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Pipas com cerol podem cortar vidas


Publicado em 18 de novembro de 2021
Por Jornal Do Dia


* Lacerda Júnior

Toda a tarde a meninada de Transitolândia gostava de se reunir próximo à subestação de energia para soltar pipas.De uns tempos para cá, entretanto, algo estranho começou a acontecer que afastou os meninos do local.

– Joãozinho, cê num sa-sa-sabe o que aconteceu – falou Parafuso, sobrinho do mecânico Zé Motor, mais pálido do que burro quando foge do dono.

– Fala logo o que aconteceu, Parafuso – pediu Joãozinho.

– Eu ‘tava’ lá brincando sozinho na subestação quando de repente ‘eu vi ele’ – falou Parafuso.

– Viu quem? – perguntou Joãozinho assustado.

– O MOTOQUEIRO SEM CABEEEEÇA!!!!!! – gritou Parafuso.

– Deixa de invenção, Parafuso. Isso não passa de uma lenda urbana – respondeu Joãozinho, irritado.

– Eu juro! Ele ‘tava’ lá! Parou e disse que queria falar comigo – disse Parafuso.

– E ele disse o quê? – questionou Joãozinho.

– Sei lá, Joãozinho, eu saí correndo – respondeu Parafuso.

– Eu só acredito se você me levar até lá e me mostrar o tal motoqueiro – disse Joãozinho.

– Tá bom! Mas se ele se aproximar a gente sai correndo – enfatizou Parafuso.

– Fechado – respondeu Joãozinho.

Alguns minutos depois:

– E aí, Parafuso? Cadê o tal motoqueiro? Já estamos aqui há quinze minutos e nada. Pra não perder a viagem, vou aproveitar que estou aqui e vou experimentar minha pipa nova – falou Joãozinho.

Parafuso abriu a mochila de Joãozinho tremendo, todo desconfiado.

– Parafuso, deixa de ser mole. Fantasma não existe – retrucou Joãozinho.

– Joãozinho, o que você passou na linha de sua pipa que ‘tá’ tão brilhante? – perguntou Parafuso.

– Limalha de ferro, o melhor cerol que existe. Assim ninguém corta minha linha – falou Joãozinho, com um ar de superioridade.

De repente, ouviu-se uma voz:

– MENINOS, PRECISO FALAR COM VOCÊS – era ele, o ‘motoqueiro sem cabeça’.

– Nãããããão!!! Não nos mate, por favor – gritaram os garotos.

– Que matar, garotos! – respondeu o motoqueiro.

– Saia de perto de nós! Você é o motoqueiro sem cabeça – tornaram a gritar os meninos.

– Sem cabeça nada, garotos! Isso é só uma fantasia – falou o motoqueiro, tirando o capacete.

– É o seu Jerônimo – gritou Parafuso.

– Olá, Parafuso, como está o seu tio? – perguntou o motoqueiro.

– Bem! Mas porque o senhor resolveu nos assustar? – questionou Parafuso.

-Eu sou funcionário do Departamento de Trânsito aqui da cidade e este mês nós estamos promovendo a campanha “Pipas com cerol podem cortar vidas” com o objetivo de conscientizar as crianças do risco de passar cerol em linhas de pipas. O ‘motoqueiro sem cabeça’ é o personagem da campanha – respondeu Jerônimo.

– Mas qual o risco de soltar pipa? – perguntou Joãozinho.

– O problema não é a pipa, o problema é a linha e o cerol, pois se quando vocês estiverem brincando a linha enrolar no pescoço de alguém que passar em uma bicicleta ou uma moto pode ser fatal – explicou Jerônimo.

– O que é fatal? – perguntou Parafuso.

– Quer dizer que o corte causado pela linha pode levar uma pessoa à morte – respondeu Jerônimo.

– Que horrível!!! – falaram ao mesmo tempo os meninos.

Esta semana, em Aracaju, uma pessoa teve o pescoço cortado e morreu, por causa de linha com cerol. Sem contar que vocês estão brincando perto de uma estação de energia, se a linha enganchar nos fios pode levar vocês à morte. – continuou falando Jerônimo.

– A gente com medo do ‘motoqueiro sem cabeça’ e nós é que estávamos sendo uma ameaça para os outros – observou Joãozinho.

– A partir de hoje nós não vamos mais passar cerol na linha nem vamos soltar pipas perto de rede elétrica – prometeu Parafuso.

-Muito bem, meninos, vocês aprenderam bem a lição. Cumpram o que disseram senão o ‘motoqueiro sem cabeça’ vai atrás de vocês – brincou Jerônimo, sorrindo.

– Sim senhor – falaram os meninos, já pegando as coisas para voltar para casa.

No caminho Parafuso lembrou que deixou o tênis no lado da subestação. Pediu que Joãozinho o esperasse e voltou à subestação; foi quando ele viu o Sr. Jerônimo montar na moto, ligar o motor, tirar a cabeça de cima do pescoço e colocá-la no baú da moto e ir embora.

* Lacerda Júnior , especialista em Segurança e Educação para o Trânsito.

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