Gabriel Damásio
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O ano de 2015 ainda não terminou, mas o aracajuano já começou a pagar um novo preço pela passagem de ônibus. A tarifa de R$ 3,10, aprovada pela Câmara Municipal no último dia 21, começou a valer à meia-noite deste domingo. Apesar dos rumores da mudança terem começado a circular na tarde da quinta-feira, véspera de Natal, a confirmação da notícia só foi dada no meio da tarde de sábado, através de uma lacônica nota oficial despachada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp). A demora entre a aprovação do reajuste de 14,81% e sua entrada em vigor é atribuída à sanção do decreto que autorizou a nova tarifa, cuja assinatura dependia do prefeito João Alves Filho (DEM).
O novo preço, informado em adesivos fixados nos vidros dos ônibus, pegou de surpresa a maioria dos passageiros que precisaram do transporte coletivo ainda na manhã de domingo, seja para ir trabalhar ou mesmo para curtir a folga do fim-de-semana prolongado. Alguns usuários tiveram que descer do ônibus pela porta da frente, pois estavam apenas com os R$ 2,70 da tarifa anterior e não tinham os R$ 0,40 a mais para completar a tarifa. Por sua parte, os passageiros que usam o vale-transporte, o passe escolar e o Cartão Cidadania, ambos utilizados o meio de cartões magnéticos, não tiveram problemas, porque, em geral, os créditos relacionados à tarifa anterior continuam disponíveis e podem ser usados até se esgotarem.
Junto com o transtorno e o constrangimento, foram constantes também as reclamações dos usuários quanto à qualidade do serviço prestado, em contrapartida ao preço da passagem: em algumas linhas, as queixas são quanto ao baixo número de veículos e à demora na frequência dos horários. Em outras, os ônibus são mal conservados e, apesar da idade, ainda não foram substituídos. Há problemas de conservação, e estrutura também nos terminais de integração, seja nos que ainda não foram reformados, como os do Centro e do Mercado, seja nos que já passaram por obras, como o do DIA, mas, conforme o próprio Setransp, já foram danificados por atos de vandalismo.
A falta de segurança é outro problema apontado pelos usuários que criticam a tarifa. Apenas no domingo, primeiro dia de vigência da nova tarifa, três ônibus foram assaltados em Aracaju, sendo um na avenida Osvaldo Aranha (zona oeste), um na rotatória do Conjunto Orlando Dantas (zona sul) e outro na terceira etapa do Conjunto Augusto Franco. Nas três ocorrências, foi roubado um total de quase R$ 460 em dinheiro, além dos pertences dos passageiros. Estima-se que o ano de 2015 termine com quase 1.150 assaltos a ônibus registrados na Grande Aracaju, com dois passageiros mortos a tiros.
O Setransp e a Prefeitura de Aracaju (PMA) alegam que o aumento de 14,81% foi necessário por causa da forte alta de 23,84% no custo dos insumos que compõem a tarifa: combustíveis, manutenção, impostos e salários de funcionários. Nas planilhas de custo, os empresários chegaram a pedir a tarifa de R$ 3,41, o que foi rechaçado pela PMA. Com a tarifa de R$ 3,10, Aracaju termina 2015 com o transporte coletivo mais caro do Nordeste. Está acima inclusive de Salvador (BA), que cobra atualmente R$ 3,00 pela tarifa, mas já anunciou que vai aumentá-la para R$ 3,30. E mesmo assim, os soteropolitanos pelo menos vão esperar até o próximo sábado, 2 de janeiro, para pagar a nova tarifa.


