Pavonice do governador não garante a sua reeleição em 2026
Publicado em 15 de fevereiro de 2025
Por Jornal Do Dia Se
Com Rogério fora do páreo e Valmir encrencado com a Justiça, os partidos de oposição precisam buscar um nome novo para que Mitidieri não vença por W.O. Por isso, talvez, o governador demonstre tanta pavonice em relação a 2026
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Na semana passada durante almoço oferecido a correligionários pelo deputado estadual Jeferson Andrade (PSD), presidente da Assembleia Legislativa, na fazenda da família em Nossa Senhora de Lourdes, o governador Fábio Mitidieri (PSD) fez um discurso otimista cantando vitória nas eleições de 2026, há quase dois anos do pleito. O próprio Jeferson, aliás, teve o seu nome lançado como candidato a vice-governador na chapa, substituindo ao atual vice Zezinho Sobral (PSB), que pretende voltar a disputar vaga para a Assembleia Legislativa.
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No discurso, Mitidieri garantiu que vai derrubar os concorrentes. “Nunca tive problema com adversário. 2026 já começou e quem não entendeu isso, já perdeu”, enfatizou. Ninguém sabe de onde vem tanto otimismo. Em 2022 teve uma eleição difícil, faz uma administração mediana, a não ser que conte com os R$ 2 bilhões a que o estado teve direito com a concessão da Deso – o que ele prometeu não fazer na campanha passada – para espalhar obras por todo o estado e colher frutos eleitorais.
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Em 2022, a mobilização das máquinas do governo do estado e das grandes prefeituras do estado – inclusive Aracaju e Nossa Senhora do Socorro – no segundo turno das eleições estaduais, foi mais forte do que o desejo por mudanças manifestado no primeiro turno pelo eleitorado sergipano. Com 623.851 votos (51,70%) Fábio Mitidieri (PSD) foi eleito governador de Sergipe.
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A vitória de Rogério Carvalho (PT) no primeiro turno acabou despertando ocupantes de cargos em comissão e seus familiares sobre o risco de mudanças profundas no quadro de pessoal do estado. Muitas dessas pessoas ocupam CCs desde 2007 quando esse grupo que está no poder assumiu o poder com a vitória de Marcelo Déda.
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Mesmo com toda essa mobilização, Rogério Carvalho (PT) conquistou 582.940 mil votos (48,30%). A vitória do candidato governista foi com pouco mais de 40 mil votos.
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A campanha de Rogério não conseguiu transferir para ele a excepcional votação de Lula (PT), eleito presidente da República, que obteve no estado 862.951 votos (67,21%) contra 421.086 (32,79%) de Jair Bolsonaro (PL). Em Aracaju, Lula obteve 57,26% dos votos válidos (190.875) e, Bolsonaro 42,74% dos votos (142.489).
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Foi na capital onde Rogério foi derrotado. Fábio Mitidieri obteve 187.048 votos em Aracaju, mais de 60 mil votos de frente.
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Desde Marcelo Déda em 2006, Mitidieri foi o primeiro governador eleito sem estar ocupando o cargo. Déda foi reeleito em 2010, Jackson Barreto assumiu em 2013 e foi reeleito em 2014, e Belivaldo assumiu em abril de 2018 e obteve a reeleição.
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O otimista Mitidieri é um dos principais responsáveis pela derrota do grupo na disputa pela Prefeitura de Aracaju no ano passado, após oito anos de mandato de Edvaldo Nogueira (PDT), que deixou a administração muito bem avaliado pela população. No primeiro turno, Emília Correia (PL) obteve 126.365 votos (41,62%) e Luiz Roberto (PDT) – o candidato das máquinas estadual e municipal – ficou com 72.427 votos (23,86%). No segundo turno foi confirmada a vitória de Emília com 165.924 votos (57,46%), enquanto Luiz ficou com 122.842 votos (42,54%).
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Nas próximas eleições, Mitidieri não deverá enfrentar mais uma vez Rogério Carvalho, já que o PT nacional prioriza a disputa pela reeleição e o próprio senador já confirmou isso. A oposição terá que preparar um nome, e este poderá ser o atual prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL), caso ele consiga se livrar dos processos a que responde pelo suposto desvio de recursos do matadouro municipal em sua gestão anterior.
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Em dois de dezembro do ano passado, a Justiça de Sergipe decidiu não homologar um acordo entre Valmir e o Ministério Público Estadual (MPE), referente ao processo que investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro no matadouro de Itabaiana durante os anos de 2015 a 2017. Além disso, Valmir foi condenado por improbidade administrativa, com a perda dos direitos políticos por quatro anos, o ressarcimento total do dano e pagamento de multa. A decisão não impediu a sua posse como prefeito em primeiro de janeiro, porque a sentença foi proferida após a eleição, e há recursos em andamento.
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Com Rogério fora do páreo e Valmir encrencado com a Justiça, os partidos de oposição precisam buscar um nome novo para que Mitidieri não vença por W.O. – quando a equipe adversária não pode competir. Por isso, talvez, o governador demonstre tanta pavonice em relação a 2026.
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Nova tarifa social
O Ministério Público do Estado de Sergipe (MPSE) deu prazo de dez dias úteis para que a Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO) apresente informações sobre a implementação da nova tarifa social no estado, em conformidade com a Lei Federal nº 14.898/2024, que estabelece diretrizes para a tarifa social de água e esgoto em âmbito nacional.
