Um agente da Polícia Federal foi preso nesta segunda-feira, ao entregar um atestado médico na sede da Superintendência Regional do órgão, no Siqueira Campos (zona oeste). Ele teve a prisão preventiva decretada pelo juízo da 2ª Vara Federal de Sergipe e acusado por crimes de extorsão e ameaça. O nome do policial não foi divulgado, mas confirma-se que ele é pernambucano, tem 50 anos de idade e 20 de carreira na corporação, sendo 10 anos lotado na regional de Sergipe. O agente foi recolhido à carceragem da 8ª Delegacia Metropolitana (8ª DM), no Capucho, e também autuado em flagrante por posse ilegal de arma.
De acordo com o delegado Robert Nunes Teixeira, o agente preso era investigado desde 2015, quando foi denunciado à Polícia Civil em pelo menos três casos de extorsão. Ele chegou a ser processado e responde ainda a um processo administrativo, mas foi flagrado em um quarto episódio, envolvendo um empresário de Aracaju que cobrava uma dívida de R$ 200 mil a um cliente. A PF entrou no caso depois que o pernambucano foi detido e interrogado por policiais civis da 9ª DM, no Santa Maria. “Durante as investigações, foi detectado que, muito embora o policial já tivesse sido indiciado por esse crime, ele continuou a praticar a conduta delituosa, na mesma modalidade do crime de extorsão. Ele se utilizava da arma e da posição de policial federal para ameaçar e intimidar suas vítimas”, disse Teixeira.
O empresário, que também não teve seu nome divulgado, foi igualmente indiciado por extorsão, mas vai responder ao processo em liberdade. A acusação é de que, em troca das intimidações ao devedor, ele teria prometido uma recompensa ao policial. “Há fortes indícios de que esse empresário contratou o policial para receber a dívida que a vítima tinha com ele”, confirma o delegado, acrescentando que o acusado usava nomes de outros agentes para ameaçar e extorquir outras vítimas. Os dois negam todas as acusações. Além da ordem de prisão contra o agente, um mandado de busca foi cumprido na casa dele, onde os outros agentes da PF apreenderam o distintivo da repartição, as armas acauteladas a ele e um revólver calibre 32 que não possuía nenhum registro legal.
Além da prisão preventiva e do processo administrativo, o pernambucano também já foi preso em uma blitz da Polícia Rodoviária Federal, ao ser flagrado dirigindo um carro com placas frias. Na esfera administrativa, ele responderá a outro processo disciplinar na Corregedoria Geral da PF, em Brasília (DF) e pode ser demitido do cargo. Já na esfera criminal, o agente pode ser condenado a até 15 anos de prisão. (Gabriel Damásio)

