Por obras no Coqueiral, manifestantes bloqueiam acessos a Socorro

Pela terceira vez em menos de seis meses os moradores do bairro Coqueiral bloquearam a Ponte Rio do Sal, que interliga Aracaju ao conjunto Marcos Freire, município de Nossa Senhora do Socorro. O ato público que foi realizado na manhã de ontem tinha como objetivo exigir que a Prefeitura de Aracaju finalize um conjunto de obras que está parado há cinco meses e interfere na acessibilidade dos moradores. Com o início do período chuvoso, vários pontos de alagamento e lamaçal surgiram e carros pequenos deixaram de transitar desde o início desse mês. A fim de evitar que motoristas desrespeitassem a determinação de não ultrapassar a ponte, uma barricada constituída de pneus em chamas foi construída pelos manifestantes.
Acompanhados de longe por homens da Tropa de Choque da Polícia Militar do Estado de Sergipe (PM/SE), e por agentes da Guarda Municipal, o ato foi realizado de forma pacífica e nenhum manifestante foi detido.

Para o morador Anderson Júnior, as mobilizações são realizadas frequentemente na comunidade em decorrência de uma possível falta de compromisso dos governantes junto às promessas declaradas principalmente em períodos eleitorais. "Os candidatos chegam aqui de dois em dois anos e prometem melhorias imediatas, mas quando assumem o cargo, nunca aparecem. O pior é que, quando realizamos essa interdição, representantes da prefeitura chegam a afirmar que vão atender nossos pedidos, mas também não passam de promessas".

Com o acúmulo de água e lama, outros problemas como a proliferação de ratazanas, serpentes e mosquitos, aumentam a cada semana. Conforme dados extra-oficiais apresentados pela Associação de Moradores, na primeira quinzena desse mês cerca de oito pessoas foram diagnosticadas com dengue na localidade. De acordo com a dona de casa Maria Judite do Rosário, a cada inverno os problemas ampliam e a situação dos moradores fica ainda mais conturbada. "A gente não sabe mais o que fazer, cada um aqui se sente usado pelos políticos que dizem querer melhorar a nossa vida, mas ficam só da boca pra fora e preferem trabalhar para os ricos. Raros são os eleitos que tentam fazer algo de bom para os pobres", lamentou.

Além dos problemas constantemente causados pelos efeitos da natureza, falta de políticas públicas eficientes também interferem no dia-a-dia dos moradores. Durante a mobilização de ontem, a comunidade aproveitou o ensejo para criticar a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT/AJU) por falta de transporte coletivo na região. Em entrevista concedida ao Jornal do Dia, o auxiliar de pedreiro Gilberto Nascimento dos Santos afirmou que pedir qualidade no serviço já se transformou em um ‘sonho distante’. "Pensar em pedir qualidade nesse transporte de ônibus já é algo muito distante. Aqui não tem nada, ônibus, segurança, pontualidade, nada! Se botassem dois ônibus iria resolver parte dos problemas", disse.

Regularização – Em nota oficial emitida pela Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), foi informado que um trabalho de qualificação no sistema de infraestrutura do bairro foi iniciado no ano passado, mas foi interrompido por impasses no orçamento da obra. A perspectiva por parte da prefeitura é que esse mesmo orçamento seja enviado ainda essa semana à Caixa Econômica Federal e os operários voltem a trabalhar no conjunto nos próximos meses. Atualmente a obra já completou 80% e a meta é que seja concluída no primeiro semestre de 2014. (Milton Alves Júnior)

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