Parecer de Rogério a favor do governo Mitidieri reabre discussão sobre novo acordo

O maior embate do PT em 2026 se dará internamente entre Rogério e Márcio, que pretendem disputar o Senado nas próximas eleições. Pelas normas do partido, o primeiro tem direito a tentar a reeleição, enquanto o ministro já está em campanha

Um parecer favorável do senador Rogério Carvalho (PT) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) a pedido de empréstimo do governo Fábio Mitidieri (PSD) no valor de US$ 53,6 milhões junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), com garantia da União, suscitou uma série de comentários a respeito de um possível acordo entre o PT e o governador para as eleições de 2026. Os recursos vão financiar o programa Sergipe Digital, Conectado e Sustentável (Conecta-se), que busca ampliar o acesso à internet, modernizar serviços públicos e incentivar soluções de energia limpa.
Para Rogério Carvalho, o projeto tem potencial para transformar a infraestrutura tecnológica do estado e aproximar a população do governo. O programa prevê a implantação de um anel digital de alta capacidade no interior, a criação de plataformas digitais integradas para serviços públicos e o desenvolvimento de sistemas de energia de baixo carbono.
Rogério se baseou em parecer favorável da Secretaria do Tesouro Nacional que entende que Sergipe atende às exigências legais para contrair o empréstimo, como a observância dos limites de endividamento e de gastos com saúde e educação. Já a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional validou a legalidade do contrato, com a imposição de condições como a comprovação da adimplência do estado e a assinatura de contrato de contragarantia com a União.
O parecer do senador foi técnico, mas às vésperas de ano eleitoral qualquer gesto insinua a possibilidade de um acordo político. No PT sergipano, Rogério é, por enquanto, a única resistência a uma aproximação com o governador.
No final de março, enquanto o ministro da Secretaria-geral da Presidência, Márcio Macêdo, acompanhava o colega da Casa Civil, Ruy Costa, durante visita ao governador Fábio Mitidieri em Aracaju para anunciar obras do PAC-2, em Brasília, Rogério participava da cerimônia de entrega de dezenas de ambulâncias do Ministério da Saúde para municípios brasileiros. Márcio e Rogério são adversários internos no PT sergipano.
Nos últimos meses, Márcio e Rogério têm feito aparições juntos em atos do governo federal no estado, mas as divergências aumentaram a partir do momento em que o ministro indicou o ex-deputado Valadares Filho, que foi chefe da assessoria especial de assuntos parlamentares e federativos da Secretaria-Geral da Presidência da República, para a Secretaria da Cultura do governo Mitidieri. Não que o senador descarte a possibilidade de apoiar o atual governador em 2026, a partir do momento em que anunciou sua candidatura à reeleição desistindo da disputa ao governo.
Para quem não lembra, em 2022 os dois travaram uma acirrada disputa para o governo. O petista ganhou no primeiro turno, mas acabou derrotado na etapa final numa eleição em que o uso das máquinas da Prefeitura de Aracaju (Edvaldo Nogueira) e do governo do estado (Belivaldo Chagas) foi decisivo para a vitória do atual governador.
No mesmo período, uma manifestação do prefeito de Lagarto, Sérgio Reis (PSD), em apoio à reeleição de Rogério reforçou ainda mais a possibilidade de um novo acordão envolvendo também o PT. Isso porque o prefeito é um dos mais ligados a Mitidieri, de quem foi líder na Assembleia Legislativa nos primeiros dois anos de mandato como deputado. O próprio governador admite essa possibilidade, mesmo reconhecendo muitas diferenças com o senador.
A possibilidade de o PT marchar com Mitidieri em 2026, no entanto, vai de encontro a resolução política do Diretório Estadual do PT aprovada, por unanimidade, pela Comissão Executiva e o Diretório Estadual do Partido no encontro realizado no dia 14 de dezembro de 2024. O documento mostra a necessidade da busca da retomada da unidade interna, para que o partido retome “o seu papel como protagonista da luta social, articulando os diversos movimentos populares presentes na sociedade e fazendo a defesa de suas pautas”.
Hoje controlado por Rogério e o deputado federal João Daniel, o PT sergipano defende uma postura de oposição ao governo Fábio Mitidieri (PSD) e a administração de Emília Correia (PL) na Prefeitura de Aracaju. Além da reeleição do presidente Lula, o partido faz questão de alertar para a linha política: “Todas as candidaturas do PT de Sergipe em 2026 serão de combate aos projetos neoliberais e da extrema direita”.
O maior embate do PT, no entanto, se dará internamente entre Rogério e Márcio, que pretendem disputar o Senado nas próximas eleições. Pelas normas do partido, o primeiro tem direito a tentar a reeleição, enquanto o ministro já está em campanha. São duas vagas em disputa, mas é improvável que qualquer partido venha a apresentar duas candidaturas.
Pintura sobre tela de Igor Christian