O pedido de informações feito pelo MPSE atende à solicitação formulada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe – Sindisan, em ofício enviado no último dia 4, à promotora Euza Maria Missano, da Promotoria de Justiça dos Direitos do Consumidor.
No ofício, a entidade sindical lembra que a lei da nova tarifa social estabelece que a partir de 11 de dezembro de 2024, famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) passaram a ter direito automático a 50% de desconto sobre a tarifa normal dos serviços de água e esgoto, considerando o consumo de até 15m³, e que esse descumprimento, por parte da DESO, caracteriza prejuízo aos consumidores de baixa renda sergipanos e violação do direito básico de acesso a tarifas reduzidas.
Segundo dados do Censo do IBGE de 2022, o total de famílias sergipanas cadastradas no CadÚnico é de 642 mil. Dessa forma, estima-se que aproximadamente 300 mil clientes da DESO tenham direito à Tarifa Social, o que sugere que a Companhia está descumprindo a legislação vigente e o Código de Defesa do Consumidor.
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Diretoria da Fames
A Federação dos Municípios do Estado de Sergipe (Fames) anuncia a realização da cerimônia de posse da nova mesa diretora – biênio 2025/2026 -, eleita em setembro do ano passado. O evento ocorrerá na próxima segunda-feira (17), às 17h, na sede da Fames, e contará com a presença do governador Fábio Mitidieri.
A nova mesa diretora será liderada por Silvany Mamlak, ex-prefeita de Capela, que faz história ao se tornar a primeira mulher a assumir a presidência da Fames. A vice-presidência ficará a cargo de Esmeralda Cruz, ex-prefeita de Carmópolis; o tesoureiro Alan Andrelino, ex-prefeito de Areia Branca; o 1º secretário, Marcell Souza, ex-prefeito de Campo do Brito; e o 2º secretário, Christopher Divino, prefeito de Canhoba.
Além dos membros da mesa diretora, o Conselho Fiscal será composto pelos titulares Lara Moura, ex-prefeita de Japaratuba; Anderson de Zé das Canas, ex-prefeito de Frei Paulo; e Robson Martins, prefeito de Ilha das Flores.
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Líder no Senado
Com o início da nova sessão legislativa, houve a troca de algumas lideranças do Senado. Ao todo, quatro mudanças foram formalizadas até agora junto à Secretaria-Geral da Mesa (SGM) da Casa. O PT informou que o senador Beto Faro (PA) será substituído pelo senador Rogério Carvalho (SE) na liderança da legenda.
Rogério Carvalho afirmou, em entrevista à Rádio Senado, que as prioridades para o novo ano legislativo serão a reforma tributária sobre a renda, a regulamentação definitiva das redes sociais e a atualização da legislação do Sistema Único de Saúde (SUS).
– É uma honra para qualquer parlamentar assumir a liderança dentro de uma Casa legislativa. Fui líder em 2020, mas aquele foi o ano em que começou a pandemia, então fui um líder de computador e de posições virtuais. Em 2025 voltarei à liderança já com uma nova conformação da bancada do PT no Senado – ressaltou.
São os líderes que coordenam as ações dos parlamentares e de suas bancadas, articulam votações com outras lideranças e com o governo, bem como defendem os interesses dos respectivos grupos no Senado, na Câmara ou no Congresso Nacional.
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Validade da Anistia
O ministro Flávio Dino, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou em dezembro a tese de que o crime de ocultação de cadáver, como ocorreu em casos de desaparecimento de militantes na Guerrilha do Araguaia, é um delito permanente que não pode ser perdoado pela Lei de Anistia de 1979. O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, na terça-feira (11), para decidir que a Corte vai analisar se a aplicação da Lei da Anistia ao crime de ocultação de cadáver no período da ditadura militar é constitucional.
“O sumiço dos corpos, sem que as famílias possam sepultá-los dignamente, configura uma dor irreparável e um crime que transcende o tempo”, afirmou Dino, defendendo que tais condutas devem ser excluídas dos benefícios da anistia.
O caso em questão surge a partir de um recurso do Ministério Público Federal, que busca a condenação dos militares Lício Maciel e Sebastião Curió – o Major Curió, que faleceu em 2022 – por crimes cometidos durante a Guerrilha do Araguaia. O MPF argumenta que, embora esses crimes tenham início durante a ditadura militar, seus efeitos permanecem vivos, causando sofrimento contínuo às famílias dos desaparecidos.
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Municípios sustentáveis
A Secretaria-Geral da Presidência da República lançou o último dia 12, durante o Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, o compromisso “Meu Município pelos ODS”. A iniciativa pretende promover avanços no cumprimento da agenda 2030 e incentivo à adesão das prefeitas e prefeitos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Em associação com instituições do estado brasileiro e parceiros estratégicos, a SGPR construiu um pacote de benefícios, que consiste em ferramentas de planejamento e gestão, formações e capacitações técnicas, além de um mapa contendo as principais linhas de financiamento direcionadas ao desenvolvimento sustentável.
A adesão à iniciativa é voluntária e a aplicação dos compromissos sugeridos oferece aos municípios a oportunidade de uma gestão eficiente, a possibilidade de reconhecimento nacional e internacional, além do desenvolvimento da diplomacia da cidade, podendo diversificar as formas de captação de recursos e investimentos em seu território.