Gabriel Damásio
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram ontem, a segunda fase da “Operação Bartimeu”, que investiga denúncias envolvendo o mau uso de verbas federais em projetos sociais desenvolvidos em Sergipe. Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em Sergipe e em Brasília (DF), além de ordens judiciais de sequestro, quebra de sigilo bancário e medidas cautelares diversas da prisão. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal de Sergipe(JFSE).
De acordo com a PF, são apuradas irregularidades na execução de termos de fomento firmados entre associações privadas sem fins lucrativos (OSC) e o Ministério da Cidadania, a serem aplicados na inserção e formação profissional de 600 jovens residentes em Sergipe, no Pará e no município de Paulo Afonso (BA), bem como na realização de campeonato desportivo entre jovens aprendizes, no DF.Os contratos investigados nesta fase da Operação giram em torno de R$ 1,7 milhão.
As investigações, na primeira fase deflagrada em 15 de dezembro do ano passado, partiram de indícios de fraudes e de desvio de recursos, por meio de simulação de contratações, em termos de fomento celebrados entre uma associação e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDHF), que tinha o mesmo objetivo. Originalmente, o projeto envolvia a formação profissional de 600 jovens residentes em Sergipe, Distrito Federal e Rio de Janeiro.Durante as diligências decorrentes, que envolveram o cumprimento de outros 13 mandados de busca e apreensão nos estados de Sergipe e Pernambuco, foram detectadas contratações fraudulentas, inexecução de serviços, superfaturamento de preços e desvio de verbas públicas destinadas à formação profissional de jovens.
Os envolvidos estão sendo investigados pela prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Não houve prisões até o momento.
O nome da operação, Bartimeu, é uma referência a um personagem da Bíblia que era cego, vivia como mendigo em Jericó, na antiga Israel, e passou a enxergar depois de ser curado por Jesus Cristo. Para a polícia, o nome se refere ao ato de “lançar luz” a irregularidades que estavam ocultas. (com PF)


