Cândida Oliveira
Mais 53 operários da construção civil deram entrada ontem, 12, no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) com suspeita de intoxicação alimentar. Na última terça-feira 150 pessoas apresentaram o mesmo problema. Todos são funcionários de seis construtoras sergipanas, Celi, FFB, Nassal, Serrana, MRV e União Engenharia e passaram mal após receber o almoço de uma mesma empresa, na segunda-feira, dia 10.
A empresa que fornece as marmitas foi interditada pela Vigilância Sanitária de Aracaju. O coordenador Ávio Brito esteve no local, inspecionou a empresa e constatou que a mesma não possui licença sanitária, nem estrutura para funcionar. "O local está desorganizado, não tem licença e foram apreendidas muitas panelas em estado ruim de conservação", relatou. A Vigilância deu um prazo para a empresa se adequar às condições sanitárias exigidas por lei. Por enquanto, ela não poderá fornecer alimento. "24 horas para algumas exigências, 48 horas para outras e 30 dias para se adequar totalmente, senão o estabelecimento será fechado", garantiu.
O
advogado da empresa de alimentação, José Alves Santana de Oliveira, contou que alimentos e água foram enviados a um laboratório para análise. "Dessa forma, será possível identificar se o problema teve origem na alimentação". Ele afirmou ainda que a empresa possui licença sanitária. "A empresa possui inscrição estadual e inscrição municipal, esses documentos só são obtidos por meio do alvará, e neste alvará todos os órgãos responsáveis dão a ciência e o atestado de que a empresa pode funcionar, logo o alvará só é emitido após a vigilância sanitária fazer a liberação".
O fato foi desmentido por Ávio Brito. "Em reunião que aconteceu hoje (ontem), o advogado não comprovou que tem a licença para funcionar, pois não apresentou documentos. Quando a empresa não tem licença sanitária, para a Vigilância ela é clandestina". Ele ainda alertou para a responsabilidade das construtoras no caso. "Quero deixar um alerta para dizer que as empresas que contratam a empresa de alimento são co-responsáveis, porque uma empresa quando contrata outra deve ter conhecimento se há registro sanitário, se não há, a empresa é clandestina, ou seja, ela não foi inspecionada, não tem responsável técnico, que é o nutricionista".
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Terraplanagem (Sintracon), Raimundo Luiz Reis, já está acionando a justiça para tratar do assunto. "Formalizamos a denúncia no Ministério Público e hoje vamos ao Huse solicitar o laudo do diagnóstico. Também entramos com ação judicial contra as construtoras".
A diretora técnica do Huse, Lycia Diniz, disse que a Vigilância Epidemiológica está colhendo material para descobrir o diagnóstico, no entanto, há indícios de que seja intoxicação alimentar. A assessoria de comunicação do Huse garantiu que não há mais pacientes no hospital. "Todos receberam hidratação e medicamentos para dor e os casos mais graves receberam antibiótico, porém, todos já foram liberados", disse Katiane Menezes.
O Sindicato da Indústria da Construção Civil de Sergipe (Sinduscon/SE), por meio da assessoria de comunicação, disse que irá se pronunciar sobre o caso.


