Gabriel Damásio
Depois de uma longa caçada das polícias Civil e Militar, que envolveu pelo menos três tiroteios e quase um ano de buscas, está preso o foragido Adriano Gonzaga Santos, 28 anos, conhecido como ‘Adriano Mago’ ou ‘Adrianinho’ e apontado pelas autoridades como o principal chefe do tráfico de drogas no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). A prisão aconteceu por volta das 12h deste domingo na Avenida Alexandro Alcino, a principal do bairro, durante uma operação de policiais militares do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRP) e da 4ª Companhia do 1º Batalhão de Polícia Comunitária (4ªCia/ 1º BPCom).
Durante a perseguição dos PMs, o acusado quebrou o tornozelo direito e passou a noite internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde foi medicado. Ontem, depois de receber alta, ‘Mago’ foi interrogado no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), no Capucho (zona oeste), de cuja carceragem fugiu com mais oito detentos em 10 de novembro de 2014, 12 dias depois de ser preso. Após horas de depoimento aos delegados do Centro, o preso passou pelo Instituto Médico-Legal (IML), onde fez exames de corpo delito, e, no meio da tarde, foi transferido para o Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), situado no próprio Santa Maria e considerado de segurança máxima. Por todo esse trajeto, ele foi acompanhado por um forte esquema de vigilância, com policiais fortemente armados.
Considerado um dos homens mais perigosos e mais procurados pela polícia sergipana, Adriano é um dos investigados na ‘Operação Concórdia’, deflagrada em maio deste ano e que resultou na prisão de 28 pessoas. Na ocasião, a polícia apurou que ele liderava um grupo de traficantes baseado no Conjunto Valadares, que tentava eliminar integrantes da quadrilha rival, baseada no Conjunto Padre Pedro. Ao longo do tempo que passou nas ruas, o acusado chegou a fugir de três cercos e trocou tiros com policiais que o seguiam, sendo que o confronto mais recente foi em 15 de setembro deste ano, no bairro Jabotiana (zona oeste), envolvendo equipes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq).
No final da tarde, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou uma lista de 11 vítimas de crimes atribuídos a Adriano, os quais são investigados em inquéritos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo o delegado do DHPP, Antônio Sérgio Pinto, há provas de envolvimento de Adriano com sete mortes, mas ele confessou apenas a de Ariclenes Silva dos Santos, o ‘Ari’, apontado como inimigo dele e executado em 12 de julho de 2014, na invasão do conjunto Padre Pedro.
De acordo com a PM, o paradeiro de Adriano foi indicado por denúncias feitas ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), as quais indicavam que o acusado estava em uma comunidade localizada nos fundos da agência do Banese no bairro Santa Maria. O tenente Alexandre Freitas, que participou da ocorrência, relata que, com a chegada de duas equipes do BPRp, Gonzaga tentou fugir, correndo por cerca de 800 metros, em meio a uma feira livre que acontecia na avenida, até ser cercado em uma loja de ferragens, diante de um muro com três metros de altura. "Quando ele viu que não tinha mais por onde fugir, ele sacou da arma de fogo e disparou contra a guarnição. Houve o revide e, mesmo assim, ele tentou saltar o muro. Na queda, ele teve a fratura no tornozelo direito", relatou o oficial.
Ainda de acordo com o oficial, ‘Mago’ teve uma fratura exposta e, como perdia muito sangue, foi levado na própria viatura para o Pronto-Socorro Fernando Franco, no Augusto Franco (zona sul), de onde ocorreu a transferência para o Huse. Durante este tempo, um incidente: parentes e amigos do acusado foram até as unidades de saúde e protestaram contra a prisão, chegando a acusar os policiais de uso excessivo da força. A esposa de ‘Mago’ chegou a prestar um boletim de ocorrência contra os PMs, levantando suspeitas de que ele teria sido torturado e afirmando que eles impediram a entrada dela no hospital, chegando a fazer ameaças.
O comando da PM nega e sustenta que a ação é legítima e foi aplaudida pela população do Santa Maria. "Como havia muitos transeuntes na região, vez que há uma feira livre aos domingos naquela localidade, os PMs agiram com extrema cautela durante a perseguição. Com essa importante prisão, a Polícia Militar retira de circulação um homem perigoso, foragido da Justiça e acusado de uma longa lista de graves crimes, dentre os quais figuram vários homicídios e tráfico de drogas", diz a nota oficial da corporação, a qual informa que o foragido estava armado com um revólver calibre 38 e usou a arma para disparar tiros contra os policiais, enquanto corria pelas ruas do Santa Maria.


