Paciência também tem limite

A duplicação da BR 101 ainda vai dar muito pano pra manga. Ninguém questiona a necessidade da obra, mas a morosidade com que as máquinas se arrastam desde o início da empreitada, a despeito de todos os aborrecimentos impostos aos moradores de cidades e povoados localizados às margens da rodovia, depõe contra a urgência e alcance dos benefícios.

Ontem, foram os moradores de Itaporanga D´Ajuda, a 29 km de Aracaju, que tocaram o terror para lembrar aos manda chuvas do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) que paciência também tem limite. Eles impediram o trânsito de veículos na altura do Km 113 por mais de uma hora, para reivindicar uma rotatória como alternativa de acesso à cidade.

Os prejuízos não param por aí. Na realidade, as dificuldades dos rebelados de Itaporanga são café pequeno quando comparadas aos cadáveres que tombam nos acostamentos da BR, por obra e graça da demora da duplicação. A preservação de vidas está diretamente envolvida na pressa dos que manifestam preocupação com o atraso das obras, que já se arrasta há um bom par de anos (a duplicação do trecho sergipano começou em julho de 2010). De acordo com informação da Polícia Rodoviária Federal, mesmo os acidentes de pequena proporção, frequentes nos trechos em que são desenvolvidas as obras de duplicação, causam muitos transtornos.

Considerada uma obra histórica pelo Governo do Estado, que vislumbra uma revolução sem precedentes na região Sul do Estado de Sergipe – aliado à construção da ponte Gilberto Amado, o investimento pretende interligar todo o litoral sul sergipano, facilitando o acesso para os visitantes, sobretudo os oriundos do estado vizinho da Bahia -, a duplicação da BR 101 não precisa ser lembrada por tantos incômodos.

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