No primeiro turno, Lula obteve em Sergipe 62,75% dos votos contra 30,63% de Bolsonaro, repetindo praticamente o mesmo percentual dos demais estados nordestinos
A reeleição do governador Fábio Mitidieri (PSD) no primeiro turno já era prevista pela maioria, inclusive pela coluna, conforme comentário no último dia três, véspera do pleito. Dois fatores levavam a essas previsões: a ampla aliança firmada pelo vencedor e a falta de propostas do adversário, o ex-prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho (Republicanos).
O bloco governista garantiu ainda uma folgada maioria do presidente Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL), a reeleição dos senadores Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB), além da eleição de sete dos oito deputados federais e 21 dos 24 deputados estaduais.
O choque provocado no ano passado quando Rogério levou o PT a uma aliança com o PDS de Mitidieri foi superado pelos resultados eleitorais na semana passada. Acabou sendo bom para os dois lados: o governador venceu no primeiro turno e o PT manteve a sua mesma representação, tendo o senador mais votado da história. “Foi bom para Sergipe”, entende o senador.
Mitidieri ganhou no 1º turno com uma diferença de 267.383 votos para Valmir ao obter nas urnas 727.291 votos (59,27%) e o seu adversário 459.908 (37,48%). Votação superior a 2022 quando disputou o 2º turno das eleições com Rogério Carvalho (PT) e cravou 623.851 (51,70%).
Fábio Mitidieri foi o segundo governador de Sergipe a ganhar eleição no 1º turno. O primeiro foi Jackson Barreto em 2014, quando ganhou para Eduardo Amorim ao obter nas urnas 529.130 votos (54%).
Passada a festa da vitória, chegou a hora da mobilização para o segundo turno da disputa presidencial, a ser realizado no próximo dia 25. O governador percebeu o momento e na quinta-feira (8) já reuniu prefeitos e lideranças políticas de todo o estado para definir como será a campanha a favor da reeleição de Lula na reta final. No primeiro turno, Lula obteve 62,75% dos votos contra 30,63% de Bolsonaro, repetindo praticamente o mesmo percentual dos demais estados nordestinos.
Ao lado do senador reeleito Rogério Carvalho (PT) e do vice eleito Jeferson Andrade (PSD), o governador destacou que Sergipe, o Nordeste e o Brasil não podem perder os avanços conquistados nos últimos anos, especialmente nas políticas sociais, nos programas de desenvolvimento e nos investimentos que têm beneficiado a população.
Declarou que a continuidade dessas políticas é fundamental para garantir novas oportunidades, geração de emprego, redução das desigualdades e desenvolvimento econômico e social. Ressaltou a importância da parceria com o Governo Federal para a realização de obras e a ampliação de programas que chegam diretamente à vida dos sergipanos.
A primeira-dama e secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania, Érica Mitidieri, também destacou a importância das políticas sociais do Governo Federal para a população mais vulnerável. Citou programas voltados à habitação, à segurança alimentar e ao combate à fome, ressaltando que muitas das ações desenvolvidas em Sergipe são viabilizadas pelas políticas públicas e pelas parcerias estabelecidas com o governo do presidente Lula.
Érica enfatizou que os investimentos federais permitem ampliar o alcance das ações sociais, garantindo alimentação, moradia digna e melhores condições de vida para milhares de famílias sergipanas.
Mitidieri promete ações diárias a favor da reeleição de Lula, enquanto o PT já tem marcado ato na tarde de domingo (11) na Passarela do Caranguejo (Praia de Atalaia). Ontem, os partidos que apoiam a reeleição de Lula realizaram uma plenária para definir como será a campanha no estado. Um dos objetivos é reduzir a elevada abstenção do primeiro turno, que ficou em 17,30% – dos 1,7 milhão de eleitores aptos a votar, 301.053 deixaram de ir às urnas.
Sergipe tem que continuar mobilizado para garantir a continuidade democrática e evitar uma nova aventura bolsonarista.
Pintura sobre tela do artista Eurico LuizLinda Brasil
A deputada estadual Linda Brasil (PSOL) concorreu à reeleição sub judice por conta do problema partidário do Rede, que está na Federação com o Psol. Foi a terceira mais votada com 44.384 mil votos e aguarda decisão do recurso para validação dos seus votos.
Declarou estar feliz com os sergipanos que foram às urnas para reconduzi-la à Assembleia Legislativa e confiante de que conquistará no Tribunal Superior Eleitoral o direito de assumir o próximo mandato.
Policiais na eleição
Em Sergipe oito delegados de polícia disputaram as eleições. Concorreram ao Senado: Alessandro Vieira (MDB-399.775 votos) e André David (Republicanos- 378.710); a Câmara Federal: Katarina Feitosa (PSD-71.592), Mário Leony (Psol-6.591) e Augusto César (PL-1.404); Assembleia Legislativa: Danielle Garcia (MDB-14.115), Clever Farias (PSB-2.047) e Marcelo Paes (PL-736). Eleitos apenas Alessandro e Katarina.
