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Pensar Itabaiana (4)


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Publicado em 08 de dezembro de 2023
Por Jornal Do Dia Se


Opinião

 
* Antonio Samarone
 
Itabaiana inciou a década de 1960 em grande ebulição política. Os Coroneis com o “olho grosso” no comércio se mataram. O ódio político contaminou a cidade: perseguições, espancamentos, violência aberta e explicita. 
A fama de cidade violenta vem desse tempo. Hoje, Itabaiana voltou a ser um cidade pacata.
Em 1963, Euclídes Paes Mendonça e o filho (UDN) são assassinados em Praça Pública. Em 1967, Manoel Teles (PSD) é assassinado na porta de casa. Um clima sombrio pairava sobre a cidade. 
Itabaiana estava dividida. 
Nesse clima, apareceu um saída: fortalecer o futebol. Dr. Pedro, Mozart, Zé Queiroz, Fautino, Pedro Gois, entre outros, uniram-se em torno da Associação Olímpica de Itabaiana. O primeiro campeonato veio em 1969.
Entenderam? O Itabaiana não é apenas um time de futebol, é a cidade de chuteiras. No Hino, Alberto de Carvalho captou perfeitamente: “somos Itabaiana, cidade celeiro.” Os ceboleiros de todos credos e paixões, uniram-se pelo futebol. Até hoje!
Na década de 1960, os filhos do Ginásio Murilo Braga começam a mostrar as unhas. Chegaram o Jornal “O Serrano”, um pasquim provinciano cheio de venenos; Tapioca fundou o Buraco, uma boite com luz negra; Vlademir Carvalho lançou “As Santas Almas de Itabaiana; Abrahão abriu uma loja de discos; surgiu “Os Nomades”, um conjunto musical que imitava os Beatles. 
Uma amigo me perguntou quem foi o famoso Murilo Braga? Um burocrata do Ministério da Educação, que nunca ouviu falar em Itabaiana. 
Na década de 1960, ocorreu o renascimento cultural em Itabaiana. 
A Igreja católica não estava mais sozinha. Além do Natal, Paixão de Cristo e as novenas de Santo Antonio, surgiram manifestações culturais laicas. Nessa época, apareceram os cabeludos, a calça boca de sino e a mini saia. Uma herança hippie. 
Itabaiana se modernizava.
Na década de 1960, a política se separou da economia. O comércio e os caminhões cresciam e os líderes políticos reforçavam a velha disputa odienta com outros nomes (ARENA I X ARENA II), Abelhas X Mangangás). 
A política pela política, centrada no clientelismo. A economia de Itabaiana cresceu por conta própria, não contou com chefes políticos desse período. 
A ditadura de 1964 não encontrou resistências em Itabaiana, os inimigos políticos foram todos para a ARENA. Contra mesmo, só meia dúzia de comunistas, assombrados, com medo da prisão, um ou outro democrata e alguns estudantes universitários. 
A primeira disputa para a Prefeitura de Itabaiana, pós 1964, o Prefeito foi Vicente de Belo, da ex UDN, e o Vice, Derivaldo Correia, do ex PSD. Um grande acordão. 
Foi nessa administração que pavimentaram os quatros primeiros trechos do Beco Novo, do fundo da Igreja até a esquina da bodega de Dona Rosita.
Tenho saudades da minha rua de areia, espaço de brincadeiras, futebol de rua, com bola de pano, e outras traquinices. Brinquei no Beco Novo de pé em barra, prender e soltar, cipó queimado, bola de marraite, furão, mãos ao alto, castanha, manja e cantigas de roda. Fui pobre, pobre de “marré deci”. 
Durante o milagre econômico, Itabaiana se tornou o maior produtor de mandioca do Brasil, uma herança do período agrícola. A saborosa farinha de Itabaiana abasteceu até Salvador. A farinha pó do Rio das Pedras fez a papada de muitas crianças.
Na década de 1960, a água encanada chegou a Itabaiana. Eu era um descrente, no dia, fiquei a manhã inteira em frente a torneira, aguardando a água pingar. 
Chegou a FSESP (Serviço Especial de Saúde Pública), do Governo Federal.
Segundo Almeida Bispo, em 1969, Itabaiana possuía 550 veículos automotores, dos quais, 391 caminhões (71%). A força dos caminhoneiros estava estabelecida.
No próximo texto, falarei sobre a década de 1970.
 
* Antonio Samarone é médico sanitarista
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