Domingo, 23 De Junho De 2024
       
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Para todos


Publicado em 01 de julho de 2023
Por Jornal Do Dia Se


Força redentora.

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
 
Quando Mestrinho sobe ao palco, concilia com a sua simples presença todas as contradições argumentando contra os grandes eventos realizados na terrinha. Intelectuais e povão finalmente concordam, rendidos pela sanfona, felizes da vida, como num passe de mágica.
Momento raro, em festejos marcados por hiatos de sensibilidade. Governantes nos camarotes, entre asseclas e convivas. Governados com os pés na lama, dissolvidos em populacho. 
Não bastasse a estrutura própria de uma sociedade desigual, regida pela força da grana, há ainda os reflexos percebidos na programação. No palco principal, com as exceções de praxe, a representação mais rasa do gosto popular. Os verdadeiros artistas do povo se apresentam em um espaço menor, quando o há, com estrutura modesta, em horários ingratos, de algum modo colocados à parte.
O São João já foi mais diverso e atencioso com os valores da gente nordestina. Nos últimos anos, os intervalos de respiro e renovação ficaram cada vez mais estreitos, até restarem sufocados.
Não se pretende cometer aqui o pecado de falar pelos outros, arbitrando o que pode e o que não pode, apontar o bom, o mal e o feio, para lembrar o filme de Sergio Leone. Por trás do sucesso comercial de artistas da estirpe da banda Calcinha Preta, entretanto, há razões muito evidentes, de cunho estritamente financeiro, e nenhuma força redentora, nenhum lastro musical.
“A alegria tem cheiro de suor”, segundo um achado espantoso do jornalista Reinaldo Azevedo. E os donos do mundo não perdem oportunidade de capitalizar em cima da euforia de quem seja. Indiferente à esperteza de uns e outros, geral rebola. No fim das contas, o povão bem sabe por quem dança e chora.
 
Santo de casa – O virtuosismo de Cobra Verde, o amor roxo de Joésia Ramos e a energia descontraída da banda naurÊa provam aos mais desconfiados: em se tratando de forró, o santo da casa Serigy é bem bom de milagre, sim senhor. Foi somente com o fole do sanfoneiro Mestrinho, contudo, que a excelência dos nossos transcendeu as afinidades eletivas para, finalmente, ganhar o merecido status de verdade no mercado. 
Está no sangue. Nascido em Itabaiana, Mestrinho é herdeiro de longeva dinastia, neto do tocador de oito baixos Manezinho, filho do sanfoneiro Erivaldo de Carira. Com a música inscrita no próprio DNA, tão presente em sua vida, Mestrinho começou a tocar sanfona ainda menino, aos seis anos, quando mal podia com o instrumento. 
Desde pequeno foi influenciado pela música de Dominguinhos, Sivuca, Oswaldinho do Acordeon, Hermeto Pascoal, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Elba Ramalho, entre outros. Mal sabia que logo seria aceito como um igual entre os gigantes.
Mestrinho acompanhou Dominguinhos em diversos shows pelo Brasil, inclusive participando da última apresentação em Exu (PE), cidade natal de Luiz Gonzaga; trabalhou com Elba Ramalho por três anos, com participação no CD ‘Vambora lá dançar’, quando se apresentou em turnês nacionais e internacionais (Alemanha). Com Gilberto Gil fez turnês em festivais de jazz na Europa, Israel e Uruguai, e participou do lançamento do álbum ‘Gilbertos Samba’. E por aí vai. 
Mestrinho tem ainda entre os próprios feitos o lançamento de um disco solo, intitulado ‘Opinião’ (2014). Além da participação de Gilberto Gil na faixa ‘Superar’, de autoria do próprio Mestrinho, há ainda a participação de sua irmã, Thais Nogueira, na faixa ‘Arte de quem se ama’, do compositor Elton Moraes. Uma estreia feliz, sinalizando a sucessão de sucessos, pavimentando o caminho do bom filho pelos palcos mais altos da aldeia.
O sanfoneiro gravou também um segundo álbum autoral, mais recente, menos inspirado. Mas isso é tema para outros arpejos.
 

Forró Caju 2023 chega ao fim em noite de São Pedro

A noite desta quinta-feira (29), foi marcada pelo clima de despedida do Forró Caju 2023, evento que ao longo dos últimos sete dias recebeu milhares de pessoas na praça Hilton Lopes, entre os mercados centrais. O público se emocionou com cada show e já está ansioso pela edição do próximo ano.
Nesta noite de São Pedro, os shows foram marcados por muita emoção para o público formado por aracajuanos e turistas que aproveitaram a maior festa junina do estado, promovida pela Prefeitura de Aracaju. Na programação, o que não faltou foram artistas sergipanos e nacionais, começando com a apresentação de Erivaldo de Carira, seguida da banda Fogo na Saia, Luan Estilizado, Adelmario Coelho e Mari Fernandez.
A grande festa junina dos aracajuanos, programada para todos os tipos de público, teve a última noite de programação aberta pelo cantor e sanfoneiro sergipano Erivaldo de Carira, que puxou o fole e abriu e iniciou as apresentações sem deixar ninguém ficar parado. Ao som da sanfona e muita música nordestina, ele animou os forrozeiros de plantão com sucessos como “Fazenda Velha”, música que o acompanha desde 1984, e é a mais pedida em seus shows.
“O Forró Caju é muito importante para os artistas sergipanos, é uma grande vitrine, uma das melhores festas do ano em Aracaju. Não tem coisa melhor para a gente dançar e se divertir. É um evento em que a gente faz o autêntico forró, que a gente dança agarradinho, batendo coração com coração”, disse.
Fogo na Saia, a banda comandada pelo casal Nanda Kaprity e Xande Melo, foi a segunda a subir no palco Luiz Gonzaga. Com um repertório romântico, a banda embalou os corações dos forrozeiros mais apaixonados. Os cantores, que já estiveram no Forró Caju por cerca de 15 edições, dizem que se sentem em casa.
“O Forró Caju marca os festejos juninos do nosso estado, então para uma banda genuinamente sergipana é prazeroso subir nesse palco principal, levar o nosso amor, cantar as nossas músicas, pois o povo quer dançar forró”, disse Nanda Kaprity. Para o vocalista Xande Melo, apresentar-se no evento é sempre um desafio. “A cada ano que a gente toca no Forró Caju, já começa o desafio do próximo ano, porque é um evento em que todo mundo quer estar. Os artistas do Brasil inteiro do meio forrozeiro querem participar”, declarou.
O paraibano Luan Estilizado foi a terceira atração da noite desta quinta-feira, abrilhantando a festa com muito forró. O cantor assumiu o palco principal do Forró Caju e garantiu uma noite inesquecível para os fãs, com músicas novas e sucessos do São João, como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, além do forró de vaquejada.
“O Forró Caju é muito especial para mim, já faz parte do meu calendário e do brasileiro. Estamos encerrando os festejos juninos aqui em Sergipe e eu sou muito feliz e grato a todos vocês. Agradeço ao prefeito Edvaldo Nogueira pela confiança e pelo convite mais uma vez. Preparamos um repertório muito especial e esperamos que todos curtam bastante, com músicas que estão nas paradas de sucesso. A gente fica muito feliz em participar de um evento tão grandioso como esse. E o carinho do povo sergipano por mim faz com que me senta em casa”, afirmou.
O cantor baiano Adelmário Coelho, uma das atrações mais esperadas e que sempre atrai um grande público, levantou o público com músicas já bem conhecidas do seu repertório, como “Não fale mal do meu país” e “Namorada Preferida”.

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