Os militares que disputaram Senado: Coronel Rocha (PL-40.372); Câmara Federal: Capitão Samuel (União-66.342), Coronel Mano (Avante-2.280), Cabo Didi (Avante-1.285), Sargento Vieira (PL-2.610) e Major Jailson (MDB-1.196); Assembleia: Coronel Ribeiro (PSD-27.711), Coronel Fábio (PL-1.963), Sargento M.Filho (Republicanos-1.810), Tenente Coronel Manuela (Avante-817), Coronel Pontual (PL-789), Sargento Alex Lima (Avante-315), Sargento Naldinho (PP-259) e Coronel Lino (Avante-362). Foram eleitos Capitão Samuel e Coronel Ribeiro.
Os números foram levantados pelo blog de Rita Oliveira.
Tiro em manifestação
Um homem armado efetuou um disparo para cima durante um protesto em apoio à reeleição do presidente Lula em frente à Universidade Federal de Sergipe (UFS), em Aracaju, na noite de quinta-feira (9). O ato havia sido convocado por estudantes e pela comunidade acadêmica da universidade.
Por volta das 20h45, um carro modelo Fiat Siena parou no semáforo próximo ao local da manifestação. Um homem desceu do veículo armado, xingou os manifestantes e atirou para cima.
O agressor foi identificado pela SSP como o sargento da Polícia Militar de Sergipe Manoel Messias dos Santos. A arma de fogo já foi recolhida, e o policial será afastado das atividades de rua. O secretário de Estado da Segurança Pública, João Eloy, determinou que a Corregedoria da Polícia Militar adote imediatamente as providências administrativas cabíveis.
Comando do PL
Por decisão do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o deputado estadual Luizão Dona Trumpi assumiu a presidência estadual do partido em Sergipe até 2028 e Ricardo Marques segue como vice-presidente da legenda. O secretário é César Cardoso.
Segundo Ricardo, essa decisão da direção nacional tem o objetivo de organização, unidade e direcionamento ao partido neste momento. “Continuo na vice-presidência estadual contribuindo com responsabilidade, diálogo e trabalho para que tudo aconteça da melhor forma possível”, afirmou.
Ressalta que a reorganização busca alinhar as atividades do PL em Sergipe às diretrizes nacionais da legenda durante o segundo turno das eleições presidenciais que tem na disputa Flávio Bolsonaro.
Com isso, Rodrigo Valadares, que implodiu o partido nas eleições em Sergipe, não responde mais pelo comando do PL no Estado. Ele, inclusive, viajou logo após as eleições quando o partido não elegeu senador e nenhum deputado federal, inclusive sua esposa Moana Valadares e o próprio Luizão.
Fim da escala 6×1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar Flávio Bolsonaro pelo apoio ao fim da escala 6×1. “Ô Flávio, ontem eu lhe cobrei: vai ou não vai votar o fim da escala 6×1? Vamos ou não vamos garantir ao povo trabalhador ficar dois dias em casa e trabalhar cinco dias sem redução de salário?”, perguntou Lula em um vídeo no Instagram na quinta-feira (8).
“Bota a sua bancada pra votar, cara! Pare de inventar lorota! Coloque pra votar e vamos dar ao povo brasileiro o dirito de descansar e ter uma jornada de trabalho civilizada!”, cobrou o presidente.
O Senado encerrou também na quinta a terceira sessão de discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição. Ainda haverá na próxima semana duas sessões de discussão para que o texto seja votado em seguida. Se aprovado, haverá mais três sessões de discussão antes da votação em segundo turno. Contudo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse que se houver algum requerimento para acelerar a tramitação, a PEC será submetida direto para a votação no plenário.
Durante o debate, o senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu a aprovação: “Não podemos aceitar jornadas que afastem pais, mães, filhos, netos e bisnetos. Não podemos aceitar que o trabalhador chegue à aposentadoria doente, cansado, sem forças para aproveitar a vida”.
“O trabalhador pensa na sua família, nos filhos, na saúde, na aposentadoria; pensa em ter um trabalho que lhe dê dignidade e em envelhecer com qualidade. E é justamente aí que entra a nossa luta pela redução da jornada”, afirmou. O senador citou ainda a expectativa de que o fim da escala 6×1 produza em torno de 4 milhões de empregos no país.
Flávio e aposentadorias
De 2019 a 2022, anos do mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ficou suspensa a Política de Valorização do Salário Mínimo, em que as correções do piso nacional, as aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) eram feitas pelo índice da inflação oficial mais o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.
Hoje seu filho, Flávio Bolsonaro (PL)-RJ), candidato à presidência da República pelo PL, segue os passos do pai na missão de empobrecer ainda mais os aposentados e pensionistas do INSS e os beneficiários do BPC que recebem até um salário mínimo (R$ 1.620). A ideia defendida por Flávio e seus aliados é a de desvincular os reajustes das aposentadorias, pensões e benefícios do índice de reajuste do salário mínimo, hoje maior do que a inflação.
Se Flávio for eleito na 25 de outubro, cerca de 28 milhões de aposentados (70% dos segurados do INSS), que recebem salário mínimo podem sofrer perdas do ganho real de renda.
Criada por Lula em seu primeiro mandato em 2006, a correção acima da inflação, após ser interrompida no governo Bolsonaro, só voltou em 2023, graças ao presidente Lula que assinou a Lei nº 14.663/2023, estabelecendo como permanente a Política de Valorização do Salário Mínimo. Com essa política sendo de Estado, nenhum outro presidente pode acabar com ela sem mexer na Constituição.

