Policiais militares farão marcha cobrando segurança no trabalho

Gabriel Damásio

 

“Estamos em uma guerra real. Precisamos de proteção urgentemente. Não podemos nos entregar aos inimigos porque temos um compromisso: defender as suas vidas sacrificando as nossas vidas. Quando um agente da segurança morre, eu só ouço o silêncio”. Estas frases e muitas outras são gritos de desabafo dos policiais militares e outros profissionais de segurança pública, que também se sentem acossados pela violência urbana, choram a morte de centenas de colegas assassinados – em serviço ou de folga – e reclamam do Estado e da sociedade mais apoio, valorização e garantias para poder enfrentá-la. Esta será a linha de uma manifestação convocada para este domingo em vários estados brasileiros por grupos e entidades de classe ligadas às polícias militares. É a chamada “Marcha em Defesa dos que Salvam Suas Vidas”.

Em Aracaju, o ato acontecerá às 15h do domingo na Orla da Atalaia, sob a coordenação do coronel reformado Durvaltécio Bonfim Silva Santos, que cumpriu 22 anos de carreira na Polícia Militar e já comandou vários batalhões e unidades da corporação, como as antigas companhias de Radiopatrulha (atual Batalhão) e de Segurança Escolar (extinta). Ele explica que a manifestação já acontece há alguns anos em todo o país, em homenagem a policiais assassinados, mas surgiu novamente sob o impacto das imagens do cabo Marcos Marques da Silva, 36 anos, morto com um tiro de fuzil na cabeça ao perseguir assaltantes de banco na cidade de Santa Margarida (MG), em 10 de julho.

“Estamos fazendo a nossa parte como um grão de areia em meio a um oceano, para homenagear os nossos heróis que tombaram e dar apoio a todos os profissionais de segurança pública”, diz Bonfim, destacando os altos números de mortes de policiais civis e militares em todo o país. Em Sergipe, foram oito vítimas em 2016 e quatro em 2017. Nacionalmente, os números são mais alarmantes. Apenas no Rio de Janeiro, foram 90 PMs mortos a tiros neste ano. E no ano passado, 477 crimes do tipo em todo o país. “O que nós percebemos há muito tempo é que quando um policial morre, há um silêncio de todos. Não há o apoio de governantes, não há revolta das pessoas, ninguém da sociedade se manifesta. E a única coisa que ele recebe é o toque de silêncio”, critica o coronel, referindo-se ao toque de corneta tradicionalmente entoado nos sepultamentos de militares mortos.

O número de participantes não foi estimado. A manifestação vem sendo divulgada principalmente nas redes sociais, pelas quais circula um manifesto redigido pelos organizadores. O texto faz uma crítica mais contundente à postura adotada por advogados, entidades de direitos humanos, instituições públicas, veículos de imprensa e movimentos sociais que criticam o trabalho da polícia. “São assassinados de forma cruel, trazendo traumas, sofrimentos, agonia e seqüelas a todos, sem ter qualquer reconhecimento da mídia, dos governantes, direitos humanos e até mesmo da sociedade em si. (…) Se fosse um bandido morto por um PM, a esquerda inteira já tinha mobilizado as massas contra a instituição. Chega! Não ficaremos mais inertes ao genocídio dos policiais militares brasileiros”, dispara o manifesto.

Ao JORNAL DO DIA, o coronel Bonfim explicou que a postura interpretada como contrária à categoria é mais clara quando há ocorrências policiais com mortes de suspeitos ou acusações de abuso e agressão, as quais resultam em afastamento do serviço e até expulsão. Segundo ele, os profissionais de segurança são duplamente cobrados por erros e pela falta da presença deles. “Quando acontece um crime, reclama-se da falta do policial. E quando ele atua, já é pré-julgado e culpado antecipadamente pela sociedade, corre o risco de ser punido pelo Estado, até que se prove que ele agiu em legítima defesa. Isso cria uma pressão psicológica muito grande, porque há essa cobrança e não há o apoio e a contrapartida de ninguém. Se um civil comete uma infração e não tem como pagar advogado, o Estado lhe dá um defensor público. O militar não tem essa proteção jurídica, se sente abandonado por todos, sem força para trabalhar”, lamenta.

Bonfim ressalta que a “Marcha em Defesa” dos policiais militares é aberta a todos, mas não tem qualquer cunho político ou partidário, não sendo permitida a presença de faixas, camisas ou bandeiras de partidos políticos. Isso apesar das críticas direcionadas aos movimentos de esquerda, da simpatia manifestada por movimentos de direita e da ligação dos organizadores com o movimento de criação do Partido Militar Brasileiro (PMBR), que tem atualmente cerca de 260 mil simpatizantes em todo o país e aguarda registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O coronel reformado é presidente do diretório estadual do partido. Além de Aracaju, o movimento está sendo organizado em cidades como Brasília (DF), Fortaleza (CE), São Luis (MA), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), João Pessoa (PB), Campo Grande (MS), Florianópolis (SC) e Vitória (ES). 

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