Novo caso de pneumonia

O governador Fábio Mitidieri (PSD) anunciou pelas redes sociais, na segunda-feira (25), ter sido diagnosticado com pneumonia. “Já iniciei o tratamento e espero me recuperar em breve. Por uma semana, trabalharei de casa e vou seguir as recomendações médicas. Logo, logo, se Deus quiser, estou de volta. Agradeço e tranquilizo a todos”, escreveu Mitidieri no Instagram.
No final do ano passado, ele se sentiu mal após ter cumprido agendas oficiais em Brasília e no Rio de Janeiro. Ao retornar a Aracaju, Mitidieri foi ao médico e um exame constatou a enfermidade. Antes mesmo de se recuperar, o governador apareceu na TV assistindo ao jogo do Botafogo na final da Copa Libertadores da América, realizado na Argentina. Ele estava licenciado para tratamento de saúde.
Somente depois que a confusão veio a público por conta da ampla divulgação nas redes sociais e na mídia nacional, é que o próprio governador teve que explicar que, na verdade, já estava curado da pneumonia e que viajou por conta de uma licença de 30 dias para interesses particulares, que havia sido aprovada dias antes pela Assembleia Legislativa.
A repetição da doença em período tão curto lança dúvidas sobre a possibilidade de o governador vir mesmo a disputar a reeleição no próximo ano.

Disputa pelo Senado

O PSOL de Sergipe, através do seu Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), definiu que terá candidatura própria ao Senado. E o pré-candidato do partido será o professor Iran Barbosa.
Vereador por Aracaju em seu quarto mandato, ex-deputado estadual e ex-deputado federal, Iran foi o nome de consenso do partido para fortalecer a bancada federal de esquerda no Senado.
Além da prioridade de disputar uma das vagas ao Senado com Iran Barbosa, a Resolução do PSOL também definiu que é prioridade buscar construir uma chapa unitária da esquerda para disputar os rumos de Sergipe; construir uma chapa de Deputados/as Federais para superação da cláusula de barreira; e montar uma chapa para a disputa da Alese que garanta a reeleição da deputada Linda Brasil e possibilite uma ampliação de representantes do PSOL/REDE.

Desvio de emendas

O suplente de deputado federal Bosco Costa (PL) negou envolvimento no esquema de cobrança de propina sobre emendas parlamentares e afirmaram ser vítimas de acusações falsas baseadas em provas frágeis. A negativa ocorreu durante interrogatório ocorrido, na quinta-feira (28), no Supremo Tribunal Federal (STF). Processado pelo mesmo motivo, o deputado federal Pastor Gil (PL-MA) também se disse inocente.
O deputado Josimar Maranhãozinho (PL-MA), também réu no Supremo e acusado de liderar o esquema, optou por usar o direito constitucional ao silêncio e não respondeu a nenhuma das perguntas. Os três parlamentares respondem a processo por corrupção passiva e organização criminosa e, segundo a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), teriam exigido R$ 1,66 milhão ao então prefeito de São José do Ribamar (MA) para enviar uma emenda de quase R$ 7 milhões ao município.
Bosco Costa negou as acusações, mas confirmou que Josimar havia lhe transferido R$ 75 mil ao todo. De acordo com Costa, ele enviou R$ 40 mil para a sua mulher, R$ 10 mil para seu filho Thalles, que também foi denunciado pela PGR, e mais R$ 25 mil para a sua mulher. O ex-deputado declarou não saber a origem dos valores.

Tentativa de golpe

Terminou na quarta-feira (27) o prazo para credenciamento de veículos de comunicação para a cobertura do julgamento dos oito réus do “Núcleo 1” da Ação Penal (AP) 2668, que apura tentativa de golpe de Estado.
Ao todo, foram cadastrados 501 profissionais de imprensa do Brasil e de outros países. Essas pessoas poderão acessar as dependências do Supremo Tribunal Federal (STF) nos cinco dias de julgamento, que começa na terça-feira (2), às 9 horas.
O Núcleo 1 é composto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência), Almir Garnier Santos (almirante e ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Mauro Cid (tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Paulo Sérgio Nogueira (general e ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (general da reserva e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).
O grupo responde por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e privacidade de patrimônio tombado.

PEC da Blindagem

A chamada PEC da Blindagem, que busca restringir a atuação do Judiciário sobre deputados e senadores, perdeu força na Câmara. Na quinta-feira, o MDB anunciou posição contrária ao texto, enquanto o PL, partido com a maior bancada da Câmara, declarou que a proposta não será mais tratada como prioridade. Esses partidos eram os principais pilares de sustentação da proposta.
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