Gabriel Damásio
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O Tribunal do Júri da Comarca de Aquidabã (Baixo São Francisco) julgou e condenou três envolvidos em um crime de grande repercussão descoberto na cidade em 19 de agosto de 2013: o assassinato de Wellington da Silva, o ‘Orelhinha’, cujo corpo foi esquartejado e abandonado em um terreno baldio no Conjunto Eurico de Souza Filho, periferia do município. Em julgamento encerrado no fim da noite de anteontem, a ré Maria Franciele Silva, a ‘Perigosa’, 21 anos, sobrinha da vítima e apontada pela polícia como a principal autora do crime, foi condenada a 21 anos e oito meses de prisão, pelo crime de homicídio triplamente qualificado.
Os outros réus, Manoel Pereira dos Santos, o ‘Manoel Cego’, 21, e Carlos André Barros dos Santos, o ‘André de Riachão’, 35, foram responsabilizados pelo crime de por ocultação de cadáver e cumprirão pena de um ano de prisão. A tese do Ministério Público, que acusava os três réus por participação direta na morte de Wellington, foi aceita pela maioria dos sete jurados, com todas as respostas dos quesitos alcançando o limite de quatro votos. A única pergunta que teve votação apertada foi sobre a absolvição de Carlos André do crime de ocultação de cadáver. O ‘Não’ ganhou por 4×3.
Em comunicado divulgado pelo Ministério Público Estadual (MPE), o promotor responsável pelo caso, Rafael Schwez Kurkowski, disse que as condenações foram de acordo com o pedido apresentado no julgamento, incluindo as qualificadoras do motivo torpe, do meio cruel na prática do crime e do emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Kurkowski destacou que o homicídio é um crime grave na órbita do Direito, repudiado pela sociedade e não poderia ficar impune. Ele afirmou que a sentença foi justa. "Razoável, pena exemplar, e é o que a sociedade almeja, não só em crimes de grande repercussão, mas em todos os crimes praticados", afirmou.
A Promotoria sustentou também todas as provas levantadas no inquérito da Polícia Civil, o qual constatou que Franciele provocou a morte do tio e orientado os outros dois envolvidos a destruir e ocultar o cadáver. O delegado Antônio Wellington, responsável pela delegacia de Aquidabã, disse na ocasião que ‘Perigosa’ era a principal traficante de drogas da cidade e matou Wellington porque ele falava publicamente sobre suas atividades no crime, sobretudo quando bebia em bares da cidade. Na ocasião, o crime causou impacto pela violência sofrida por Wellington e pela beleza física da ré, que impressionou também pela frieza.
Entre as provas encontradas na casa de Franciele, estão a cova onde o corpo estava enterrado, encontrada nos fundos da residência, e um colchão sujo de sangue que tinha sido queimado para apagar os vestígios do crime. Constatou-se também que ‘Orelhinha’ morreu degolado pela sobrinha, antes de ter seu corpo esquartejado. Ao ser interrogada, ‘Perigosa’ alegou que não sabia que o corpo foi enterrado na casa dela, e que o crime foi totalmente executado por um ex-namorado, o qual não teve sua participação comprovada pela polícia. André e Manoel, por sua vez, afirmaram ter sido chamados para ‘fazer um serviço’ na casa de Franciele e admitiram ter desenterrado o corpo, esquartejado e queimado um colchão.
Os advogados de defesa, que pediam a absolvição dos réus e sustentavam a tese da negativa de autoria, não apresentaram recurso, apesar da derrota no júri. Os três continuarão presos e devem cumprir suas penas em regime fechado.


