa tratativa será formalizada em breve, em evento contando com a presença da prefeita Hilda Ribeiro.
Com relação ao espaço, a família ou abrirá venda ou colocará para aluguel. Particularmente, se eu fosse alguém com condições financeiras mais abastadas, compraria e o transformaria, novamente, num espaço multieventos, com pontos comerciais, a exemplo de café e lanche, área de venda de livros, realização de eventos e de atividades de entretenimento, culturais e educacionais. Fica a dica para quem pode, pois para mim resta, primeiro aplaudir a iniciativa de Charles; segundo, torcer para que tudo vingue positivamente como pensado, afinal de contas, Lagarto é mais do que merecedora.

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