O panetone, muito consumido no período natalino, será um dos principais responsáveis pela elevação das vendas nas panificações sergipanas. O presidente do Sindicato dos Panificadores de Sergipe, Antônio Carlos Araújo, acredita que o setor deve vender em dezembro 20% a mais na comparação com outubro e novembro. Nesta entrevista, ele também fala sobre a concorrência dos supermercados e revela que mais de 80% dos estabelecimentos da grande Aracaju já substituíram a madeira pelo gás ou a energia elétrica.
JORNAL DO DIA – As panificações esperam elevar em que percentual as vendas por conta das festas de final de ano?
ANTÔNIO CARLOS – Esperamos um crescimento das vendas entre 10% a 20%. Isso ocorre devido às férias, que atraem muitos turistas, e porque as panificações produzem panetone, que é muito vendido nesta época. Algumas já produzem o panetone em escala industrial para vender às empresas e até para outras padarias, que preferem comprar o produto pronto a ter que produzi-lo.
JD – O panetone produzido no estado é mais barato do que o chega de outros estados no mercado sergipano?
AC – Com certeza. Além de ser mais barato, o panetone produzido pelas panificações locais é bem mais novo. Para se ter uma idéia, o mesmo produto comercializado pelos supermercados foi feito há dois ou três meses, enquanto a nossa produção é consumida em no máximo 20 dias. A panificação que está produzindo em escala industrial faz remessas de panetone a cada 15 dias para abastecer o comércio local. Portanto, além de ser mais barato, o produto sergipano é de excelente qualidade e bem mais fresco do que o importado de outros estados.
JD – Com a elevação das vendas neste período do ano também cresce o número de empregos nas panificações?
AC – Naturalmente. A nossa previsão é que as contratações cresçam em torno de 20% agora no final do ano. Os empresários, inclusive, estão procurando para contratar de imediato balconistas, padeiros e outros profissionais para atender ao crescimento da demanda. Aliás, a procura de mão-de-obra qualificada ocorreu durante todo o ano no estado. Maior exemplo de que o mercado está aquecido é a grande procura pelos cursos de panificação oferecidos por nossa escola de panificação móvel e pelo Senai em Aracaju.
JD – Então 2012 foi um bom ano para o setor de panificação, é isso?
AC – O setor não tem muito que se queixar. Tivemos um bom ano, até porque o preço da farinha de trigo ficou estabilizado nos primeiros meses do ano. A partir de junho registramos aumentos consideráveis, mas em outubro a situação se normalizou. Isso tem sido bom para os panificadores, como também para a população, pois o preço do pão não será elevado até o final deste ano.
JD – O preço do pão foi reajustado quantas vezes agora em 2012?
AC – Somente uma, no início de outubro. Houve uma majoração entre 10% a 15%, isso porque o pão tem o preço liberado, e umas panificações aumentam mais do que outras, a depender dos custos e da concorrência. Por conta disso as pessoas reclamam que uma padaria está vendendo mais caro do que outra, mas o Sindicato não pode fazer nada porque o preço do produto é liberado, fica a critério de cada empresário. Tem estabelecimento na periferia que vende mais barato porque seus custos são menores do que aqueles localizados nas áreas mais nobre da cidade.
JD – Até que ponto a concorrência dos supermercados afeta as panificações?
AC – Os supermercados são responsáveis por mais de 30% da produção de pães e bolos. Isso acontece porque eles oferecem uma grande variedade de produtos e os clientes aproveitam para também comprar o pão. O que digo sempre para os empresários é que eles também precisam diversificar seus negócios para atrair mais clientes, inclusive aqueles dos supermercados. Num país de livre iniciativa como o nosso, a criatividade é muito importante. Hoje nós temos panificações que, além de pão, oferecem lanches, café da manhã, almoço, bebidas variadas e uma série de outros produtos.
JD – Quando as panificações, principalmente do interior, vão trocar a madeira pelo gás e a energia elétrica?
AC – Atualmente, 80% a 90% das panificações já substituíram a lenha pelo gás e a energia elétrica. No interior a situação é diferente, embora nas cidades maiores já esteja havendo a substituição da lenha. Apesar de mais barata que o gás e a energia, a lenha precisa ser certificada, ocupa muito espaço, atrai insetos e roedores e o estabelecimento é obrigado a utilizar filtro para reduzir a poluição. Por causa disso e graças ao trabalho de conscientização que tem sido feito nos últimos anos, 80% das panificações de Itabaiana já trocaram a lenha pelo gás ou pela energia elétrica. Acredito que paulatinamente isso vai acontecer em todo o interior sergipano, principalmente devido ao apoio que temos recebido da Administração Estadual do Meio Ambiente e do Banco do Estado de Sergipe, na parte de financiamento.
JD – Tem crescido o número de panificações em Sergipe?
AC – Não muito. Em todo o estado foram implantadas neste ano apenas 12 novos estabelecimentos do ramo. Hoje temos em Sergipe cerca de 900, sendo que 450 delas estão localizadas na grande Aracaju e todas geram em torno de 10 mil empregos mil diretos.


