PF investiga retenção de ônibus durante as eleições

PF investiga falta de ônibus intermunicipais no domingo da eleição (Divulgação)

A Polícia Federal, por intermédio da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor), segue investigando os motivos que resultaram na retenção de ônibus em cidades de cinco estados, entre eles, Sergipe. Pela Justiça Eleitoral foi constatado cenário idêntico e/ou semelhante nos estados de São Paulo, Bahia, Alagoas e Piauí. Consta nos autos do processo de investigação que na capital baiana, Salvador, mais de 300 ônibus coletivos permaneceram estacionados nas garagens até o início da tarde deste domingo, 25; em São Paulo, outros 400 deixaram de circular em mais de 60% do período de votação.
O JORNAL DO DIA destaca que desde o ano de 2024, nos dias de votação, o poder público é obrigado a oferecer transporte coletivo gratuito. A regra vale para linhas municipais, intermunicipais e metropolitanas, o que inclui ônibus, trem, metrô, barca e outros meios de transporte. O serviço deve circular com a mesma frequência de um dia útil. Esta medida foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro de 2023, por unanimidade. Os ministros concluíram que o custo da passagem de ida e volta pode ser maior que a multa por não votar, o que, na prática, afastaria das urnas os eleitores mais pobres.
Em Sergipe, por decisão da desembargadora Ana Bernadete Leite de Carvalho Andrade, a Cooperativa de Transporte Alternativo de Passageiros do Estado de Sergipe (Coopertalse), foi notificada para assegurar a oferta de transporte coletivo com frota e frequência no mínimo compatível com os dias úteis. A deliberação foi divulgada pouco antes das 14h deste domingo, segundo turno das eleições 2026. Passageiros e siglas partidárias alegaram que houve redução drástica na redução de transporte na capital e que a cooperativa não estaria disponibilizando veículos para o interior.
“A polícia segue realizando oitivas das pessoas envolvidas e tomando algumas medidas também, cumprindo decisões judiciais. Os crimes apurados são de embaraçamento do exercício do voto e também a ocultação de meios de transporte para prejudicar o exercício da cidadania. São fatos que ainda estão em apuração. A Polícia Federal tem trabalhado junto aos tribunais regionais eleitorais, ao Ministério Público Eleitoral, assim como às demais polícias”, informou o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali.
Em contraponto às denúncias, a direção da Coopertalse afirmou em comunicado oficial que os veículos estiveram disponíveis gratuitamente para atender a população sergipana e que está operando com a frota máxima. A cooperativa reconheceu o aumento da demanda e pediu compreensão aos passageiros diante do movimento intenso. Segundo a entidade, os veículos estavam realizando viagens e retornando para buscar novos passageiros, com o objetivo de ampliar o atendimento ao longo do dia. (MAJ)

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