Gabriel Damásio
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Mesmo proibidas de entrar nos estádios sergipanos e obrigadas a cadastrar seus integrantes, por determinação da Justiça, as torcidas organizadas do Sergipe e do Confiança aproveitaram a noite desta segunda-feira para transformar as ruas da capital em um campo de batalha, amedrontando a população e desafiando a polícia. Durante este período, enquanto o Confiança enfrentava o Vila Nova (GO) pela Série C do Campeonato Brasileiro, 48 integrantes de torcidas dos três clubes foram detidos pela Polícia Militar em confrontos que aconteceram no entorno do Estádio Lourival Baptista e até mesmo em frente à Delegacia Plantonista, na Rua Laranjeiras (Centro).
O principal confronto aconteceu às 19h30 na Praça Tobias Barreto, no São José (zona central). Dezenas de torcedores com camisas do Sergipe e do Vila Nova (ambos têm a cor vermelha) promoviam um "arrastão", na região, agredindo os torcedores do Confiança que chegavam ao estádio. Um grupo de azulinos reagiu e os dois lados partiram para o embate, armados com paus, pedras, rojões e bombas caseiras. Várias unidades da PM, principalmente o Esquadrão de Polícia Montada (EPmon) e os batalhões de Choque (BPChq) e de Radiopatrulha (BPRp), chegaram rápido ao local e conseguiram acabar com o tumulto, chegando a usar bombas de efeito moral.
Os 37 torcedores, sendo sete do Confiança e 30 do Sergipe, foram detidos e obrigados a se ajoelhar com as mãos na cabeça ainda na praça, antes de levados para a Plantonista. Um dos envolvidos, Rafael Dantas dos Santos, acabou autuado em flagrante porque, segundo a polícia, continuou a incitar todos os torcedores a brigarem. Ele vai responder a um Termo de Ocorrência Circunstanciado (TOC) por incitação à violência, crime previsto pelo Estatuto do Torcedor.
Surpreendentemente, a confusão mais grave aconteceu depois, por volta das 23h, quando uma parte dos torcedores alvirrubros eram liberados da Delegacia: eles acabaram atacados por cerca de 10 azulinos que foram até a porta da unidade em três carros: um VW Gol e dois GM Corsa. Um dos ocupantes acendeu e disparou um rojão de 13 tiros contra a entrada da Plantonista, quase atingindo os rivais que saíam de lá. Os colorados conseguiram recuar e chamar a atenção dos policiais civis de plantão, que conseguiram ainda prender seis homens que estavam nos dois Corsas. Dentro dos carros, foram apreendidos dois rojões, uma bomba caseira e uma porção de pólvora. Os seis acusados, no entanto, Foram também autuados por incitação ao crime e liberados.
Já o autor do disparo contra a Plantonista, Marcos Campos Araújo, foi preso minutos depois na Avenida Adélia Franco, perto do Terminal do DIA, onde a PM interceptou o Gol branco, impedindo uma tentativa de fuga, e apreendeu mais três rojões dentro do carro. Marcos acabou autuado em flagrante por tentativa de homicídio, pois, segundo a polícia, admitiu ter estourado o artefato para tentar atingir Rafael Dantas, o mesmo que foi autuado por incitar os torcedores do Sergipe a continuarem brigando. Um segundo ocupante do Gol, Glenison da Silva Santos, também foi autuado pelo crime de falso testemunho, sob acusação de ter mentido em um depoimento dado na Plantonista. Outros três homens também foram detidos e liberados após prestar depoimento.
Briga marcada – De acordo com o coronel Luiz de Azevedo Costa Neto, comandante de Policiamento da Capital, este confronto entre azulinos e alvirrubros foi marcado com antecedência pelos torcedores do Sergipe, através de mensagens trocadas em grupos nas redes sociais. "Eram duas torcidas organizadas do Sergipe. Desde a manhã, logo cedo, eles já estavam se mobilizando através do WhatsApp para se encontrarem no campo do Sergipe [Estádio João Hora, no Siqueira Campos] e de lá irem caminhando para o Batistão, fazendo arrastões. A Polícia Militar tomou conhecimento e montou um efetivo para acompanhar esse deslocamento. Ao chegarem na Praça, eles se confrontaram com os torcedores do Confiança e provocaram a briga generalizada, mas a PM já estava precavida", informou Luiz.
A PM confirma também que alguns torcedores azulinos teriam igualmente combinado o ataque aos rivais por meio da internet e dos aplicativos. O coronel assegura que estes contatos estão sendo monitorados pelo Serviço Reservado da PM (PM-2) e também pela Polícia Civil. "Estas ditas torcidas organizadas têm nos seus quadros alguns indivíduos que são de tudo, menos torcedores. É necessário que todos os poderes públicos tomem as medidas necessárias, porque é inadmissível que a família sergipana vá para um campo de futebol e tenha sua vida posta em risco por esses indivíduos. A Polícia Militar não está inerte a esse tipo de fato", garantiu Azevedo.
O coronel ainda defendeu que seja cumprida a liminar conseguida na semana passada pelo Ministério Público Estadual (MPE), a qual obriga as torcidas organizadas Trovão Azul, Torcida Jovem do Confiança, Esquadrão Colorado, Rubro Chopp e Sergipe Chopp a suspenderem suas atividades e não frequentarem os estádios, até que seja apresentado um cadastro detalhado de todos os seus respectivos integrantes. Elas também têm que entregar um Estatuto Social atualizado e registrado em cartório; Ata de Eleição e posse da diretoria e comprovante de localização da sede. Para as autoridades, esta medida vai facilitar o controle dos membros das torcidas e responsabilizar as entidades por crimes e danos praticados.


