No último dia de trabalho da Assembleia Legislativa antes do recesso parlamentar e da campanha eleitoral, a bancada de apoio ao governo Jackson Barreto (PMDB) conseguiu impor uma derrota significativa ao bloco da oposição – uma das primeiras após o racha da base aliada, em 2012. Por 14 a 9, o plenário da Casa aprovou os noves vetos do governador às emendas de autoria de deputados da oposição ao projeto do Proredes, pedido de empréstimo ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de US$ de 100 milhões que será aplicado na atenção básica de saúde.
A votação dos vetos foi secreta e só terminou no início da tarde, após longos debates começaram nas salas das Comissões com a apreciação de novos projetos relacionados aos servidores – os quais também foram aprovados por maioria. O resultado surpreendeu, pois os mesmos vetos haviam sido derrubados na quinta-feira passada pela Comissão Especial criada para analisar o Proredes. A sessão teve a presença de 23 deputados e a única ausência foi a do deputado Mundinho da Comase (PSL).
Os vetos foram defendidos pelo líder do governo, Francisco Gualberto (PT). Segundo ele, o projeto do Proredes tramita na Assembleia há quase 11 meses e seu conteúdo era conhecido de todos. Lembrou que as emendas não seriam aceitas pelo BID, mesmo que houvesse consenso da bancada de governo, porque a linha de financiamento do banco não contempla os pleitos contidos nas emendas vetadas. "O conteúdo das emendas é bom. Ninguém contesta isso. Mas infelizmente o banco não financia implantação de projetos. Os recursos são destinados apenas à melhoria do que já existe na rede pública", explica o petista.
A oposição lamentou a rejeição das emendas. O líder da bancada, Venâncio Fonseca (PP), disse que as emendas iriam beneficiar municípios que ficaram de fora do projeto, como Estância e Nossa Senhora da Glória, e regiões importantes, como o Sertão. Fonseca criticou também a aprovação do veto ao anexo único que apontava a destinação dos recursos. "O Ministério Público Federal e a sociedade poderiam acompanhar a aplicação dos recursos. Mas o governo vetou as emendas e o anexo. Não há argumento que me convença que é importante destinar dez milhões para materiais gráficos e nenhum recurso para um centro de drogados", critica o líder.
Já o deputado Gilmar Carvalho (SDD) disse que era injustificável deixar algumas cidades sem o benefício dos recursos do Proredes, como Glória e Estância. "Não confio na palavra do governador, que já prometeu muita coisa e não cumpriu", disse ele, sobre a informação de que as emendas seriam atendidas pelo governo em outros projetos.


