Gabriel Damásio
As associações de classe das polícias Civil e Mili tar decidiram voltar a fazer uma operação-padrão para pressionar o governo do estado a atender reivindicações por direitos salariais. O expediente, usado há pouco mais de 10 anos pelas categorias como uma alternativa às greves, consiste na redução do atendimento ao público através de procedimentos e rotinas que passam a ser feito exatamente nos termos da legislação e dos regulamentos internos das polícias.
O primeiro movimento do tipo foi em 2008, quando agentes e escrivães da Polícia Civil passaram a exigir equiparação salarial com os delegados de polícia, formaram o"Operação Padrão" e reduziram os atendimentos ao público nas delegacias, seguindo à risca os procedimentos legais. Um ano depois, foi a vez dos praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, que juntaram suas associações e chamaram o movimento de "Tolerância Zero", adotando a mesma estratégia em relação aos comandantes, exigindo o fim dos bicos e a fixação de uma carga horária. Nos dois casos, viaturas não podiam sair das delegacias sem passar por revisão e os policiais se recusavam a ir para as ruas sem armas ou coletes.
Os constantes embates entre agentes praças, oficiais e delegados pressionaram o então governador Marcelo Déda (1960-2013), que em 2010 fez uma lei criando os subsídios dos policiais, a partir da unificação dos salários a todas as gratificações que estavam atreladas e causando uma melhoria sensível nos salários dos policiais. Com o tempo, eles desvalorizaram e outras exigências passaram a ser feitas, como a criação a transformação de escrivães e agentes em "Oficiais de Polícia".
O motivo da nova queda-de-braço dos policiais com o governo é o pagamento de um adicional de periculosidade, que passaria a ser uma gratificação incorporada aos salários. Os líderes do Polícia Unida alegam que o adicional está na lei e representa uma compensação aos riscos que os policiais correm durante as atividades diárias.
O governador Belivaldo Chagas, por sua vez, descartou atender à exigência, alegando que a periculosidade paga aos policiais já está incorporada aos salários e soldos. Belivaldo já declarou também que o impacto financeiro do adicional pedido pelos policiais é estimado em R$ 275 milhões por ano, muito além dos R$ 75 milhões previstos anteriormente. "Não vou quebrar o estado. Eu preciso de uma segurança pública atuante, preciso de mais polícia nas ruas, até o final do ano vou convocar todos os policiais militares pendentes no concurso público", afirmou o governador, que em outra ocasião, disse que as mobilizações do Polícia Unida são "coisa de gente que não tem o que fazer".
Esta fala causou ainda mais irritação nos representantes dos policiais, que aumentaram o tom dos ataques a Belivaldo e cobraram ser recebidos em audiência, o que eles alegam que vêm tentando há mais de 500 dias. "Ele insiste em não dialogar conosco, pelo contrário, descredibiliza o Movimento Polícia Unida com ataques a esses profissionais que trabalham de forma incansável para garantir uma melhor segurança à população, e isso é algo que não mais aceitaremos. Estamos, desde o início, dispostos e abertos ao diálogo, e enquanto isso não acontece, vamos mostrar nossa força e união", destacou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol), Adriano Bandeira, que foi candidato a vereador nas eleições do ano passado.
Segundo o Movimento Polícia Unida, que reúne as entidades, a chamada "Operação Tolerância Zero" começa ao meio-dia deste sábado até a meia-noite do domingo. Os participantes do movimento marcaram um ato público na tarde do sábado, às 16h, em frente à Central de Flagrantes, no bairro Santos Dumont. Durante a vigência da "Tolerância Zero", todas as ocorrências de infrações penais, incluindo as de menor potencial ofensivo, devem ser conduzidas e registradas na Central de Flagrantes.


