Milton Alves Júnior
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Impasses administrativos e operacionais na obra de pavimentação das avenidas Caçula Barreto e Tarcísio Daniel dos Santos, no conjunto Augusto Franco, em Aracaju, têm contribuído para prejudicar milhares de moradores que diariamente necessitam transitar pela região. Iniciada no dia 15 de maio deste ano, a obra está prevista para ser concluída até a primeira quinzena de maio do próximo ano, mas encontra-se parada e sem perspectiva de reinício. Segundo a Prefeitura de Aracaju, a previsão de operacionalização do serviço seria nesta manhã de terça-feira, mas in loco o Jornal do Dia foi informado pelos poucos operários que se encontravam no local que a suspensão das atividades segue por tempo indeterminado.
Em meios às alegações contrárias, a canal da avenida Caçula Barreto permanece sendo utilizado como lixão a céu aberto pelos próprios moradores. Diante da paralisação dos garis e margaridas na semana passada, a falta de higienização da área que já era grande, ficou ainda mais caótica, contribuindo, inclusive, para a proliferação de insetos, escorpiões, ratos e cobras. Orçada em 5.167.872,33, esta obra era aguardada com ansiedade pelos populares, mas há pouco mais de cinco meses a Secretaria Municipal de Infraestrutura – responsável pelo serviço, determinou que o trabalho fosse interditado. A medida foi adotada como forma de evitar problemas judiciais já que a região é repleta de árvores, e para dar seguimento à obra seria necessário demoli-las.
"Era pra ter aqui umas 70 pessoas trabalhando nessa obra, mas como teve que ser parada, quando tem muitos são 10. O problema é que o Ibama não libera para tirar essas árvores e por isso a gente fica aqui esperando a ordem para reiniciar. Já disseram também que o problema estava na Secretaria de Estado do Meio Ambiente, mas ninguém sabe ao certo o que acontece", afirmou Cícero, mestre de obras. Parte das árvores que segundo o projeto necessitam ser retiradas já foi enumerada pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). Enquanto o impasse permanece, manilhas foram produzidas, mas até esse trabalho já foi suspenso por decisão dos próprios operários.
"Quando a ordem de parar a obra chegou, a gente começou a montar as manilhas de concreto, mas já temos 30 prontas e por isso esse trabalho também foi parado. Realmente disseram que a obra estava pra ser reiniciada, mas por aqui ainda não chegou ordem nenhuma", pontuou o operário. Enquanto os impasses internos continuam sem resposta positiva, moradores e comerciantes do Augusto Franco lamentam a falta de atuação responsável por parte da administração municipal.
Na avaliação do taxista Elicarlos Donizete, se fosse para iniciar a obrar e em seguida suspendê-la, era melhor nem ter anunciado a construção da via que ainda prevê a instalação do serviço de drenagem. "Eu moro aqui há 28 anos e posso garantir que o início dessa obra só foi pior para nós que moramos nessa área próxima da avenida nova. Os tratores passaram por aqui e deixaram a pista assim, toda desnivelada. Desse jeito era melhor nem ter anunciado a obra que sempre foi um desejo da gente. Tudo o que a comunidade mais desejava era que esse serviço fosse concluído no tempo certo, mas parece que se continuar assim só deve terminar em 2017", declarou o crítico que concluiu relembrando o pronunciamento feito pelo vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado: "Ele quando disse no rádio que as obras da capital estavam paradas, ele estava certo. Depois que botaram essa placa, 15 dias depois tudo parou".
Por meio de nota a Prefeitura de Aracaju informou que o projeto de urbanização, pavimentação e drenagem das duas avenidas será reiniciado já nos próximos dias, mas não apresentou com precisão quando a promessa será cumprida. Sobre a derrubada das árvores e limpeza do canal, a direção da Emsurb não se pronunciou até o final da tarde de ontem.


