Quarta, 29 De Junho De 2022
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A traumática escolha de um candidato a governador


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Publicado em 08 de janeiro de 2022
Por Jornal Do Dia Se


Escultura de Bené Santana

O prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) quer ser o candidato do grupo à sucessão do governador Belivaldo Chagas, mas não faria nenhuma loucura para obter a candidatura. E o que seria essa loucura? Renunciar ao mandato sem a garantia de envolvimento de todos os líderes do bloco na campanha, e sem ficar claro o nível de engajamento do próprio governador no processo eleitoral.
A opinião é de membros do estafe da administração municipal e que acompanham Edvaldo há muitos anos. As boas gestões no comando da Prefeitura de Aracaju, a facilidade na conquista da reeleição em 2020 e o crescimento do seu nome em municípios de todas as regiões do estado, são apontados como pontos fundamentais que deveriam ser analisados na decisão em torno da escolha do candidato.
O processo de definição do candidato governista chegou a um momento delicado, com grande risco de racha. O governador deixou que os pretendentes – Edvaldo, os deputados federais Fábio Mitidieri (PSD) e Laércio Oliveira (PP) e o conselheiro do TCE Ulices Andrade – trabalhassem à vontade, e somente no final do ano passado reuniu todos para cobrar unidade. Uma nova reunião está prevista para o final deste mês, mas ainda não deverá ser para bater o martelo. Isso deve ficar para depois do Carnaval, no início de março.
Os governistas começaram a ver o tempo passar desde meados do ano passado, quando o senador Rogério Carvalho (PT) se desgarrou do grupo num rompimento programado com o governo Belivaldo, e passou a articular a sua candidatura a governador, com o aval do diretório estadual e do ex-presidente Lula. Rogério avança sobre as bases e partidos ligados ao governo, consolida a sua candidatura, enquanto os antigos aliados começam a se digladiar.
Indicado por todos como líder do processo, o governador nunca deixou claro os critérios que usaria para bater o martelo em torno de um dos nomes. Pesquisa, apoio de lideranças e/ou perspectivas concretas de vitória? O chamado consenso nunca será obtido. Da forma como está sendo conduzida a definição do nome, um ou outro descartado poderá até não migrar para a oposição, mas cruzará os braços e cuidará apenas dos seus próprios interesses.
A maior preocupação dos governistas é com Fábio Mitidieri. Desde que se transformou o campeão de votos em 2018, trabalha abertamente para ser o candidato do grupo à sucessão de Belivaldo. Foi surpreendido no ano passado quando Edvaldo entrou no processo, mas diz ter o apoio de todos os prefeitos à exceção do de Aracaju e do Padre Inaldo (PP), de Socorro. Em todas as entrevistas irradia confiança e diz ter certeza absoluta de que será o indicado.
Laércio Oliveira sabe que tem poucas chances de ser o escolhido em função do seu perfil bolsonarista, e se contentaria com a vaga para o senado, ou mesmo a garantia de uma reeleição sem traumas. Ulices é visto como uma espécie de ‘tertius’, o nome apropriado para evitar o racha disfarçado do grupo, mas muito distante do eleitorado – desde 2010 está aboletado numa confortável cadeira no Tribunal de Contas, sem contato direto com o eleitorado, apesar de atuar nos bastidores e garantir reeleições sucessivas de seu filho Jeferson para a Assembleia Legislativa.
Até a reunião do final do mês, Belivaldo deveria matutar sobre duas perguntas essenciais: Quem seria o nome do grupo que teria maiores condições de vencer a disputa com o adversário principal que se apresenta; e, do ponto de vista político-administrativo, qual dos interessados seria mais apropriada para dar sequência ao projeto iniciado por Marcelo Déda em 2007?
O governador deve levar também em consideração a eleição presidencial, que terá reflexos diretos na disputa estadual, mesmo que o voto para presidente não seja condicionante para a escolha do governador. Hoje Lula e Bolsonaro se apresentam como os mais competitivos, com ampla vantagem para o ex-presidente, principalmente no Nordeste.
Voltando sobre a perspectiva de Edvaldo vir a aceitar ser o candidato do grupo, o mesmo estafe aponta algumas exigências: o consenso não poderia ser de boca, mas real. O governador e os outros três pretendentes deveriam deixar claro o nível de engajamento na campanha, promovendo eventos com seus grupos. E, preferencialmente, tendo Fábio Mitidieri como candidato a vice-governador.
E, sendo preterido, qual seria a exigência de Edvaldo para um engajamento direto na campanha? O estafe responde: reconhecimento da sua liderança e a possibilidade de vir a indicar o nome do candidato a vice-governador.
Na reta final, o processo de escolha do candidato governista é cada vez mais traumático. E sem a garantia de engajamento dos preteridos.

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